segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Escárnio

No final das contas,
quem pediu um sorriso, não o fez por merecer.
A quem merecia, não pude dá-lo.
E quem o tinha, colocou-o fora,
transformou-o em lágrima.

Tem gente que diz que a vida é feita de escolhas.
Eu digo que é feita de não-escolhas.
De escárnio, melhor dizendo.

É isso aí.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O lugar

Guantánamo

Engenheiros do Hawaii
Composição: Gessinger/fonseca/ayala/aranha/pedro A.

Quem foi que disse "te quero"?
Qual era mesmo a canção?
Quem viu a cor do dinheiro?
Qual a melhor tradução?
Quem foi ao rio de janeiro?
Qual era a intenção?
Qual foi o dia e a hora?
Quem foi embora... adeus

- Me tira daqui
- Não adianta gritar
- Me ajuda a fugir
- Ninguém vai escutar

Não agüento mais... eu não sei a resposta
Não agüento mais... eu não sei a resposta

Quem sabe o que vem primeiro?
Quem sabe o que vem depois?
Quem cabe no mundo inteiro?
Quem mais além de nós dois?
Quem chama ao telefone?
Por que não bate na porta?
Que chama arde teu nome?
Será que alguém se importa?

- Me tira daqui
- Não adianta gritar
- Me ajuda a fugir
- Ninguém vai escutar

Não agüento mais... eu não sei a resposta
Não agüento mais... eu não sei a resposta

Qual é a droga que salva?
Qual é a dose letal?
Quem quer saber tudo isso
Será que agüenta a pressão?

Eu não sei a resposta
Eu não sei a resposta

Não agüento mais... eu não sei a resposta
Não agüento mais... eu não sei a resposta

terça-feira, 28 de julho de 2009

Chinelinhos

Estando no pé de uma jovem moça, na praia de Copacabana, eles seriam de marca, com estilo e muito caros.
No outdoor à beira da avenida movimentada, seriam estímulo à compra ou anúncio de tendência para o verão.
Na porta da casa, à espera dos pés de seu dono, transformar-se-iam em convite ao aconchego.
Sob a cama, ao lado de outro par, uma confissão de cumplicidade.

Mas não foi em nenhum desses lugares que os vi.

Os chinelinhos de tiras pretas estavam sustentando os pés de um menino magrinho, de bermuda, que corria pelo meio da rua. Era um dia de inverno, frio. Fora do ônibus onde eu estava, fazia uns cinco graus.

Eu senti vergonha das minhas meias. Foi o único que pude fazer, pelo menos naquele momento.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Ciladas

E aquelas palavras
de ontem
tornaram-se ciladas

"Nunca vou ser como minha mãe
Jamais comerei melancia
Meu filho não chupará bico
Eu nunca me acomodarei
Deixar de ouvir rock? Jamais!
E nem cortarei meus cabelos muito curtos...
Não terei dias tristes
Dispensarei sempre o agasalho a mais
E nunca vou gostar de tomar café."

É, aquelas palavras de ontem
não me aprisionaram,
mas me fizeram emboscadas.

E eu retomo o verbo
trituro, reciclo
faço novas promessas
e amanhã penso
Em como me salvar.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Tem mais? Tem sim, senhor!

Senhoras e senhores!
Hoje é dia do super, hiper, mega bonito ficar um dia mais "experiente"!
Manoo, parabéns pelo teu niver!
E obrigada por ter me carregado no colo, por ter aturado minhas chatices de caçula, por ser meu conselheiro, meu parceiro de alegrias e tristezas, por seu meu irmão tão querido!
Te amo!

***

Ontem correu tudo bem na minha micro-cirugia (sei lá se está certo esse hífen). Depois de alguns dias de apreensão e de silêncio, posso voltar a poetar.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Mês de festa!

Julho é mês de festa!

Maria Fê, parabéns pelo teu niverrrrr!
Duli, pra você também, parabéns!!!

Ô gente que gosta de fazer aniversário todo ano, hein!

E vou aproveitar e mandar beijos pra todos, para os que estão e para os que não estão de aniver!

Smack

terça-feira, 7 de julho de 2009

Retratação

Tudo bem que a correria é implacável, que a gente se perde em meio a tantas tarefas, que a vida vai passando e a gente nem se dá conta.

Mas esquecer o aniversário de amigos queridos não dá! Não dá!

Rafa, meu pedido público de desculpas aqui, viu... Feliz aniversário e muitíssimas felicidades!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

quinta-feira, 25 de junho de 2009

A tal da melancolia

Acusaram-me de melancólica, esta semana.
Talvez devesse participar daquele evento que anunciaste em teu blog, Lisi!
Mas é muito mais profundo do que isso.
Tão profundo que eu nem saberia explicar...
Pode ser trabalho demais, amor de menos, paciência no limite, saudades, ouvido cansado, cabelo não-cortado, falta de ferro no sangue, céu cinzento, sapato que aperta, jogo perdido, esperança frustrada de voar, picada de mosquito, dor de dente, fim de um livro lido, tesoura sem fio, rua esburacada, sinaleira piscante, preço do quilo de batata, caderno em branco, memória viva, telefone sem bateria,

ah, sei lá.

Votem a causa mais provável e me digam depois. Porque eu, sinceramente, não saberia precisar.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

América Central

(essa é pra quem entende um pouquinho de espanhol)

Yo salgo de Guatemala
Y entro en Guate peor.

Humpf!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Acontece comigo

- Quer ajuda?

Por que só me perguntam isso quando estou terminando de fazer alguma coisa?????????????

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Partida

Falta vento
nas cortinas azuis da janela
da sala

Não há vaso
sob as flores agora murchas
da mesa

O controle remoto
busca em desespero
a tevê

Há cansaço profundo
na porta
que não se abre

A casa não era mais engraçada
Ela tinha teto
E mais nada.


(um pouco triste, eu sei, para um fim de semana, mas vamos lá)

terça-feira, 9 de junho de 2009

(Re) Verso

A luz tá desligada.
Eu tenho medo de escuro.
Tem um monstro debaixo da minha cama.
Eu tenho medo de monstros!!!
Tá todo mundo dormindo.
Só eu de olhos abertos.
Tá chovendo.
Será que vai dar trovão?
Me tapo com o cobertor até a cabeça.
Acho que ouvi um barulho.
Vou lá dormir entre eles!

... ... ... ...
(passos curtos, de meia, no chão, não fazem barulho)

Peço um canto pro Urso Teddy e sussurro bem baixinho: filho, posso dormir contigo, segurando tua mão?

(Ele se vira de lado, segura minha orelha e suspira)

E tudo fica bem.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

O dia que eu apaguei (por antecipação) do calendário

Cena 1:

- Alô?
- Oi, Tere, sou eu, a Adri! To te esperando, que horas tu vai chegar?
- Chegar aonde?
- Ué, tu não disse que vinha almoçar aqui em casa hoje?
- !!!!!!!

***

Cena 2:

(quinze minutos depois da Cena 1)

- Alô, Ana, é a Tere, que horas tu vai chegar hoje, pra ficar com o Augusto?
- Ué, não tínhamos combinado que tu ia me dar folga hoje?
- !!!!!!!

***

Cena 3:

(final de expediente)

- Tchau, to indo embora, até amanhã.
- Ô Teresa, tu esqueceu que hoje tem evento à noite e que tu vai ter que trabalhar até as dez da noite?
- !!!!!!!

***

É, tem dias que a gente deveria apagar do calendário. Ou então, verificar se a cabeça está bem grudada no pescoço, que é pra não esquecê-la também.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Reflexões, inutilidades e palavras

Dizem que, para ser um escritor, é preciso observar o mundo. Eu olho. Mas eu fixo minha atenção no que me rodeia da mesma forma como se tenta observar uma mosca grudada na hélice de um ventilador em movimento.

Olhar para dentro não me é muito diferente. São tantos mundos dentro de mim, o que tenho e os que quero, que os olhar de forma linear é tão pouco plausível quanto manter uma taça intacta sobre a estante num dia de terremoto.

No fundo, no fundo, eu queria justificar a minha completa inaptidão para a escrita. Pensei nisso hoje de manhã, ao segurar um açucareiro cheio de formigas e ao me assombrar por não tê-las visto antes ali. Nâo que uma coisa se relacione à outra, mas, enfim, me ocorreu a ideia de que não sou nada observadora. E lembrei-me da voz de um excelente escritor sentenciando-me: não se pode ser escritor sem ser observador.

E aí, fica a pergunta: quem tem razão?

Não tenho resposta. Tenho taças, terremotos, moscas e ventiladores. E, vez por outra, faço todos esses conviverem em alguma coisa que escrevo por aí. Acho que nisso reside, não o segredo da escrita, mas o segredo da vida. E desvendar esse mesmo mistério, todos os dias, é a tarefa árdua que nos cabe, sendo observadores, escritores, leitores, ou não.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Essencialmente metafórica

Milan Kundera já disse, uma vez, para ter cuidado com as metáforas. "Pois o amor pode nascer de uma simples metáfora."

Bem, se ele assim nasceu, pois que assim continue vivo. Com todos os seus ressignificados.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Homenagem

Alguien

Alguien limpia la celda
de la tortura
que no quede la sangre
ni la amargura

alguien pone en los muros
el nombre de ella
ya no cabe en la noche
ninguna estrella

alguien limpia su rabia
con un consejo
y la deja brillante
como un espejo

alguien piensa hasta cuando
alguien camina
suenan lejos las risas
una bocina
y un gallo que propone
su canto en hora
mientras sube la angustia
la voladora

alguien piensa en afuera
que allá no hay plazo
piensa en niños de vida
y en un abrazo

alguien quiso ser justo
no tuvo suerte
es difícil la lucha
contra la muerte

alguien limpia la celda
de la tortura
lava la sangre pero
no la amargura.

Mario Benedetti

***

Fica aqui minha homenagem a Don Mario, autor uruguaio, falecido no domingo retrasado.
Um perda incomensurável para quem aprecia a literaruta, especialmente a latino-americana.

Quem quiser, pode clicar aqui e ler o que escreveu Saramago, a seu grande amigo.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Como água em terra seca
esvaí-me
por cansaço

Exausta
de correr leito
de ser perene
de levar pedras em mim

Umedeci a raiz
Tornei-me entranha
Nasci galho
estanque

Que as aves me
pousem
E eu
repouse
sobre a terra em que
imergi.

Teresa Azambuya

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Ponto de vista

No lugar de estrelas,
luzes de postes

Em vez de céu,
vidro fumê.

(Preciso sair correndo daqui)

Teresa Azambuya

terça-feira, 19 de maio de 2009

Excesso de afazeres + escassez de ócio = ausência de palavras.

"Sem ócio, não póssio!"

Me desculpem, voltarei.