quinta-feira, 29 de julho de 2010

Lembrança

O que me fez lembrar de ti
ao descer esta rua
não foi o eco dos teus passos.
Tampouco a imagem de teu sorriso largo
refletida na vitrine de discos.
Nem mesmo a voz grave, como a tua,
que ouvi emergir da multidão.

O que me fez lembrar de ti
nesta calçada
não foi o vendedor de flores,
nem mesmo o casal de mãos entrelaçadas,
E menos ainda a porta em cuja frente
Me olhaste sem pudor.

O que me lançou ao rosto a tua lembrança
O que me fez recompor teu semblante
O que me obrigou a parar e a cerrar os olhos

foi o vento,
que desgrenhou meus cabelos.

Esse mesmo vento que dobrou a esquina
E, assim como tu,
Chegou
Moveu-me
E se foi.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Um Monet em casa!

Tão empolgada estou com o estudo dos grandes pintores franceses, que resolvi comprar umas tintas... E incentivar!

Olha aqui o meu Monet!

terça-feira, 27 de julho de 2010

Vivendo e, desta vez, aprendendo

Eu cheguei em casa na segunda e dei aquele abraço no meu filho... Tinha passado o dia fora, então, como já era noite, sentei-me direto no chão para brincar e para saber do seu dia.
E eis que ele, ao ver uma propaganda na televisão de fogõezinhos e panelinhas de brinquedo, me disse:
- Compra um pra mim, mamãe! Compra um fogãozinho pra mim fazer comida pra ti!
Aquilo causou-me espanto. Embora eu tenha dito "ah, que legal, tu vai fazer comida pra mim?", acabei despistando, falando sobre outra coisa.
Como eu fui estúpida.
Mesmo sem saber, estamos inundados de preconceitos. Foi uma situação ridícula aquela. Algo lá no meu inconsciente saltou sobre mim com aquela premissa de que meninos brincam com carrinhos e meninas brincam com panelinhas. A minha reação foi tão involuntária quanto preconceituosa.
Mas, ainda bem, meu raciocínio brilhou. E aí olhei para a minha cozinha de verdade: o Augusto estava copiando seu pai, que fazia a janta, para me ajudar nesta semana que está sendo árdua. Quando eu me dei conta disso, me senti envergonhada. Ainda bem que tive tempo de corrigir.
Então, disse para o Augusto:
- Filho, a mãe não tem como comprar uma cozinha de brinquedo pra ti agora, mas vamos fazer uma, então! Assim, tu também ajuda o papai e a mamãe.
Peguei caixa, tesoura, cola e canetinhas, e lá fomos nós. O fogãozinho teve direito até a portinha frontal para imitar o forno!
Depois de pronto, meu guri "fritou" umas pecinhas de montar, "assou" sua massinha de modelar, serviu minha jantinha e pronto. Guardou tudo e foi brincar de outra coisa. Tudo estava resolvido. A curiosidade dele, saciada. E, dessa vez, eu vivi e aprendi, ao contrário do título deste blog.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Navegar e renovar é preciso!

Arre, que coisa mais boa extrapolar o mundinho medíocre da política e da vida administrativa!
Acordar bem cedo, andar por lugares diferentes, assistir a um curso sobre arte moderna, conversar com uma amiga baita especial... Que coisa boa!
Esta semana, meus neurônios estarão em processo de renovação e sem direito a pedidos de "vista" processual, sem votos favoráveis ou contrários, sem projetos de lei, de resolução ou de decreto. Viva a conversa fiada, viva as informações novas, viva o descaminho e o saber!
Eu estava precisando... Mais um pouco e eu já estaria falando "seje", "isse", "sesse". Cruz credo!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Ainda

Eu ainda fico perplexa.

No fundo, isso é bom, sinal de que não estou enregelada, sinal de que meu olhar não ficou vítreo e de que eu ainda consigo ver, mais do que enxergar.

(a tal da tênue diferença entre "ver" e "enxergar" foi motivo de debate entre um colega meu e eu, esses dias. Para ele, que atua na área da informática, não há diferença. Talvez muitos outros achem o mesmo. Mas há. E muita.)

Mas, voltando ao assunto, eu ainda fico perplexa:

Com mesquinhez, com egoísmo, com estupidez - que ando vendo muito por aí - com menino de pé no chão, com casa destelhada pelo vento, com corrupção, com lagartixa sem rabo, com formiga no café, com calça que ficou apertada, com gente sem noção, com verso preso na garganta, com preço do leite, com computador travado, com notícia de assassinato, com dia de muito frio, com tamanho de fila, com sangue no dedo.

Eu ainda fico perplexa. Quisera não ficar, quisera ter visto tudo já. Mas não.

Convenço-me. Antes perplexa do que insensível.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Festival de Inverno de POA (hein????)

A fila era tão grande, tão grande, mas taããããããããããããão grande!
E olha que eu fui no primeiro dia e no primeiro horário de vendas!
O que aconteceu é que as pessoas estavam esperando, no mínimo, quatro horas para chegar ao guichê e comprar o ingresso para o show do Jorge Drexler. Eu até estava disposta a esperar, já estava há duas horas na fila, mas um cálculo matemático me fez desistir. Havia mais de 400 pessoas na minha frente e somente 430 ingressos disponíveis. Considerando que cada um poderia comprar até quatro ingressos, ah, fui embora.

Pô, e só três guichês para atender aquela multidão toda? Que desorganização, credo.

E vamos combinar que, pra montar um Festival como esse, deveria haver, no mínimo, boa estrutura de atendimento. E isso não houve nem nas inscrições para o curso, né, Lisi?

"A gente quer comida, diversão e arte", mas acho que a última parte está bem difícil.

Bom, o Jorge Drexler vai ficar pra outra vez. Que droga. Espero ainda conseguir vaga no curso.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Não entre

Não entre!

Porta aberta
não é convite,
é alerta.

Não entre!

O escuro
te esconde
e me revela.

Não entre!

Pela porta,
pelos olhos,
pelos sonhos.

Não entre.

Há risco de desmoronamento.