quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Poema

(Ney Matogrosso)

Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Vinte e Nove

(Legião Urbana)

Perdi vinte em vinte e nove amizades
Por conta de uma pedra em minhas mãos
Me embriaguei morrendo vinte e nove vezes
Estou aprendendo a viver sem você
(Já que você não me quer mais)

Passei vinte e nove meses num navio
E vinte e nove dias na prisão
E aos vinte e nove, com o retorno de Saturno
Decidi começar a viver.

Quando você deixou de me amar
Aprendi a perdoar
E a pedir perdão.
(E vinte e nove anjos me saudaram
E tive vinte e nove amigos outra vez)

***

Vinte e nove anos. Com um pezinho quase lá na minha terceira década de vida, comemoro estes meus vinte e nove anos agradecendo a Deus por tudo o que tenho e pelo que não tenho. Por tudo o que sou e pelo que gostaria de ser... (e gostaria de ser tanta coisa, e gostaria de viver tanta coisa...) Mas, enfim, agradeço por viver, o que já é um grande presente, sem sombra de dúvida.

E agradeço também cada pessoa que passou pela minha vida. Se foi, se ficou, isso não importa. O que importa é que, sem cada uma dessas gentes que conheci, ainda que por dois minutos ou vinte e nove anos, eu não seria eu mesma.

E agora chega de filosofia, o que eu quero é comemorar!!!

Iuuuuuuuuuuupppppppppppiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Cabine de gravação

Estou num lugar onisciente:
Vejo, mas não sou vista.

E não vejo nisso privilégio.

Porque desconfio que também
- para além da película que cobre o vidro -
Eu sinta.
Mas não seja sentida.