Hermana Duda
(Jorge Drexler)
No tengo a quién rezarle
pidiendo luz,
ando tanteando el espacio a ciegas
No me malinterpreten
no estoy quejándome,
soy jardinero de mis dilemas
Hermana duda,
pasarán los años,
cambiarán las modas,
vendrán otras guerras,
perderán los mismos
y ojalá que tú
sigas teniéndome a tiro,
pero esta noche,
hermana duda,
hermana duda,
dame un respiro.
No tengo a quién culpar
que no sea yo
con mi reguero de cabos sueltos
No me malinterpreten,
lo llevo bien,
o por lo menos hago el intento.
Hermana duda,
pasarán los discos,
subirán las aguas,
cambiarán las crisis,
pagarán los mismos
y ojalá que tú
sigas mordiendo mi lengua,
pero esta noche,
hermana duda,
hermana duda,
dame una tregua.
Hermana duda,
pasarán los años,
cambiarán las modas,
vendrán otras guerras,
perderán los mismos
y ojalá que tú
sigas teniéndome a tiro,
pero esta noche,
hermana duda,
sólo esta noche,
dame un respiro.
(Duda, pra quem não sabe, significa 'dúvida' em espanhol)
terça-feira, 23 de março de 2010
segunda-feira, 22 de março de 2010
Reflexos e reflexões sobre mim
(num dia em que estou completamente descrente e pessimista)
De vez em quando, eu reacesso, reacendo palavras já ditas, ouvidas, escritas, lidas. Funciona como um espelho: eu sempre me espanto.
***
Eu estou decretando falência à minha insistente mania de querer confiar cegamente nas pessoas. O que é lamentável, me deixa triste. Parece que é parte de minha juventude, de minha visão utópica sobre o mundo que acabo perdendo com essa nova postura.
***
No momento em que mais precisei, todos me olharam de cima de um pedestal. Todos. Mas, no final das contas, acho que fui eu que adotei esse jeito de ficar agachada e fazer parecer com que todos sejam mais altos do que eu.
***
Eu queria poder não me sentir tão apática, inerte. Por essa razão mesmo é que eu não me desespero com doenças e catástrofes, é que eu não brigo por injustiças, é que eu não jogo controles remotos na porta, é que eu não mando ninguém longe, nem reclamo, nem brigo, nem nada.
***
Num futuro próximo, reacessarei, reacenderei as palavras deste post. E me espantarei. (Tomara).
De vez em quando, eu reacesso, reacendo palavras já ditas, ouvidas, escritas, lidas. Funciona como um espelho: eu sempre me espanto.
***
Eu estou decretando falência à minha insistente mania de querer confiar cegamente nas pessoas. O que é lamentável, me deixa triste. Parece que é parte de minha juventude, de minha visão utópica sobre o mundo que acabo perdendo com essa nova postura.
***
No momento em que mais precisei, todos me olharam de cima de um pedestal. Todos. Mas, no final das contas, acho que fui eu que adotei esse jeito de ficar agachada e fazer parecer com que todos sejam mais altos do que eu.
***
Eu queria poder não me sentir tão apática, inerte. Por essa razão mesmo é que eu não me desespero com doenças e catástrofes, é que eu não brigo por injustiças, é que eu não jogo controles remotos na porta, é que eu não mando ninguém longe, nem reclamo, nem brigo, nem nada.
***
Num futuro próximo, reacessarei, reacenderei as palavras deste post. E me espantarei. (Tomara).
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Lição sobre lógica e sufixos
(protagonizada por Augusto, meu filho de dois anos, quase três)
- Mamãe, quem é o bananeiro?
- É quem vende bananas, filho.
(...) Os olhinhos vidraram. Olharam pra dentro, eu acho, tentando visualizar o raciocínio. Logo:
- Mamãe, quem vende ovos é o ovoeiro?
***
- Mamãe, o que os passarinhos tão fazendo?
(Era entardecer, os passarinhos voavam alucinados atrás dos insetos)
- Estão caçando mosquitinhos.
- Por quê?
- Porque é a jantinha deles, filho.
(...) Nova pausa. Os olhinhos vidraram de novo e, logo, a pergunta:
- Mamãe, depois os passarinhos vão tomar guaraná de mosquitinho?
- Mamãe, quem é o bananeiro?
- É quem vende bananas, filho.
(...) Os olhinhos vidraram. Olharam pra dentro, eu acho, tentando visualizar o raciocínio. Logo:
- Mamãe, quem vende ovos é o ovoeiro?
***
- Mamãe, o que os passarinhos tão fazendo?
(Era entardecer, os passarinhos voavam alucinados atrás dos insetos)
- Estão caçando mosquitinhos.
- Por quê?
- Porque é a jantinha deles, filho.
(...) Nova pausa. Os olhinhos vidraram de novo e, logo, a pergunta:
- Mamãe, depois os passarinhos vão tomar guaraná de mosquitinho?
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Ossos do ofício
Se você já leu qualquer livro de literatura estrangeira, de Dan Brown a Dostoiévski, pergunto: o que achou da tradução feita?
É uma pergunta difícil de ser respondida. A não ser que você conheça a obra no idioma original. Mas, de qualquer forma, é quase improvável que você tenha pensado de fato na mão do tradutor naquele livro ali. Geralmente, a gente pensa: o livro é bom, é ruim, o autor é bom, é ruim, gostei, ou não gostei. Ponto final. Mas, e se o autor for bom e a tradução for ruim? E se o livro de que você gostou tanto era “mais ou menos” e o tradutor fez um trabalho legal?
A minha preocupação com esse ofício não é novidade, não a atribuam ao fato de que, ora bolas, vou fazer o bacharelado em tradução e por isso comecei a pensar no assunto. Durante minha licenciatura em Letras, estudei o tema também. Li um livro fantástico, chamado “Memórias de Tradutora”, que me despertou a atenção para essa questão. A autora, Rosa Freire D’aguiar, dizia que o tradutor é como um vidro: se faz um trabalho bom, ninguém enxerga, ninguém comenta; se faz um trabalho ruim, é como se o vidro estivesse sujo, todo mundo sabe (ou pelo menos imagina) que houve algum problema. E a tradução é um trabalho árduo: é necessário, em tal ofício, muito mais do que dominar dois idiomas; é preciso conhecer muito bem o idioma para o qual se está vertendo a obra, pois não adianta nada saber o que significa tal expressão se não souber qual é a expressão que melhor corresponde no idioma para o qual se está traduzindo. E aí, queixa-se Rosa Freire: “Tanto trabalho, em troca de quê? Às vezes tenho a impressão de praticar uma atividade clandestina: o reconhecimento intelectual e social do tradutor, embora crescente, ainda é modesto; é raríssimo que alguém, já não digo elogie, mas comente o seu trabalho. Certos críticos e mesmo certos editores têm um desprezo olímpico pelos tradutores.”
Falo sobre isso também porque li, na Revista Bravo, um texto (escrito pelo Fabrício Carpinejar) sobre o autor e tradutor Mário Faustino, ao qual foi atribuída “a valorização da recriação na tradução”. Está mais do que óbvio, traduzir é um processo de recriação. Buscar saídas para aquelas palavras ou expressões que não têm tradução na nossa língua. Traduzir é a procura incessante de alternativas. Como exemplo, cito o título “The catcher in the rye”, que foi traduzido para o português como “O apanhador no campo de centeio”, do Salinger, que citei no post anterior. O tradutor teve um trabalho imenso para chegar a esse título, ainda mais considerando as exigências do próprio autor.
Bom, enfim, eu sei bem onde estou me metendo.
E você, que provavelmente nunca tinha parado pra pensar nesse assunto, pelo menos comece a procurar, a se informar, no mínimo, do nome de quem fez a tradução daquele livro estrangeiro que você tanto adorou. O tradutor agradece.
***
A propósito, por que raios eu fui inventar de fazer o bacharelado em tradução? Explico:
Meu pai, que é uruguaio assim como minha mãe e minha irmã, reclamou-me um dia:
- Tenho duas filhas formadas em Letras (minha irmã também é professora de literatura) e nenhuma delas quis dar continuidade ao legado da família. Têm a faca e o queijo na mão (no caso, falar espanhol, crescemos falando esse idioma em casa) e não aproveitam!
Pois é. Aproveitando meu gosto pela literatura latino-americana e levando em consideração a reclamação de meu pai, resolvi encarar.
Quando eu tiver esse diploma na mão, é a eles, a meus pais, que o dedicarei.
É uma pergunta difícil de ser respondida. A não ser que você conheça a obra no idioma original. Mas, de qualquer forma, é quase improvável que você tenha pensado de fato na mão do tradutor naquele livro ali. Geralmente, a gente pensa: o livro é bom, é ruim, o autor é bom, é ruim, gostei, ou não gostei. Ponto final. Mas, e se o autor for bom e a tradução for ruim? E se o livro de que você gostou tanto era “mais ou menos” e o tradutor fez um trabalho legal?
A minha preocupação com esse ofício não é novidade, não a atribuam ao fato de que, ora bolas, vou fazer o bacharelado em tradução e por isso comecei a pensar no assunto. Durante minha licenciatura em Letras, estudei o tema também. Li um livro fantástico, chamado “Memórias de Tradutora”, que me despertou a atenção para essa questão. A autora, Rosa Freire D’aguiar, dizia que o tradutor é como um vidro: se faz um trabalho bom, ninguém enxerga, ninguém comenta; se faz um trabalho ruim, é como se o vidro estivesse sujo, todo mundo sabe (ou pelo menos imagina) que houve algum problema. E a tradução é um trabalho árduo: é necessário, em tal ofício, muito mais do que dominar dois idiomas; é preciso conhecer muito bem o idioma para o qual se está vertendo a obra, pois não adianta nada saber o que significa tal expressão se não souber qual é a expressão que melhor corresponde no idioma para o qual se está traduzindo. E aí, queixa-se Rosa Freire: “Tanto trabalho, em troca de quê? Às vezes tenho a impressão de praticar uma atividade clandestina: o reconhecimento intelectual e social do tradutor, embora crescente, ainda é modesto; é raríssimo que alguém, já não digo elogie, mas comente o seu trabalho. Certos críticos e mesmo certos editores têm um desprezo olímpico pelos tradutores.”
Falo sobre isso também porque li, na Revista Bravo, um texto (escrito pelo Fabrício Carpinejar) sobre o autor e tradutor Mário Faustino, ao qual foi atribuída “a valorização da recriação na tradução”. Está mais do que óbvio, traduzir é um processo de recriação. Buscar saídas para aquelas palavras ou expressões que não têm tradução na nossa língua. Traduzir é a procura incessante de alternativas. Como exemplo, cito o título “The catcher in the rye”, que foi traduzido para o português como “O apanhador no campo de centeio”, do Salinger, que citei no post anterior. O tradutor teve um trabalho imenso para chegar a esse título, ainda mais considerando as exigências do próprio autor.
Bom, enfim, eu sei bem onde estou me metendo.
E você, que provavelmente nunca tinha parado pra pensar nesse assunto, pelo menos comece a procurar, a se informar, no mínimo, do nome de quem fez a tradução daquele livro estrangeiro que você tanto adorou. O tradutor agradece.
***
A propósito, por que raios eu fui inventar de fazer o bacharelado em tradução? Explico:
Meu pai, que é uruguaio assim como minha mãe e minha irmã, reclamou-me um dia:
- Tenho duas filhas formadas em Letras (minha irmã também é professora de literatura) e nenhuma delas quis dar continuidade ao legado da família. Têm a faca e o queijo na mão (no caso, falar espanhol, crescemos falando esse idioma em casa) e não aproveitam!
Pois é. Aproveitando meu gosto pela literatura latino-americana e levando em consideração a reclamação de meu pai, resolvi encarar.
Quando eu tiver esse diploma na mão, é a eles, a meus pais, que o dedicarei.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Por causa de Salinger
Salinger, o autor de "O apanhador no campo de centeio", deu seu último suspiro no final de janeiro agora. Confesso (com culpa, confesso) que não o conhecia, até ler reportagens sobre sua morte. E me encantei, tanto com as matérias, quanto com o autor. Fiquei sabendo, também, que ele deixara de publicar no longínquo ano de 1965 (acho que é isso, mas se não for exatamente esse ano, é por aí). Passou anos na reclusão, sem aparecer, sem publicar, sem dar entrevistas.
Não que alguma coisa tenha a ver com a outra, mas, enfim, fiquei pensando que eu não escrevo neste blog desde novembro, eu acho... Resolvi voltar. Deixei de escrever por descuido, talvez.
Peço desculpas aos meus leitores... (Depois de um período de silêncio, descobri que eles existem! Sim, alguém me lê! E fiquei feliz com isso)
Bom, feita a introdução, vamos às atualizações:
"Quarto sem janelas", meu livro de poemas lançado em outubro do ano passado, está à venda. Quem quiser, tenho exemplares comigo, é só me contatar pelo meu email teresabam@gmail.com
2010 começa com uma boa notícia:
Resolvi que ia prestar vestibular na UFRGS, e... passei! Farei o Bacharelado em Letras - Espanhol, vou me habilitar como tradutora. Lá vou eu em busca de mais um diploma...
Li coisas bastante interessantes... Eça, Machado, Ligia Fagundes Telles, Ondjaki, descobri muita coisa legal.
E voltei a escrever.
Acho que já tá bom, né?
Inté mais.
Não que alguma coisa tenha a ver com a outra, mas, enfim, fiquei pensando que eu não escrevo neste blog desde novembro, eu acho... Resolvi voltar. Deixei de escrever por descuido, talvez.
Peço desculpas aos meus leitores... (Depois de um período de silêncio, descobri que eles existem! Sim, alguém me lê! E fiquei feliz com isso)
Bom, feita a introdução, vamos às atualizações:
"Quarto sem janelas", meu livro de poemas lançado em outubro do ano passado, está à venda. Quem quiser, tenho exemplares comigo, é só me contatar pelo meu email teresabam@gmail.com
2010 começa com uma boa notícia:
Resolvi que ia prestar vestibular na UFRGS, e... passei! Farei o Bacharelado em Letras - Espanhol, vou me habilitar como tradutora. Lá vou eu em busca de mais um diploma...
Li coisas bastante interessantes... Eça, Machado, Ligia Fagundes Telles, Ondjaki, descobri muita coisa legal.
E voltei a escrever.
Acho que já tá bom, né?
Inté mais.
Por onde andei
Fiz silêncio em dias de chuva
E quando houve vento,
lancei sussurros
Tive ternura
Pressa
Medo
Quis que a Terra parasse de girar
E, um dia, meus olhos refletiram
os fogos de artifício estourando no céu
Senti amor
sede
preguiça
Ultrapassei alguns sinais vermelhos
Corri perigo
Suspirei de alívio ao chegar
E de tudo que fiz
não importa o quando, o onde, o como
simplesmente
vivi.
E quando houve vento,
lancei sussurros
Tive ternura
Pressa
Medo
Quis que a Terra parasse de girar
E, um dia, meus olhos refletiram
os fogos de artifício estourando no céu
Senti amor
sede
preguiça
Ultrapassei alguns sinais vermelhos
Corri perigo
Suspirei de alívio ao chegar
E de tudo que fiz
não importa o quando, o onde, o como
simplesmente
vivi.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Só
Às vezes me sinto só, estranhamente só. Uma solidão repleta de presenças, de vozes, de assombros. Uma solidão forjada pela minha própria capacidade de concentração, de distanciamento. Estão todos ali presentes, inclusive meu corpo, mas eu imergi num abismo de lembranças, de vontades, de tentativas ilusórias.
Eu invento redomas, muitas. Para ficar, de fora, imaginando como eu me comportaria dentro de cada uma delas.
Eu invento redomas, muitas. Para ficar, de fora, imaginando como eu me comportaria dentro de cada uma delas.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
(Re) descobertas
Tão bom quanto descobrir novos ambientes, novas pessoas, novas sensações, são as redescobertas.
Numa outra acepção possível da palavra: re-des-cobrir. Tirar a coberta de novo. Coberta essa que vamos tecendo com as mais complexas linhas de rotina (o que pode ser um paradoxo, complexidade e rotina) mas é isso, enfim, o que fazemos conosco. Quando vemos, estamos escondidos de nós mesmos.
É possível redescobrir-se num pacote de pipoca doce. Num copo de cerveja com coca-cola. Num livro odiado na adolescência e relido com prazer. Numa rua por onde sempre andamos, mas num certo dia, a trilhamos para ir a outro destino.
O poder está em nós mesmos, não nos outros. Mas a gente, às vezes, não aprende isso tão facilmente...
Numa outra acepção possível da palavra: re-des-cobrir. Tirar a coberta de novo. Coberta essa que vamos tecendo com as mais complexas linhas de rotina (o que pode ser um paradoxo, complexidade e rotina) mas é isso, enfim, o que fazemos conosco. Quando vemos, estamos escondidos de nós mesmos.
É possível redescobrir-se num pacote de pipoca doce. Num copo de cerveja com coca-cola. Num livro odiado na adolescência e relido com prazer. Numa rua por onde sempre andamos, mas num certo dia, a trilhamos para ir a outro destino.
O poder está em nós mesmos, não nos outros. Mas a gente, às vezes, não aprende isso tão facilmente...
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Aniversário
Ficar mais velhinha tem lá seus contraditórios, pode ser bom ou ruim, dependendo do lado que se analisa.
Eu fiquei mais velhinha e, este ano, meu aniversário está sendo um dia muito diferente. Mas, independente de qualquer coisa, eu adoooro comemorar. Ser abraçada é muito bom. Mesmo que virtualmente, como muitos que não puderam me ver...
Ter amigos, ter uma família linda, ter bons colegas é a melhor coisa do mundo. É chavão, eu sei, mas a gente insiste em esquecer disso. Eu insisto, às vezes, sem preceber. E que datas como as de hoje sirvam para me (nos) lembrar desse detalhe.
E, pra resumir tudo, concluo:
Estou feliz!!!
Eu fiquei mais velhinha e, este ano, meu aniversário está sendo um dia muito diferente. Mas, independente de qualquer coisa, eu adoooro comemorar. Ser abraçada é muito bom. Mesmo que virtualmente, como muitos que não puderam me ver...
Ter amigos, ter uma família linda, ter bons colegas é a melhor coisa do mundo. É chavão, eu sei, mas a gente insiste em esquecer disso. Eu insisto, às vezes, sem preceber. E que datas como as de hoje sirvam para me (nos) lembrar desse detalhe.
E, pra resumir tudo, concluo:
Estou feliz!!!
sábado, 24 de outubro de 2009
Exausta
Em homenagem aos últimos dias, que têm sido árduos...
Exausto
Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.
(Adélia Prado).
Exausto
Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.
(Adélia Prado).
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Pouca vogal é tudo de bom...
TENTENTENDER
Humberto Gessinger / Duca Leindecker
se eu disser que vi rastejar
a sombra do avião
feito cobra no chão
tent'entender minha alegria:
a sombra mostrou o que a luz escondia
se eu quiser ser mais direto
vou me perder
melhor deixar quieto
tent’entender, tent’enxergar
o meu olhar pela janela do avião
que amor era esse que não saiu do chão?
não saiu do lugar só fez rastejar o coração
se eu disser
que tive na mão a bola do jogo
não acredite
tent’entender minha ironia
se eu disser que já sabia
o jogo acabou de repente
o céu desabou sobre a gente
tent'entender: quero abrigo
e não consigo ser mais direto
que amor era esse que não saiu do chão?
não saiu do lugar só fez rastejar o coração
Humberto Gessinger / Duca Leindecker
se eu disser que vi rastejar
a sombra do avião
feito cobra no chão
tent'entender minha alegria:
a sombra mostrou o que a luz escondia
se eu quiser ser mais direto
vou me perder
melhor deixar quieto
tent’entender, tent’enxergar
o meu olhar pela janela do avião
que amor era esse que não saiu do chão?
não saiu do lugar só fez rastejar o coração
se eu disser
que tive na mão a bola do jogo
não acredite
tent’entender minha ironia
se eu disser que já sabia
o jogo acabou de repente
o céu desabou sobre a gente
tent'entender: quero abrigo
e não consigo ser mais direto
que amor era esse que não saiu do chão?
não saiu do lugar só fez rastejar o coração
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
domingo, 18 de outubro de 2009
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Eu e o Patrono da Feira de Gravataí
domingo, 4 de outubro de 2009
Deixa Eu me Perder
Vitor Ramil
Composição: Vitor Ramil e André Gomes
Deixa eu me perder
Pequeno mundo meu
Menos que esquecer
Ficar dizendo coisas
Que não me vêm
Ontem eu sumi
Parece estranho, eu sei
Mas escureceu
Pequeno mundo meu
Eu anoiteci
Perdido dentro da paisagem
O carro leva minha imagem
Não acho o que me dizer
Não sei o que quero achar
No rádio essa voz me diz
Que a vida é o melhor lugar
Pode ser
Tudo que eu segui
Viaja atrás de mim
Coisas, quando vêm
São coisas que se vão
Sem eu perceber
Amanhã também
Parece estranho, eu sei
Mas eu vou sair
Pequeno mundo meu
Deixa eu me perder
Perdido dentro da paisagem
O carro leva minha imagem
Não acho o que me dizer
Não sei o que quero achar
No rádio essa voz me diz
Que a vida é o melhor lugar
Pode ser
Deixa eu me perder
Composição: Vitor Ramil e André Gomes
Deixa eu me perder
Pequeno mundo meu
Menos que esquecer
Ficar dizendo coisas
Que não me vêm
Ontem eu sumi
Parece estranho, eu sei
Mas escureceu
Pequeno mundo meu
Eu anoiteci
Perdido dentro da paisagem
O carro leva minha imagem
Não acho o que me dizer
Não sei o que quero achar
No rádio essa voz me diz
Que a vida é o melhor lugar
Pode ser
Tudo que eu segui
Viaja atrás de mim
Coisas, quando vêm
São coisas que se vão
Sem eu perceber
Amanhã também
Parece estranho, eu sei
Mas eu vou sair
Pequeno mundo meu
Deixa eu me perder
Perdido dentro da paisagem
O carro leva minha imagem
Não acho o que me dizer
Não sei o que quero achar
No rádio essa voz me diz
Que a vida é o melhor lugar
Pode ser
Deixa eu me perder
sábado, 3 de outubro de 2009
Quarto sem janelas
Hoje, na Feira do Livro de Gravataí, às 15 horas, lançarei meu primeiro livro próprio, intitulado "Quarto sem janelas". Um pocket com trinta poemas, feito no susto.
Alguns me perguntarão: como assim? Vai lançar o primeiro livro próprio e não falou nada pra ninguém? Mas como?
Falei para poucos. Não sei se por vergonha (volta aquela sensação de ter cometido um crime, expor minhas palavras, que são tudo o que tenho de tão meu...) ou por tédio, ou, talvez, por esquecimento.
O fato é que, mesmo que eu proíba a entrada desde o título (avisando que é um quarto sem janelas) todos os que lá aparecerem adentrarão no mundo dos meus versos e os descortinarão.
Sintam-se todos convidados, embora o adiantado da hora.
Alguns me perguntarão: como assim? Vai lançar o primeiro livro próprio e não falou nada pra ninguém? Mas como?
Falei para poucos. Não sei se por vergonha (volta aquela sensação de ter cometido um crime, expor minhas palavras, que são tudo o que tenho de tão meu...) ou por tédio, ou, talvez, por esquecimento.
O fato é que, mesmo que eu proíba a entrada desde o título (avisando que é um quarto sem janelas) todos os que lá aparecerem adentrarão no mundo dos meus versos e os descortinarão.
Sintam-se todos convidados, embora o adiantado da hora.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Escárnio
No final das contas,
quem pediu um sorriso, não o fez por merecer.
A quem merecia, não pude dá-lo.
E quem o tinha, colocou-o fora,
transformou-o em lágrima.
Tem gente que diz que a vida é feita de escolhas.
Eu digo que é feita de não-escolhas.
De escárnio, melhor dizendo.
É isso aí.
quem pediu um sorriso, não o fez por merecer.
A quem merecia, não pude dá-lo.
E quem o tinha, colocou-o fora,
transformou-o em lágrima.
Tem gente que diz que a vida é feita de escolhas.
Eu digo que é feita de não-escolhas.
De escárnio, melhor dizendo.
É isso aí.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
O lugar
Guantánamo
Engenheiros do Hawaii
Composição: Gessinger/fonseca/ayala/aranha/pedro A.
Quem foi que disse "te quero"?
Qual era mesmo a canção?
Quem viu a cor do dinheiro?
Qual a melhor tradução?
Quem foi ao rio de janeiro?
Qual era a intenção?
Qual foi o dia e a hora?
Quem foi embora... adeus
- Me tira daqui
- Não adianta gritar
- Me ajuda a fugir
- Ninguém vai escutar
Não agüento mais... eu não sei a resposta
Não agüento mais... eu não sei a resposta
Quem sabe o que vem primeiro?
Quem sabe o que vem depois?
Quem cabe no mundo inteiro?
Quem mais além de nós dois?
Quem chama ao telefone?
Por que não bate na porta?
Que chama arde teu nome?
Será que alguém se importa?
- Me tira daqui
- Não adianta gritar
- Me ajuda a fugir
- Ninguém vai escutar
Não agüento mais... eu não sei a resposta
Não agüento mais... eu não sei a resposta
Qual é a droga que salva?
Qual é a dose letal?
Quem quer saber tudo isso
Será que agüenta a pressão?
Eu não sei a resposta
Eu não sei a resposta
Não agüento mais... eu não sei a resposta
Não agüento mais... eu não sei a resposta
Engenheiros do Hawaii
Composição: Gessinger/fonseca/ayala/aranha/pedro A.
Quem foi que disse "te quero"?
Qual era mesmo a canção?
Quem viu a cor do dinheiro?
Qual a melhor tradução?
Quem foi ao rio de janeiro?
Qual era a intenção?
Qual foi o dia e a hora?
Quem foi embora... adeus
- Me tira daqui
- Não adianta gritar
- Me ajuda a fugir
- Ninguém vai escutar
Não agüento mais... eu não sei a resposta
Não agüento mais... eu não sei a resposta
Quem sabe o que vem primeiro?
Quem sabe o que vem depois?
Quem cabe no mundo inteiro?
Quem mais além de nós dois?
Quem chama ao telefone?
Por que não bate na porta?
Que chama arde teu nome?
Será que alguém se importa?
- Me tira daqui
- Não adianta gritar
- Me ajuda a fugir
- Ninguém vai escutar
Não agüento mais... eu não sei a resposta
Não agüento mais... eu não sei a resposta
Qual é a droga que salva?
Qual é a dose letal?
Quem quer saber tudo isso
Será que agüenta a pressão?
Eu não sei a resposta
Eu não sei a resposta
Não agüento mais... eu não sei a resposta
Não agüento mais... eu não sei a resposta
terça-feira, 28 de julho de 2009
Chinelinhos
Estando no pé de uma jovem moça, na praia de Copacabana, eles seriam de marca, com estilo e muito caros.
No outdoor à beira da avenida movimentada, seriam estímulo à compra ou anúncio de tendência para o verão.
Na porta da casa, à espera dos pés de seu dono, transformar-se-iam em convite ao aconchego.
Sob a cama, ao lado de outro par, uma confissão de cumplicidade.
Mas não foi em nenhum desses lugares que os vi.
Os chinelinhos de tiras pretas estavam sustentando os pés de um menino magrinho, de bermuda, que corria pelo meio da rua. Era um dia de inverno, frio. Fora do ônibus onde eu estava, fazia uns cinco graus.
Eu senti vergonha das minhas meias. Foi o único que pude fazer, pelo menos naquele momento.
No outdoor à beira da avenida movimentada, seriam estímulo à compra ou anúncio de tendência para o verão.
Na porta da casa, à espera dos pés de seu dono, transformar-se-iam em convite ao aconchego.
Sob a cama, ao lado de outro par, uma confissão de cumplicidade.
Mas não foi em nenhum desses lugares que os vi.
Os chinelinhos de tiras pretas estavam sustentando os pés de um menino magrinho, de bermuda, que corria pelo meio da rua. Era um dia de inverno, frio. Fora do ônibus onde eu estava, fazia uns cinco graus.
Eu senti vergonha das minhas meias. Foi o único que pude fazer, pelo menos naquele momento.
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