Amo vocês!
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Comemoração
Presto aqui uma homenagem aos meus pais que, no último sábado, dia 19, completaram 41 anos de casamento. Um ato de bravura e, claro, de amor.

Amo vocês!
Amo vocês!
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Arde
O dia arde
pela ausência da noite
A pele arde
pela ausência do toque
A chama arde
pela ausência da água
A boca arde
pela ausência do gosto
E de tanto arder
Tornei-me ausente de mim mesma
Até que cheguem
a noite
o toque
a água
e o gosto.
Teresa Azambuya.
(poema escrito em 2008 e reencontrado, por acaso)
pela ausência da noite
A pele arde
pela ausência do toque
A chama arde
pela ausência da água
A boca arde
pela ausência do gosto
E de tanto arder
Tornei-me ausente de mim mesma
Até que cheguem
a noite
o toque
a água
e o gosto.
Teresa Azambuya.
(poema escrito em 2008 e reencontrado, por acaso)
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Mito da Caverna (ou: es-tú-pi-da)
Desculpem-me os amigos filósofos, se eu falar alguma asneira.
Mas quando aprendi o Mito da Caverna, do Platão, era assim: os seres humanos estão presos em uma caverna, de costas para a entrada, e só veem a sombra de um mundo ideal, para o qual as pessoas que buscam se aproximar da sabedoria vão se voltando aos poucos. Somente alguns conseguem sair, os mais iluminados.
Eu, às vezes, me vejo nessa caverna.
Lá no fundo, de encontro à parede, e chorando no cantinho.
Mas quando aprendi o Mito da Caverna, do Platão, era assim: os seres humanos estão presos em uma caverna, de costas para a entrada, e só veem a sombra de um mundo ideal, para o qual as pessoas que buscam se aproximar da sabedoria vão se voltando aos poucos. Somente alguns conseguem sair, os mais iluminados.
Eu, às vezes, me vejo nessa caverna.
Lá no fundo, de encontro à parede, e chorando no cantinho.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Confesso
Desde minha adolescência, eu olho o Edward Mãos de Tesoura e chooooooooro
(como aconteceu domingo passado)

Ter tesouras no lugar de mãos. Que imagem mais cheia de sentidos...
A expressividade do protagonista também é algo a se destacar. Ao todo, ele fala 159 palavras no filme, conforme o que disseram no documentário a respeito da obra. O resto é pura expressão, que é o que acaba tornando o filme singelo e, ao mesmo tempo, emocionante.
***
O filme me fez lembrar dos equipamentos de última geração que tínhamos nos anos 90: os videocassetes de duas ou de quatro cabeças! Uau! Meu pai comprou um vídeo de duas cabeças, e era bão!
E, pra terminar, não esqueça: rebobine a fita após o uso!
(como aconteceu domingo passado)

Ter tesouras no lugar de mãos. Que imagem mais cheia de sentidos...
A expressividade do protagonista também é algo a se destacar. Ao todo, ele fala 159 palavras no filme, conforme o que disseram no documentário a respeito da obra. O resto é pura expressão, que é o que acaba tornando o filme singelo e, ao mesmo tempo, emocionante.
***
O filme me fez lembrar dos equipamentos de última geração que tínhamos nos anos 90: os videocassetes de duas ou de quatro cabeças! Uau! Meu pai comprou um vídeo de duas cabeças, e era bão!
E, pra terminar, não esqueça: rebobine a fita após o uso!
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Sobre o medo de monstros
Em noites mal dormidas
fico à espreita,
esperando o monstro surgir debaixo da cama.
Escuto um estalo no teto,
o cachorro uiva na rua e
eu aperto os olhos e espero...
Espero...
Espero...
Enquanto pressinto a mão maldita,
o rugido,
o assovio
Fico a pensar em cada leão que enfrentei durante o dia
e nos fantasmas que vão e voltam
e nos planos que não se materializam
e nas mãos trêmulas
e na garganta seca
e no nó das minhas ideias.
Passam-se muitas horas
e eu levanto-me, espreitando o monstro.
Ligo a luz
Olho no espelho
E não me reconheço.
O monstro sou eu.
fico à espreita,
esperando o monstro surgir debaixo da cama.
Escuto um estalo no teto,
o cachorro uiva na rua e
eu aperto os olhos e espero...
Espero...
Espero...
Enquanto pressinto a mão maldita,
o rugido,
o assovio
Fico a pensar em cada leão que enfrentei durante o dia
e nos fantasmas que vão e voltam
e nos planos que não se materializam
e nas mãos trêmulas
e na garganta seca
e no nó das minhas ideias.
Passam-se muitas horas
e eu levanto-me, espreitando o monstro.
Ligo a luz
Olho no espelho
E não me reconheço.
O monstro sou eu.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Quase sem querer
Eu olhei para ele, ali jogado num canto. E deu-me uma vontade imensa de tocá-lo.
Há muito tempo que eu não tocava violão. E comecei a formar os acordes, fazer um compasso, relembrar. E, então, a primeira música que me veio à cabeça foi esta, "quase sem querer". (a primeira que eu aprendi a tocar)
Quase Sem Querer
Legião Urbana
Composição: Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Renato Rocha
Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso,
Só que agora é diferente:
Estou tão tranqüilo e tão contente.
Quantas chances desperdicei,
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém?!...
Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia.
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira,
Mas não sou mais
Tão criança a ponto de saber tudo.
Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.
Tão correto e tão bonito;
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos!
Sei que, às vezes, uso
Palavras repetidas,
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?
Me disseram que você
Estava chorando
E foi então que eu percebi
Como lhe quero tanto.
Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu quero o mesmo que você.
***
O som serviu para relembrar. A letra serviu para pensar e para traduzir a alma.
Há muito tempo que eu não tocava violão. E comecei a formar os acordes, fazer um compasso, relembrar. E, então, a primeira música que me veio à cabeça foi esta, "quase sem querer". (a primeira que eu aprendi a tocar)
Quase Sem Querer
Legião Urbana
Composição: Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Renato Rocha
Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso,
Só que agora é diferente:
Estou tão tranqüilo e tão contente.
Quantas chances desperdicei,
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém?!...
Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia.
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira,
Mas não sou mais
Tão criança a ponto de saber tudo.
Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.
Tão correto e tão bonito;
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos!
Sei que, às vezes, uso
Palavras repetidas,
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?
Me disseram que você
Estava chorando
E foi então que eu percebi
Como lhe quero tanto.
Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu quero o mesmo que você.
***
O som serviu para relembrar. A letra serviu para pensar e para traduzir a alma.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Start
O mar, ah, o mar... Como me faz bem...
Estive em férias, desligada de internet, telefone e de sinais de fumaça também. Para me encontrar, mais fácil seria largar uma garrafa ao mar, com um bilhete dentro.
Peço desculpas pela ausência, pelos emails e mensagens não respondidas, enfim.
O ano começou mesmo somente hoje para mim e espero que seja bom. Os planos, pelo menos, são audaciosos.
Bem-vindo, 2011!
Estive em férias, desligada de internet, telefone e de sinais de fumaça também. Para me encontrar, mais fácil seria largar uma garrafa ao mar, com um bilhete dentro.
Peço desculpas pela ausência, pelos emails e mensagens não respondidas, enfim.
O ano começou mesmo somente hoje para mim e espero que seja bom. Os planos, pelo menos, são audaciosos.
Bem-vindo, 2011!
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Perdendo as cascas
O Augusto tomou muito sol nesses últimos dias. Aí, eu estava sentada ao lado dele quando perguntei:
- Filho! Tu está descascando, olha só teu rostinho todo branco!
- Eu to morrendo, mamãe?
- Rsrs, não, filho, tu não tá morrendo.
- Mas por que então eu estou perdendo as minhas cascas?
- Filho! Tu está descascando, olha só teu rostinho todo branco!
- Eu to morrendo, mamãe?
- Rsrs, não, filho, tu não tá morrendo.
- Mas por que então eu estou perdendo as minhas cascas?
domingo, 2 de janeiro de 2011
Pra começar 2011
Pra começar 2011, vamos em tom de conversa jogada fora... Afinal, eu ainda não tirei férias, mas estou em ritmo de janeiro, bem devagar.
***
Assisti ao discurso feito pela Presidenta Dilma, quando assumiu seu cargo perante o Congresso Nacional. Das muitas frases ditas, a que eu destaco foi aquela em que ela afirmou a necessidade de "que os professores sejam reconhecidos como as verdadeiras autoridades da educação." O comentarista Alexandre Garcia destacou a mesma frase posteriormente a mim, e acrescentou que muita gente quer ser autoridade na educação: burocratas, pais, entre outros.
Ai, eu sei que é discurso de político. Eu assisto a esse tipo de discurso toooodos os dias. Mas a gente precisa acreditar. Ou, pelo menos, tomar para si essa ideia importante de que os rumos da educação devem ser definidos pelos profissionais da área, os que estão lá no dia-a-dia sentindo as agruras da atividade: os professores.
Que o novo ano seja repleto de esperanças.
***
Assisti ao discurso feito pela Presidenta Dilma, quando assumiu seu cargo perante o Congresso Nacional. Das muitas frases ditas, a que eu destaco foi aquela em que ela afirmou a necessidade de "que os professores sejam reconhecidos como as verdadeiras autoridades da educação." O comentarista Alexandre Garcia destacou a mesma frase posteriormente a mim, e acrescentou que muita gente quer ser autoridade na educação: burocratas, pais, entre outros.
Ai, eu sei que é discurso de político. Eu assisto a esse tipo de discurso toooodos os dias. Mas a gente precisa acreditar. Ou, pelo menos, tomar para si essa ideia importante de que os rumos da educação devem ser definidos pelos profissionais da área, os que estão lá no dia-a-dia sentindo as agruras da atividade: os professores.
Que o novo ano seja repleto de esperanças.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Feliz 2011!
Não existe, para mim, poema mais perfeito, nem mais sensível sobre o Ano Novo.
Felicidades a todos!!!
Esperança
(Mário Quintana)
Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...
Felicidades a todos!!!
Esperança
(Mário Quintana)
Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Fim de ano
Há dias silentes.
Nesses dias, o verbo flui, o verso encontra graça, o peito encontra vazão na palavra.
Há dias barulhentos.
Nesses dias, a vida parece chegar antes da consciência. Inverte-se a filosofia: existo, depois penso.
Tenho existido muito, pensado pouco.
O final de ano chega, e todos parecem sentir o mesmo.
Nesses dias, o verbo flui, o verso encontra graça, o peito encontra vazão na palavra.
Há dias barulhentos.
Nesses dias, a vida parece chegar antes da consciência. Inverte-se a filosofia: existo, depois penso.
Tenho existido muito, pensado pouco.
O final de ano chega, e todos parecem sentir o mesmo.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
O poeta e o vento
A partir de 2011, estarei estampada nas janelas dos ônibus e dos trens da capital, com o poema "O poeta e o vento", selecionado na 19ª edição do Concurso "Poemas no ônibus e no Trem" de Porto Alegre.
Quem quiser conferir a íntegra do poema, clica aqui.
Obrigada a todos os meus leitores e àqueles que sempre me incentivaram e acreditaram em mim!
Quem quiser conferir a íntegra do poema, clica aqui.
Obrigada a todos os meus leitores e àqueles que sempre me incentivaram e acreditaram em mim!
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
O Amanhã Colorido
Cidadão Quem
Composição: Duca Leindecker
Olha a luz que brilha de manhã
Saiba quanto tempo estive aqui
Esperando pra te ver sorrir
Pra poder seguir
Lembre que hoje vai ter pôr do Sol
Esqueça o que falei sobre sair
Corra muito além da escuridão
E corra, corra!
Não desista de quem desistiu
Do amor que move tudo aqui
Jogue bola, cante uma canção
Aperte a minha mão
Quebre o pé, descubra um ideal
Saiba que é preciso amar você
Não esqueça que estarei aqui
E corra, corra!
Azul, vermelho
Pelo espelho
A vida vai passar
E o tempo está no pensamento
Olha a luz que brilha de manhã
Saiba quanto tempo estive aqui
Esperando pra te ver sorrir
Pra poder seguir
Lembre que hoje vai ter pôr do Sol
Esqueça o que falei sobre sair
Corra muito além da escuridão
E corra, corra!
Azul, vermelho
Pelo espelho
A vida vai passar
E o tempo está no pensamento.
***
Música pra embalar o início de uma semana a mil...
Composição: Duca Leindecker
Olha a luz que brilha de manhã
Saiba quanto tempo estive aqui
Esperando pra te ver sorrir
Pra poder seguir
Lembre que hoje vai ter pôr do Sol
Esqueça o que falei sobre sair
Corra muito além da escuridão
E corra, corra!
Não desista de quem desistiu
Do amor que move tudo aqui
Jogue bola, cante uma canção
Aperte a minha mão
Quebre o pé, descubra um ideal
Saiba que é preciso amar você
Não esqueça que estarei aqui
E corra, corra!
Azul, vermelho
Pelo espelho
A vida vai passar
E o tempo está no pensamento
Olha a luz que brilha de manhã
Saiba quanto tempo estive aqui
Esperando pra te ver sorrir
Pra poder seguir
Lembre que hoje vai ter pôr do Sol
Esqueça o que falei sobre sair
Corra muito além da escuridão
E corra, corra!
Azul, vermelho
Pelo espelho
A vida vai passar
E o tempo está no pensamento.
***
Música pra embalar o início de uma semana a mil...
sábado, 20 de novembro de 2010
No pátio, na chuva
O Augusto quebrou a antena do meu rádio portátil.
Ele mesmo se deu conta da besteira que fez, e aí foi aquela choradeira.
Buáááááááááááááááááááá
Eu e o César falamos pra ele:
- Filho, quantas vezes já dissemos pra tu não mexer nas antenas? Lembra que tu quebrou as antenas dos teus carrinhos de controle remoto? Não pode, filho. Agora tu já sabe que não é pra mexer.
Buáááááááááááááááááááá
Buáááááááááááááááááááá
Buáááááááááááááááááááá
- Quando vocês ficam bravos comigo, buáááááá, eu tenho vontade, buááááááá, de morar no pátio, na chuuuuuuuuuuuva!!!
E aí eu derreti junto com as lágrimas dele.
Ele mesmo se deu conta da besteira que fez, e aí foi aquela choradeira.
Buáááááááááááááááááááá
Eu e o César falamos pra ele:
- Filho, quantas vezes já dissemos pra tu não mexer nas antenas? Lembra que tu quebrou as antenas dos teus carrinhos de controle remoto? Não pode, filho. Agora tu já sabe que não é pra mexer.
Buáááááááááááááááááááá
Buáááááááááááááááááááá
Buáááááááááááááááááááá
- Quando vocês ficam bravos comigo, buáááááá, eu tenho vontade, buááááááá, de morar no pátio, na chuuuuuuuuuuuva!!!
E aí eu derreti junto com as lágrimas dele.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Feira do Livro de POA
I
Encontrei de cara a minha querida amiga Lisi!!! Só isso já valeu a pena!
II
Passeando pelas bancas de saldos, encontrei um Dicionário Morfológico da Língua Portuguesa, de mil páginas, baita livro, adivinhem por quanto? 3 pila!
Porém... (sempre há um porém)
Quando cheguei em casa, vi que aquele baita livro era apenas um dos volumes do dicionário (ia da letra J à letra P). Bom, vou ter de correr atrás do restante.
III
O encontro com as duas amigas Antológicas Karen e Andrea foi ótimo! Bastante conversa jogada fora, os assuntos em dia e a esperança de reencontrar os demais autores!
IV
Para encerrar, alguém viu o que aconteceu com a Telma Scherer? Se não viu, leia aqui.
A minha triste impressão de que a Feira do Livro de POA estava decaindo começou com a visão daqueles tapumes na Praça da Alfândega e terminou com a notícia de uma artista que foi calada em plena praça pública. Telma foi levada pela Brigada Militar porque ela estava "atrapalhando" com a sua performance artística o movimento das estandes.
Ok, ela não estava na programação oficial. Mas e daí? Voltamos ao tempo da repressão, em que só se pode falar o que, quando e onde for permitido pelas instituições oficiais?
Meu lamento e minha solidariedade à Telma Scherer.
Encontrei de cara a minha querida amiga Lisi!!! Só isso já valeu a pena!
II
Passeando pelas bancas de saldos, encontrei um Dicionário Morfológico da Língua Portuguesa, de mil páginas, baita livro, adivinhem por quanto? 3 pila!
Porém... (sempre há um porém)
Quando cheguei em casa, vi que aquele baita livro era apenas um dos volumes do dicionário (ia da letra J à letra P). Bom, vou ter de correr atrás do restante.
III
O encontro com as duas amigas Antológicas Karen e Andrea foi ótimo! Bastante conversa jogada fora, os assuntos em dia e a esperança de reencontrar os demais autores!
IV
Para encerrar, alguém viu o que aconteceu com a Telma Scherer? Se não viu, leia aqui.
A minha triste impressão de que a Feira do Livro de POA estava decaindo começou com a visão daqueles tapumes na Praça da Alfândega e terminou com a notícia de uma artista que foi calada em plena praça pública. Telma foi levada pela Brigada Militar porque ela estava "atrapalhando" com a sua performance artística o movimento das estandes.
Ok, ela não estava na programação oficial. Mas e daí? Voltamos ao tempo da repressão, em que só se pode falar o que, quando e onde for permitido pelas instituições oficiais?
Meu lamento e minha solidariedade à Telma Scherer.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Niver niver niver
E a Teresa está completando mais um ano de vida! Uma vida que "arde sem explicação", como diria a cantora.
A gente, num dia como este, olha pra trás e diz que a vida tem momentos bons e ruins. Na verdade, o nosso olhar sobre esses momentos é que pode ser bom ou ruim. De tudo se tira uma lição. Mas não estou para muitos 'reflexismos'...
Cada "plim" de mensagem, ligação ou email recebido é uma alegria só. Aniversário a gente tem que comemorar!!!
E obrigada a todos que fazem parte de minha vida!
A gente, num dia como este, olha pra trás e diz que a vida tem momentos bons e ruins. Na verdade, o nosso olhar sobre esses momentos é que pode ser bom ou ruim. De tudo se tira uma lição. Mas não estou para muitos 'reflexismos'...
Cada "plim" de mensagem, ligação ou email recebido é uma alegria só. Aniversário a gente tem que comemorar!!!
E obrigada a todos que fazem parte de minha vida!
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Protesto
Eu evito falar sobre política. Evito porque trabalho entre os políticos, de vários partidos, e, em suma, fica ruim para mim.
Mas, como muito ouço dizerem, não posso ficar quieta diante de tanto absurdo. Sou cidadã, sou eleitora e tenho opinião.
A campanha presidencial descambou para o ridículo. O que se vê são acusações inúmeras de ambos os lados, promessas demagógicas e uma troca de farpas sem fim.
O pior de tudo foi eu estar à porta de casa, pronta para sair para o trabalho, quando toca meu telefone. Uma gravação eletrônica dizia:
- Oi, tudo bem? Se você pensa em votar em... saiba que fez isso, isso, isso e aquilo.
Pô!
Por que, em vez de me ligar pra soltar acusações do adversário, não ligaram pra mostrar propostas???
Até ontem, eu era uma eleitora indecisa. Hoje sou uma eleitora possessa. Vamos ver como estarei no dia 31 de outubro.
Mas, como muito ouço dizerem, não posso ficar quieta diante de tanto absurdo. Sou cidadã, sou eleitora e tenho opinião.
A campanha presidencial descambou para o ridículo. O que se vê são acusações inúmeras de ambos os lados, promessas demagógicas e uma troca de farpas sem fim.
O pior de tudo foi eu estar à porta de casa, pronta para sair para o trabalho, quando toca meu telefone. Uma gravação eletrônica dizia:
- Oi, tudo bem? Se você pensa em votar em... saiba que fez isso, isso, isso e aquilo.
Pô!
Por que, em vez de me ligar pra soltar acusações do adversário, não ligaram pra mostrar propostas???
Até ontem, eu era uma eleitora indecisa. Hoje sou uma eleitora possessa. Vamos ver como estarei no dia 31 de outubro.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Por quê?
Por que os carros são coloridos?
Por que menino usa cueca e menina usa calcinha?
Por que todo mundo tem que ter pai e mãe?
Por que os ventiladores giram?
Por que os dias e as festas acabam?
Por que a gente tem sombrancelha?
Por que o tito do filme caiu?
Por que chove?
Por que, por que, por que, por quê???????????
Ahhhhhh, eu ainda enlouqueço com meu filho na fase dos porquês.
Por que menino usa cueca e menina usa calcinha?
Por que todo mundo tem que ter pai e mãe?
Por que os ventiladores giram?
Por que os dias e as festas acabam?
Por que a gente tem sombrancelha?
Por que o tito do filme caiu?
Por que chove?
Por que, por que, por que, por quê???????????
Ahhhhhh, eu ainda enlouqueço com meu filho na fase dos porquês.
domingo, 10 de outubro de 2010
O casamento das minhas amigas
Quando eu tinha um ano de idade, uma menina me chamou pra pular o muro entre nossas casas, para eu conhecer a bicicletinha dela.
Eu não me lembro disso.
Mas também não tenho lembrança nenhuma de minha vida antes de ter essa menininha como amiga.
Juntas,
nós brincamos de boneca, nós aprendemos a andar de bicicleta, nós esfolamos os joelhos, nós fomos à escola, nós passamos aniversários e natais, nós brigamos, nós ficamos de bem, nós aprontávamos pra nossos irmãos, nós ficamos adolescentes, nós fomos ao grupo de jovens, nós conhecemos o amor, nós terminamos o segundo grau, nós começamos a trabalhar, nós passamos no vestibular, nós fizemos faculdade e nos formamos no mesmo ano, enfim, nós compartilhamos todos os momentos importantes das nossas vidas, como duas irmãs, que apenas têm o detalhe de não possuir o mesmo sangue.
Ela foi minha madrinha de casamento. É madrinha do meu filho.
E, ontem, ela casou-se. Eu fui madrinha de casamento dela e espero continuar compartilhando de muitos momentos ao seu lado.
Débora, eu te adoro. Seja muito feliz!
***
Quando eu tinha 21 anos de idade, eu trabalhava de estagiária na FUNDARC. E lá, eu conheci uma outra guria, com um sorriso cativante e com quem dividi muitos momentos bons e ruins da minha vida.
Nós trabalhamos juntas. Íamos juntas para a faculdade. Almoçamos juntas. Fomos ao show do IRA! juntas. Fomos pra balada juntas. Nos reencontramos, depois da FUNDARC, e trabalhamos juntas na Câmara de Vereadores.
Ela duvidava de que encontraria o amor. Eu sempre insisti pra ela acreditar que haveria um tempo certo. E, justo quando ela criou juízo, eu não estive lá!!!! Porque ela casou ontem também, no mesmo dia que a Débora. (Vocês, hein, não podiam ter sido mais criativas na escolha da data?)
A felicidade em dobro, por ter duas amigas queridas casando no mesmo dia só não foi maior por eu não ter podido ir às duas cerimônias.
Mas, Fernanda, meu coração estava contigo e o meu desejo de que sejas feliz é tão grande quanto o meu desejo de que a Débora também seja.
Fernanda, eu também te adoro. Seja muito feliz!
Eu não me lembro disso.
Mas também não tenho lembrança nenhuma de minha vida antes de ter essa menininha como amiga.
Juntas,
nós brincamos de boneca, nós aprendemos a andar de bicicleta, nós esfolamos os joelhos, nós fomos à escola, nós passamos aniversários e natais, nós brigamos, nós ficamos de bem, nós aprontávamos pra nossos irmãos, nós ficamos adolescentes, nós fomos ao grupo de jovens, nós conhecemos o amor, nós terminamos o segundo grau, nós começamos a trabalhar, nós passamos no vestibular, nós fizemos faculdade e nos formamos no mesmo ano, enfim, nós compartilhamos todos os momentos importantes das nossas vidas, como duas irmãs, que apenas têm o detalhe de não possuir o mesmo sangue.
Ela foi minha madrinha de casamento. É madrinha do meu filho.
E, ontem, ela casou-se. Eu fui madrinha de casamento dela e espero continuar compartilhando de muitos momentos ao seu lado.
Débora, eu te adoro. Seja muito feliz!
***
Quando eu tinha 21 anos de idade, eu trabalhava de estagiária na FUNDARC. E lá, eu conheci uma outra guria, com um sorriso cativante e com quem dividi muitos momentos bons e ruins da minha vida.
Nós trabalhamos juntas. Íamos juntas para a faculdade. Almoçamos juntas. Fomos ao show do IRA! juntas. Fomos pra balada juntas. Nos reencontramos, depois da FUNDARC, e trabalhamos juntas na Câmara de Vereadores.
Ela duvidava de que encontraria o amor. Eu sempre insisti pra ela acreditar que haveria um tempo certo. E, justo quando ela criou juízo, eu não estive lá!!!! Porque ela casou ontem também, no mesmo dia que a Débora. (Vocês, hein, não podiam ter sido mais criativas na escolha da data?)
A felicidade em dobro, por ter duas amigas queridas casando no mesmo dia só não foi maior por eu não ter podido ir às duas cerimônias.
Mas, Fernanda, meu coração estava contigo e o meu desejo de que sejas feliz é tão grande quanto o meu desejo de que a Débora também seja.
Fernanda, eu também te adoro. Seja muito feliz!
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Maldito parônimo!
Relacione as colunas:
( A ) ratificar ( ) corrigir
( B ) retificar ( ) confirmar
***
Resposta:
ratificar = confirmar = "Teresa, levante-se cedo, porque o evento foi confirmado e você precisa trabalhar nele".
retificar = corrigir = "Teresa, durma até mais tarde porque a data do evendo foi desmarcada e você pode ficar em casa".
***
Disseram-me que o evento havia sido desmarcado, ou seja a data fora retificada. Bom, eu estava dormindo hoje de manhã, quando o telefone 'trrrrrrrriiiiimmmmmmmmm'!
Saí de casa despencando, com cara de sono e com o filho pendurado pelo braço.
Por causa de uma letra, entenderam tudo errado e a confusão estava feita.
Hoje, só hoje, eu odiei a Língua Portuguesa.
( A ) ratificar ( ) corrigir
( B ) retificar ( ) confirmar
***
Resposta:
ratificar = confirmar = "Teresa, levante-se cedo, porque o evento foi confirmado e você precisa trabalhar nele".
retificar = corrigir = "Teresa, durma até mais tarde porque a data do evendo foi desmarcada e você pode ficar em casa".
***
Disseram-me que o evento havia sido desmarcado, ou seja a data fora retificada. Bom, eu estava dormindo hoje de manhã, quando o telefone 'trrrrrrrriiiiimmmmmmmmm'!
Saí de casa despencando, com cara de sono e com o filho pendurado pelo braço.
Por causa de uma letra, entenderam tudo errado e a confusão estava feita.
Hoje, só hoje, eu odiei a Língua Portuguesa.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Grito
Eu preciso escrever algo útil.
Mas, hoje, tô só com vontade de gritar...
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
Pára o mundo que eu quero descer.
Mas, hoje, tô só com vontade de gritar...
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
Pára o mundo que eu quero descer.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Eu me sinto ridícula
quando eu espero que o elevador suba, e ele desce.
quando eu derramo café na minha blusa branca.
quando eu aceno para alguém na rua, e esse alguém não me vê.
quando eu entro numa sala e todos os outros ficam em silêncio.
quando eu acordo de madrugada me lembrando do Hino Nacional.
quando eu sonho com uma máquina de café que faz chantili.
quando eu conto uma novidade que todos já sabiam.
quando eu fico tonta por causa de um copo de cerveja.
Eu me sinto ridícula também quando eu escrevo. Como agora.
(Estou procurando motivos, palavras corretas. Por causa disso, tenho estado silente.)
quando eu derramo café na minha blusa branca.
quando eu aceno para alguém na rua, e esse alguém não me vê.
quando eu entro numa sala e todos os outros ficam em silêncio.
quando eu acordo de madrugada me lembrando do Hino Nacional.
quando eu sonho com uma máquina de café que faz chantili.
quando eu conto uma novidade que todos já sabiam.
quando eu fico tonta por causa de um copo de cerveja.
Eu me sinto ridícula também quando eu escrevo. Como agora.
(Estou procurando motivos, palavras corretas. Por causa disso, tenho estado silente.)
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Eu passarinho
Levar a culpa de um erro que não foi cometido por você e não ter nem a chance de se defender é uma sensação horrível.
Mas, acontece. E é extremamente chateante.
Uso, aqui, os versos do meu poeta preferido:
POEMINHA DO CONTRA
"Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!"
(Mário Quintana)
Mas, acontece. E é extremamente chateante.
Uso, aqui, os versos do meu poeta preferido:
POEMINHA DO CONTRA
"Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!"
(Mário Quintana)
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Aquarela
Em dias nublados, fico meio cinzenta.
Mas, repare,
o cinza é uma cor
tão bonita quanto as outras.
Mas, repare,
o cinza é uma cor
tão bonita quanto as outras.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Lição sobre concordância
Depois da lição sobre lógica e sufixos, esta foi a segunda lição protagonizada pelo Sr. Augusto:
- Filho, então vamos rezar antes de dormir. Agora tu diz: Papai do céu, obrigado por tudo...
- Papai do céu, obigado por tudo...
- Me protege...
- Me potege...
- Protege a minha família...
- Potege a minha família e o meu famílio...
- Não, filho, é só família.
- Ué, não, tu é minha família e o papai é meu famílio, ora, ele é menino!
Já era muito tarde, os olhinhos dele já estavam quase desabando.
- Tá bom, filho, amanhã a mãe te explica direitinho.
- Potege a minha família e o meu famílio. Amém!
E todos nós dormimos protegidos e com os anjinhos.
- Filho, então vamos rezar antes de dormir. Agora tu diz: Papai do céu, obrigado por tudo...
- Papai do céu, obigado por tudo...
- Me protege...
- Me potege...
- Protege a minha família...
- Potege a minha família e o meu famílio...
- Não, filho, é só família.
- Ué, não, tu é minha família e o papai é meu famílio, ora, ele é menino!
Já era muito tarde, os olhinhos dele já estavam quase desabando.
- Tá bom, filho, amanhã a mãe te explica direitinho.
- Potege a minha família e o meu famílio. Amém!
E todos nós dormimos protegidos e com os anjinhos.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Desfile
Na passarela da minha insônia, desfilou minha agenda, personificada com braços e pernas gigantes, prontas para me engolir; passou também o meu cachorro; a tia que faz café no meu serviço; o personagem de um conto, que assassinou um dente-de-leão; com muito rebolado passou o meu celular, gritando "atenda! atenda"; passou a minha amiga, a quem estou devendo uma visita; minha mãe, me dizendo para levar guarda-chuva; desfilou cabisbaixo o sapato que deixei para consertar no sapateiro, argumentando que estava se sentindo só em meio a tantos pares; o professor de arte passou também, mas estava sem óculos; os meus tênis novos estavam se exibindo, com a língua de fora; a viagem que programei passou dentro de um avião; a boneca Pucca que tenho sobre o meu computador empacou na entrada do desfile, alegando dor-de-cabeça; o Gato Renato miou antes de dizer tchau; o meu filho gemeu e meu marido roncou; o meu extrato do banco passou fazendo "bú"; a minha manicure passou me xingando, porque há tempos não apareço lá; você, você e você também! desfilaram com graça; e, ao final de tudo isso, as horas passaram, trazendo consigo o sono, que era quem ou o que eu mais queria ter nesse momento.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Mania de correção
Eu liguei para a Floricultura e pedi que mandassem um buquê de flores à minha mãe, por ocasião de seu aniversário. Também pedi que escrevessem um cartãozinho indicando os remetentes e um simples "Feliz Aniversário".
Domingo, fui à casa dela e, ao ver o buquê de flores, peguei o cartãozinho. Lá, estava escrito o seguinte:
"Feliz aniverssario. Cezar, Tereza e Algusto."
Aí, falei pra minha mãe:
- Bah, mãe, tu viu só? Em cinco palavras do cartão, quatro estão erradas! Que horror!
E ela:
- Ah, nem tinha percebido, quando eu vi os nomes de quem tinha mandado fiquei tão contente que nem reparei nos erros!
(Depois de ouvir isso, concluí que às vezes eu sou muito, mas muito idiota.)
Domingo, fui à casa dela e, ao ver o buquê de flores, peguei o cartãozinho. Lá, estava escrito o seguinte:
"Feliz aniverssario. Cezar, Tereza e Algusto."
Aí, falei pra minha mãe:
- Bah, mãe, tu viu só? Em cinco palavras do cartão, quatro estão erradas! Que horror!
E ela:
- Ah, nem tinha percebido, quando eu vi os nomes de quem tinha mandado fiquei tão contente que nem reparei nos erros!
(Depois de ouvir isso, concluí que às vezes eu sou muito, mas muito idiota.)
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Lembrança
O que me fez lembrar de ti
ao descer esta rua
não foi o eco dos teus passos.
Tampouco a imagem de teu sorriso largo
refletida na vitrine de discos.
Nem mesmo a voz grave, como a tua,
que ouvi emergir da multidão.
O que me fez lembrar de ti
nesta calçada
não foi o vendedor de flores,
nem mesmo o casal de mãos entrelaçadas,
E menos ainda a porta em cuja frente
Me olhaste sem pudor.
O que me lançou ao rosto a tua lembrança
O que me fez recompor teu semblante
O que me obrigou a parar e a cerrar os olhos
foi o vento,
que desgrenhou meus cabelos.
Esse mesmo vento que dobrou a esquina
E, assim como tu,
Chegou
Moveu-me
E se foi.
ao descer esta rua
não foi o eco dos teus passos.
Tampouco a imagem de teu sorriso largo
refletida na vitrine de discos.
Nem mesmo a voz grave, como a tua,
que ouvi emergir da multidão.
O que me fez lembrar de ti
nesta calçada
não foi o vendedor de flores,
nem mesmo o casal de mãos entrelaçadas,
E menos ainda a porta em cuja frente
Me olhaste sem pudor.
O que me lançou ao rosto a tua lembrança
O que me fez recompor teu semblante
O que me obrigou a parar e a cerrar os olhos
foi o vento,
que desgrenhou meus cabelos.
Esse mesmo vento que dobrou a esquina
E, assim como tu,
Chegou
Moveu-me
E se foi.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Um Monet em casa!
terça-feira, 27 de julho de 2010
Vivendo e, desta vez, aprendendo
Eu cheguei em casa na segunda e dei aquele abraço no meu filho... Tinha passado o dia fora, então, como já era noite, sentei-me direto no chão para brincar e para saber do seu dia.
E eis que ele, ao ver uma propaganda na televisão de fogõezinhos e panelinhas de brinquedo, me disse:
- Compra um pra mim, mamãe! Compra um fogãozinho pra mim fazer comida pra ti!
Aquilo causou-me espanto. Embora eu tenha dito "ah, que legal, tu vai fazer comida pra mim?", acabei despistando, falando sobre outra coisa.
Como eu fui estúpida.
Mesmo sem saber, estamos inundados de preconceitos. Foi uma situação ridícula aquela. Algo lá no meu inconsciente saltou sobre mim com aquela premissa de que meninos brincam com carrinhos e meninas brincam com panelinhas. A minha reação foi tão involuntária quanto preconceituosa.
Mas, ainda bem, meu raciocínio brilhou. E aí olhei para a minha cozinha de verdade: o Augusto estava copiando seu pai, que fazia a janta, para me ajudar nesta semana que está sendo árdua. Quando eu me dei conta disso, me senti envergonhada. Ainda bem que tive tempo de corrigir.
Então, disse para o Augusto:
- Filho, a mãe não tem como comprar uma cozinha de brinquedo pra ti agora, mas vamos fazer uma, então! Assim, tu também ajuda o papai e a mamãe.
Peguei caixa, tesoura, cola e canetinhas, e lá fomos nós. O fogãozinho teve direito até a portinha frontal para imitar o forno!
Depois de pronto, meu guri "fritou" umas pecinhas de montar, "assou" sua massinha de modelar, serviu minha jantinha e pronto. Guardou tudo e foi brincar de outra coisa. Tudo estava resolvido. A curiosidade dele, saciada. E, dessa vez, eu vivi e aprendi, ao contrário do título deste blog.
E eis que ele, ao ver uma propaganda na televisão de fogõezinhos e panelinhas de brinquedo, me disse:
- Compra um pra mim, mamãe! Compra um fogãozinho pra mim fazer comida pra ti!
Aquilo causou-me espanto. Embora eu tenha dito "ah, que legal, tu vai fazer comida pra mim?", acabei despistando, falando sobre outra coisa.
Como eu fui estúpida.
Mesmo sem saber, estamos inundados de preconceitos. Foi uma situação ridícula aquela. Algo lá no meu inconsciente saltou sobre mim com aquela premissa de que meninos brincam com carrinhos e meninas brincam com panelinhas. A minha reação foi tão involuntária quanto preconceituosa.
Mas, ainda bem, meu raciocínio brilhou. E aí olhei para a minha cozinha de verdade: o Augusto estava copiando seu pai, que fazia a janta, para me ajudar nesta semana que está sendo árdua. Quando eu me dei conta disso, me senti envergonhada. Ainda bem que tive tempo de corrigir.
Então, disse para o Augusto:
- Filho, a mãe não tem como comprar uma cozinha de brinquedo pra ti agora, mas vamos fazer uma, então! Assim, tu também ajuda o papai e a mamãe.
Peguei caixa, tesoura, cola e canetinhas, e lá fomos nós. O fogãozinho teve direito até a portinha frontal para imitar o forno!
Depois de pronto, meu guri "fritou" umas pecinhas de montar, "assou" sua massinha de modelar, serviu minha jantinha e pronto. Guardou tudo e foi brincar de outra coisa. Tudo estava resolvido. A curiosidade dele, saciada. E, dessa vez, eu vivi e aprendi, ao contrário do título deste blog.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Navegar e renovar é preciso!
Arre, que coisa mais boa extrapolar o mundinho medíocre da política e da vida administrativa!
Acordar bem cedo, andar por lugares diferentes, assistir a um curso sobre arte moderna, conversar com uma amiga baita especial... Que coisa boa!
Esta semana, meus neurônios estarão em processo de renovação e sem direito a pedidos de "vista" processual, sem votos favoráveis ou contrários, sem projetos de lei, de resolução ou de decreto. Viva a conversa fiada, viva as informações novas, viva o descaminho e o saber!
Eu estava precisando... Mais um pouco e eu já estaria falando "seje", "isse", "sesse". Cruz credo!
Acordar bem cedo, andar por lugares diferentes, assistir a um curso sobre arte moderna, conversar com uma amiga baita especial... Que coisa boa!
Esta semana, meus neurônios estarão em processo de renovação e sem direito a pedidos de "vista" processual, sem votos favoráveis ou contrários, sem projetos de lei, de resolução ou de decreto. Viva a conversa fiada, viva as informações novas, viva o descaminho e o saber!
Eu estava precisando... Mais um pouco e eu já estaria falando "seje", "isse", "sesse". Cruz credo!
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Ainda
Eu ainda fico perplexa.
No fundo, isso é bom, sinal de que não estou enregelada, sinal de que meu olhar não ficou vítreo e de que eu ainda consigo ver, mais do que enxergar.
(a tal da tênue diferença entre "ver" e "enxergar" foi motivo de debate entre um colega meu e eu, esses dias. Para ele, que atua na área da informática, não há diferença. Talvez muitos outros achem o mesmo. Mas há. E muita.)
Mas, voltando ao assunto, eu ainda fico perplexa:
Com mesquinhez, com egoísmo, com estupidez - que ando vendo muito por aí - com menino de pé no chão, com casa destelhada pelo vento, com corrupção, com lagartixa sem rabo, com formiga no café, com calça que ficou apertada, com gente sem noção, com verso preso na garganta, com preço do leite, com computador travado, com notícia de assassinato, com dia de muito frio, com tamanho de fila, com sangue no dedo.
Eu ainda fico perplexa. Quisera não ficar, quisera ter visto tudo já. Mas não.
Convenço-me. Antes perplexa do que insensível.
No fundo, isso é bom, sinal de que não estou enregelada, sinal de que meu olhar não ficou vítreo e de que eu ainda consigo ver, mais do que enxergar.
(a tal da tênue diferença entre "ver" e "enxergar" foi motivo de debate entre um colega meu e eu, esses dias. Para ele, que atua na área da informática, não há diferença. Talvez muitos outros achem o mesmo. Mas há. E muita.)
Mas, voltando ao assunto, eu ainda fico perplexa:
Com mesquinhez, com egoísmo, com estupidez - que ando vendo muito por aí - com menino de pé no chão, com casa destelhada pelo vento, com corrupção, com lagartixa sem rabo, com formiga no café, com calça que ficou apertada, com gente sem noção, com verso preso na garganta, com preço do leite, com computador travado, com notícia de assassinato, com dia de muito frio, com tamanho de fila, com sangue no dedo.
Eu ainda fico perplexa. Quisera não ficar, quisera ter visto tudo já. Mas não.
Convenço-me. Antes perplexa do que insensível.
terça-feira, 20 de julho de 2010
Festival de Inverno de POA (hein????)
A fila era tão grande, tão grande, mas taããããããããããããão grande!
E olha que eu fui no primeiro dia e no primeiro horário de vendas!
O que aconteceu é que as pessoas estavam esperando, no mínimo, quatro horas para chegar ao guichê e comprar o ingresso para o show do Jorge Drexler. Eu até estava disposta a esperar, já estava há duas horas na fila, mas um cálculo matemático me fez desistir. Havia mais de 400 pessoas na minha frente e somente 430 ingressos disponíveis. Considerando que cada um poderia comprar até quatro ingressos, ah, fui embora.
Pô, e só três guichês para atender aquela multidão toda? Que desorganização, credo.
E vamos combinar que, pra montar um Festival como esse, deveria haver, no mínimo, boa estrutura de atendimento. E isso não houve nem nas inscrições para o curso, né, Lisi?
"A gente quer comida, diversão e arte", mas acho que a última parte está bem difícil.
Bom, o Jorge Drexler vai ficar pra outra vez. Que droga. Espero ainda conseguir vaga no curso.
E olha que eu fui no primeiro dia e no primeiro horário de vendas!
O que aconteceu é que as pessoas estavam esperando, no mínimo, quatro horas para chegar ao guichê e comprar o ingresso para o show do Jorge Drexler. Eu até estava disposta a esperar, já estava há duas horas na fila, mas um cálculo matemático me fez desistir. Havia mais de 400 pessoas na minha frente e somente 430 ingressos disponíveis. Considerando que cada um poderia comprar até quatro ingressos, ah, fui embora.
Pô, e só três guichês para atender aquela multidão toda? Que desorganização, credo.
E vamos combinar que, pra montar um Festival como esse, deveria haver, no mínimo, boa estrutura de atendimento. E isso não houve nem nas inscrições para o curso, né, Lisi?
"A gente quer comida, diversão e arte", mas acho que a última parte está bem difícil.
Bom, o Jorge Drexler vai ficar pra outra vez. Que droga. Espero ainda conseguir vaga no curso.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Não entre
Não entre!
Porta aberta
não é convite,
é alerta.
Não entre!
O escuro
te esconde
e me revela.
Não entre!
Pela porta,
pelos olhos,
pelos sonhos.
Não entre.
Há risco de desmoronamento.
Porta aberta
não é convite,
é alerta.
Não entre!
O escuro
te esconde
e me revela.
Não entre!
Pela porta,
pelos olhos,
pelos sonhos.
Não entre.
Há risco de desmoronamento.
terça-feira, 22 de junho de 2010
Procurando palavrinhas
Estou sendo até meio repetitiva, ou posto música, ou posto algo sobre o menino dos meus olhos. Mas essa está merecendo:
Encontro-me num período de revisão, em todos os sentidos. Mas, principalmente, tenho feito, neste final de semestre, muitos trabalhos de Revisão Linguística.
Pois bem, era domingo à tarde e eu estava no PC, lendo mais uma tese de mestrado. E o Augusto quietinho, quietinho. Geralmente, criança quando está quietinha está fazendo arte. Daí, perguntei:
- Que tá fazendo, filho?
- Procurando uma palavrinha pra ti, mamãe!
Quando eu olhei, o guri estava sentado no sofá e tinha pegado da minha estante um dicionário. E me disse, lamentando:
- Eu não to achando o T, mamãe! O T de tu!
(Na verdade, ele não sabe que "tu" se escreve com T. Sabe que o T é de Teresa, e por isso ele me diz "o T de tu")
Eu, como toda mãe boba, me comovi. E de todas e tantas as palavras com as quais convivo, não achei uma única que expressasse meu orgulho, por ter um gurizinho de três aninhos que já procura no dicionário palavrinhas pra mamãe.
Encontro-me num período de revisão, em todos os sentidos. Mas, principalmente, tenho feito, neste final de semestre, muitos trabalhos de Revisão Linguística.
Pois bem, era domingo à tarde e eu estava no PC, lendo mais uma tese de mestrado. E o Augusto quietinho, quietinho. Geralmente, criança quando está quietinha está fazendo arte. Daí, perguntei:
- Que tá fazendo, filho?
- Procurando uma palavrinha pra ti, mamãe!
Quando eu olhei, o guri estava sentado no sofá e tinha pegado da minha estante um dicionário. E me disse, lamentando:
- Eu não to achando o T, mamãe! O T de tu!
(Na verdade, ele não sabe que "tu" se escreve com T. Sabe que o T é de Teresa, e por isso ele me diz "o T de tu")
Eu, como toda mãe boba, me comovi. E de todas e tantas as palavras com as quais convivo, não achei uma única que expressasse meu orgulho, por ter um gurizinho de três aninhos que já procura no dicionário palavrinhas pra mamãe.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Homenagem a Saramago
Presto aqui minha homenagem a José Saramago, o maior escritor contemporâneo em língua portuguesa, que faleceu hoje.
Foi um grande gênio da literatura, um grande escritor, e deixará, sem sombra de dúvida, um legado imortal.
E ficará, sempre em destaque, na minha estante.
Foi um grande gênio da literatura, um grande escritor, e deixará, sem sombra de dúvida, um legado imortal.
E ficará, sempre em destaque, na minha estante.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Astronauta lírico
Só mesmo uma música como essa poderia aliviar este dia tão conturbado, difícil, exaustivo que está sendo hoje.
Astronauta Lírico
Vitor Ramil
Composição: Vitor Ramil
Vou viajar contigo essa noite
Conhecer a cidade magnífica
Velha cidade supernova
Vagando no teu passo sideral
Quero alcançar a cúpula mais alta
Avistar da torre a via-láctea
Sumir ao negro das colunas
Resplandecer em lâmpadas de gás
Eu, astronauta lírico em terra
Indo a teu lado, leve, pensativo
A lua que ao te ver parece grata
Me aceita com a forma de um sorriso
Eu, astronauta lírico em terra
Indo a teu lado, leve, pensativo
Quero perder o medo da poesia
Encontrar a métrica e a lágrima
Onde os caminhos se bifurcam
Flanando na miragem de um jardim
Quero sentir o vento das esquinas
Circulando a calma do meu íntimo
Entre a poeira das palavras
Subir na tua voz em espiral
Eu, astronauta lírico em terra
Indo a teu lado, leve, pensativo
A lua que ao te ver parece grata
Me aceita com a forma de um sorriso
Eu, astronauta lírico em terra
Indo a teu lado, leve, pensativo
Vou viajar contigo essa noite
Inventar a cidade magnífica
Desesperar que o dia nasça
Levado em teu abraço sideral
Eu, astronauta lírico em terra
Indo a teu lado, leve, pensativo.
Astronauta Lírico
Vitor Ramil
Composição: Vitor Ramil
Vou viajar contigo essa noite
Conhecer a cidade magnífica
Velha cidade supernova
Vagando no teu passo sideral
Quero alcançar a cúpula mais alta
Avistar da torre a via-láctea
Sumir ao negro das colunas
Resplandecer em lâmpadas de gás
Eu, astronauta lírico em terra
Indo a teu lado, leve, pensativo
A lua que ao te ver parece grata
Me aceita com a forma de um sorriso
Eu, astronauta lírico em terra
Indo a teu lado, leve, pensativo
Quero perder o medo da poesia
Encontrar a métrica e a lágrima
Onde os caminhos se bifurcam
Flanando na miragem de um jardim
Quero sentir o vento das esquinas
Circulando a calma do meu íntimo
Entre a poeira das palavras
Subir na tua voz em espiral
Eu, astronauta lírico em terra
Indo a teu lado, leve, pensativo
A lua que ao te ver parece grata
Me aceita com a forma de um sorriso
Eu, astronauta lírico em terra
Indo a teu lado, leve, pensativo
Vou viajar contigo essa noite
Inventar a cidade magnífica
Desesperar que o dia nasça
Levado em teu abraço sideral
Eu, astronauta lírico em terra
Indo a teu lado, leve, pensativo.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
O lanche
Era para ser um lanche rápido, a preguiça tomando conta no domingo à noite.
Nomeei o menino:
- Tu serás meu ajudante! Não consigo fazer torradas sozinha!
E ensinar a arte de passar a manteiga no pão foi um momento sagrado: minha mão segurando a dele, que apertava com força a "faca perigosa".
Depois, veio a explicação sobre as cores das luzes: a vermelha indica que a torradeira está ligada, a verde sinaliza que está pronto. Uma cadeira serviu de apoio. Sem ela, como enxergar sobre a mesa?
O ajudante subiu, primeiro de joelhos, depois de pé. Ficou incumbido de cuidar as luzes e de me avisar quando tudo estivesse pronto. A mim, coube medir a luzinha de seus olhos brilhando, atentos. E também envovê-lo em um abraço, para evitar desequilíbrio e tombo.
A fome, em qualquer outra situação, ensejaria pressa. O estômago apreensivo discutia com o coração aconchegado. Eu não queria que aquela torrada ficasse pronta nunca. Queria eternizar aquele abraço de olhos, luzes, manteiga e amor.
- Mamãe! Acendeu! Olha! Tá pronto!
O queijo estava derretido, assim como eu. Mas me recompus:
- Se está pronto, então vamos comer!
Nomeei o menino:
- Tu serás meu ajudante! Não consigo fazer torradas sozinha!
E ensinar a arte de passar a manteiga no pão foi um momento sagrado: minha mão segurando a dele, que apertava com força a "faca perigosa".
Depois, veio a explicação sobre as cores das luzes: a vermelha indica que a torradeira está ligada, a verde sinaliza que está pronto. Uma cadeira serviu de apoio. Sem ela, como enxergar sobre a mesa?
O ajudante subiu, primeiro de joelhos, depois de pé. Ficou incumbido de cuidar as luzes e de me avisar quando tudo estivesse pronto. A mim, coube medir a luzinha de seus olhos brilhando, atentos. E também envovê-lo em um abraço, para evitar desequilíbrio e tombo.
A fome, em qualquer outra situação, ensejaria pressa. O estômago apreensivo discutia com o coração aconchegado. Eu não queria que aquela torrada ficasse pronta nunca. Queria eternizar aquele abraço de olhos, luzes, manteiga e amor.
- Mamãe! Acendeu! Olha! Tá pronto!
O queijo estava derretido, assim como eu. Mas me recompus:
- Se está pronto, então vamos comer!
Tempos modernos
Na parada de ônibus:
O guri, de uns cinco anos, xingou o carroceiro que passava:
- Ô seu %&¨@$%&!
A mãe sentenciou:
- Cala a boca, guri! Sabia que eu posso levar um processo por tu estar xingando os outros na rua?
***
A pergunta que não quer calar: o guri sabe o que é processo?
Eu sempre achei que informação demais, principalmente na educação dos filhos, pode se tornar um problema.
Estou praticamente convencida.
O guri, de uns cinco anos, xingou o carroceiro que passava:
- Ô seu %&¨@$%&!
A mãe sentenciou:
- Cala a boca, guri! Sabia que eu posso levar um processo por tu estar xingando os outros na rua?
***
A pergunta que não quer calar: o guri sabe o que é processo?
Eu sempre achei que informação demais, principalmente na educação dos filhos, pode se tornar um problema.
Estou praticamente convencida.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Pra frente, Brasil
Levei o tempo de três garfadas para perceber o garçom sorridente ao meu lado, esperando para anotar qual bebida eu escolheria. Levantei a cabeça levando o guardanapo à boca e olhei-o. Um chapéu estilo cowboy, nas cores verde-amarelo, selava o visual "preparado para a torcida". O avental verde e a camisa amarela eram outros itens do modelo.
Dispensei o suco de manga e o de clorofila (sugestão do menu, pra combinar com as cores da copa, com a justificativa de, além de tudo, ser supersaudável). Isso era demais para meus olhos. "Me dá uma coca-cola", foi o que eu disse.
E então, notei que tudo à minha volta estava fosforescendo. Desde as unhas de uma ou outra garçonete, até as bandeiras dependuradas desde o teto. Nesse ponto, nem sei se eu devaneei ou se foi real mesmo, ouvi, ao longe, o toque de um celular "pra frente Brasil, salve a seleção".
Retomei meu almoço.
E fiquei pensando que é muito legal mesmo se preparar para torcer pelo Brasil. Lembrei-me das criancinhas subindo no ônibus que eu pego para ir ao serviço: as gurias com rabicó verde-amarelo, os guris com a mochila do Brasil e o símbolo do Inter ou do Grêmio nas cores da seleção canarinho (a paz entre as torcidas é fato nessa época pré-copa). Recordei também o Mundial de 1994, quando eu ia, escondida da minha mãe, às bancas em frente ao colégio para comprar fitinhas, lacinhos, figurinhas, qualquer que fosse o penduricalho relacionado à equipe brasileira de futebol.
Legal isso, legal mesmo.
Mas agora, que sou adulta, um pouco mais responsável, ajuizada e chata, eu parei o meu almoço para pensar que esse espírito verde-amarelo que paira sobre todos deveria permanecer após o término da Copa. Todos hão de concordar comigo nessa ideia. Mas quem terá coragem de aderir?
Depois da Copa do Mundo, vêm as eleições. Sugiro trocar a bandeira de seu candidato por uma do Brasil. Tá bom, exagerei. Então, quem sabe, carregá-la junto à bandeira de seu candidato? Ir fardado de verde-amarelo à seção de votação? Que tal?
Tudo bem, tudo bem, é só uma sugestão.
***
Mas que seria interessante, seria.
Dispensei o suco de manga e o de clorofila (sugestão do menu, pra combinar com as cores da copa, com a justificativa de, além de tudo, ser supersaudável). Isso era demais para meus olhos. "Me dá uma coca-cola", foi o que eu disse.
E então, notei que tudo à minha volta estava fosforescendo. Desde as unhas de uma ou outra garçonete, até as bandeiras dependuradas desde o teto. Nesse ponto, nem sei se eu devaneei ou se foi real mesmo, ouvi, ao longe, o toque de um celular "pra frente Brasil, salve a seleção".
Retomei meu almoço.
E fiquei pensando que é muito legal mesmo se preparar para torcer pelo Brasil. Lembrei-me das criancinhas subindo no ônibus que eu pego para ir ao serviço: as gurias com rabicó verde-amarelo, os guris com a mochila do Brasil e o símbolo do Inter ou do Grêmio nas cores da seleção canarinho (a paz entre as torcidas é fato nessa época pré-copa). Recordei também o Mundial de 1994, quando eu ia, escondida da minha mãe, às bancas em frente ao colégio para comprar fitinhas, lacinhos, figurinhas, qualquer que fosse o penduricalho relacionado à equipe brasileira de futebol.
Legal isso, legal mesmo.
Mas agora, que sou adulta, um pouco mais responsável, ajuizada e chata, eu parei o meu almoço para pensar que esse espírito verde-amarelo que paira sobre todos deveria permanecer após o término da Copa. Todos hão de concordar comigo nessa ideia. Mas quem terá coragem de aderir?
Depois da Copa do Mundo, vêm as eleições. Sugiro trocar a bandeira de seu candidato por uma do Brasil. Tá bom, exagerei. Então, quem sabe, carregá-la junto à bandeira de seu candidato? Ir fardado de verde-amarelo à seção de votação? Que tal?
Tudo bem, tudo bem, é só uma sugestão.
***
Mas que seria interessante, seria.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Marca d'água
Há dias em que me sinto diluída, como as palavras de um texto colocadas em marca d'água.
Como hoje, por exemplo.
Como hoje, por exemplo.
sábado, 22 de maio de 2010
As meninas de dez anos
Ontem eu vi, no ônibus, um diálogo entre duas meninas de uns dez anos, mais ou menos assim:
- Guria, que tu achou da novela nova?
- Ah, não vi ainda.
- Pois é, eu vi e o que mais adorei foram os homens!
Eu pasmei.
Quando eu tinha dez anos de idade, brincava de bonecas. E meu pai me dizia que eu chegaria a uma idade em que deixaria de gostar das bonecas e passaria a gostar dos bonecos. Eu corava, ficava com vergonha quando ele dizia isso.
Os tempos mudaram, ok. Pareço minha vó dizendo "no meu tempo era assim". Mas ver aquela guriazinha falando aquilo com tanta naturalidade me causou estranhamento.
Será que tanta liberdade é realmente bom?
Eu tenho minhas dúvidas. E são muitas.
- Guria, que tu achou da novela nova?
- Ah, não vi ainda.
- Pois é, eu vi e o que mais adorei foram os homens!
Eu pasmei.
Quando eu tinha dez anos de idade, brincava de bonecas. E meu pai me dizia que eu chegaria a uma idade em que deixaria de gostar das bonecas e passaria a gostar dos bonecos. Eu corava, ficava com vergonha quando ele dizia isso.
Os tempos mudaram, ok. Pareço minha vó dizendo "no meu tempo era assim". Mas ver aquela guriazinha falando aquilo com tanta naturalidade me causou estranhamento.
Será que tanta liberdade é realmente bom?
Eu tenho minhas dúvidas. E são muitas.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Todo mundo sabe
Todo mundo sabe" é a invocação do clichê e o início da banalização da experiência, e a seriedade e o tom de autoridade que as pessoas adotam ao repetir esse clichê é o que é mais insuportável. O que sabemos é que, ao contrário do que diz o clichê, ninguém sabe nada. Não se pode saber nada. As coisas que você sabe, você não sabe. Intenção? Motivo? Consequência? Significado? É surpreendente, quantas coisas desconhecemos. Mais surpreendente ainda é o que passa por conhecimento. (pág. 266)
Este é um trecho do livro "A marca humana", do escritor americano Philip Roth. Um livro excelente, que desmitificou minha visão sobre os americanos e sobre o próprio ser humano.
Não nos deixemos levar pelo senso comum. Usar como argumento de autoridade uma voz coletiva é muito fácil, mas nem sempre seguro.
Recomendo a leitura.
Este é um trecho do livro "A marca humana", do escritor americano Philip Roth. Um livro excelente, que desmitificou minha visão sobre os americanos e sobre o próprio ser humano.
Não nos deixemos levar pelo senso comum. Usar como argumento de autoridade uma voz coletiva é muito fácil, mas nem sempre seguro.
Recomendo a leitura.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Instantes
Ponto entre muitas longitudes
Gota à espera da queda
Folha que se rompe do galho,
durante o vendaval
Essa sou eu.
Vivendo instantes que não existem,
mas que se presumem.
Gota à espera da queda
Folha que se rompe do galho,
durante o vendaval
Essa sou eu.
Vivendo instantes que não existem,
mas que se presumem.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Mau humor
Como faz tempo que não escrevo, era para eu estar postando algo bonito, profundo, poético, ou o raio que o parta.
Mas não, estou num mau-humor do cão. E, antes de bater em alguém ou descarregar essa raiva toda em inocentes, prefiro escrever.
Escrever dizendo que, embora eu tenha tentado fazer de conta que todos os contratempos eram pequenos e passageiros, eles se tornaram em decepções nestes últimos meses. Parece que tudo o que eu havia planejado está sofrendo boicote. Eu tento, tento, e dou com os burros n'água.
O cancelamento da especialização que eu ia fazer, notícia essa que tive hoje, justo hoje, foi a gota no copo cheio. Foi a mais recente das vontades que não pude concretizar. E foram várias.
Mas tá, minha vida continua bem, tudo bem, tudo no lugar de sempre (que era exatamente o que eu não queria). Ok, mas vamos adiante.
"La vida es más compleja de lo que parece". É uma das últimas músicas do Drexler que ando escutando bastante.
E está feito o desabafo.
Mas não, estou num mau-humor do cão. E, antes de bater em alguém ou descarregar essa raiva toda em inocentes, prefiro escrever.
Escrever dizendo que, embora eu tenha tentado fazer de conta que todos os contratempos eram pequenos e passageiros, eles se tornaram em decepções nestes últimos meses. Parece que tudo o que eu havia planejado está sofrendo boicote. Eu tento, tento, e dou com os burros n'água.
O cancelamento da especialização que eu ia fazer, notícia essa que tive hoje, justo hoje, foi a gota no copo cheio. Foi a mais recente das vontades que não pude concretizar. E foram várias.
Mas tá, minha vida continua bem, tudo bem, tudo no lugar de sempre (que era exatamente o que eu não queria). Ok, mas vamos adiante.
"La vida es más compleja de lo que parece". É uma das últimas músicas do Drexler que ando escutando bastante.
E está feito o desabafo.
terça-feira, 23 de março de 2010
Hermana Duda, dame un respiro
Hermana Duda
(Jorge Drexler)
No tengo a quién rezarle
pidiendo luz,
ando tanteando el espacio a ciegas
No me malinterpreten
no estoy quejándome,
soy jardinero de mis dilemas
Hermana duda,
pasarán los años,
cambiarán las modas,
vendrán otras guerras,
perderán los mismos
y ojalá que tú
sigas teniéndome a tiro,
pero esta noche,
hermana duda,
hermana duda,
dame un respiro.
No tengo a quién culpar
que no sea yo
con mi reguero de cabos sueltos
No me malinterpreten,
lo llevo bien,
o por lo menos hago el intento.
Hermana duda,
pasarán los discos,
subirán las aguas,
cambiarán las crisis,
pagarán los mismos
y ojalá que tú
sigas mordiendo mi lengua,
pero esta noche,
hermana duda,
hermana duda,
dame una tregua.
Hermana duda,
pasarán los años,
cambiarán las modas,
vendrán otras guerras,
perderán los mismos
y ojalá que tú
sigas teniéndome a tiro,
pero esta noche,
hermana duda,
sólo esta noche,
dame un respiro.
(Duda, pra quem não sabe, significa 'dúvida' em espanhol)
(Jorge Drexler)
No tengo a quién rezarle
pidiendo luz,
ando tanteando el espacio a ciegas
No me malinterpreten
no estoy quejándome,
soy jardinero de mis dilemas
Hermana duda,
pasarán los años,
cambiarán las modas,
vendrán otras guerras,
perderán los mismos
y ojalá que tú
sigas teniéndome a tiro,
pero esta noche,
hermana duda,
hermana duda,
dame un respiro.
No tengo a quién culpar
que no sea yo
con mi reguero de cabos sueltos
No me malinterpreten,
lo llevo bien,
o por lo menos hago el intento.
Hermana duda,
pasarán los discos,
subirán las aguas,
cambiarán las crisis,
pagarán los mismos
y ojalá que tú
sigas mordiendo mi lengua,
pero esta noche,
hermana duda,
hermana duda,
dame una tregua.
Hermana duda,
pasarán los años,
cambiarán las modas,
vendrán otras guerras,
perderán los mismos
y ojalá que tú
sigas teniéndome a tiro,
pero esta noche,
hermana duda,
sólo esta noche,
dame un respiro.
(Duda, pra quem não sabe, significa 'dúvida' em espanhol)
segunda-feira, 22 de março de 2010
Reflexos e reflexões sobre mim
(num dia em que estou completamente descrente e pessimista)
De vez em quando, eu reacesso, reacendo palavras já ditas, ouvidas, escritas, lidas. Funciona como um espelho: eu sempre me espanto.
***
Eu estou decretando falência à minha insistente mania de querer confiar cegamente nas pessoas. O que é lamentável, me deixa triste. Parece que é parte de minha juventude, de minha visão utópica sobre o mundo que acabo perdendo com essa nova postura.
***
No momento em que mais precisei, todos me olharam de cima de um pedestal. Todos. Mas, no final das contas, acho que fui eu que adotei esse jeito de ficar agachada e fazer parecer com que todos sejam mais altos do que eu.
***
Eu queria poder não me sentir tão apática, inerte. Por essa razão mesmo é que eu não me desespero com doenças e catástrofes, é que eu não brigo por injustiças, é que eu não jogo controles remotos na porta, é que eu não mando ninguém longe, nem reclamo, nem brigo, nem nada.
***
Num futuro próximo, reacessarei, reacenderei as palavras deste post. E me espantarei. (Tomara).
De vez em quando, eu reacesso, reacendo palavras já ditas, ouvidas, escritas, lidas. Funciona como um espelho: eu sempre me espanto.
***
Eu estou decretando falência à minha insistente mania de querer confiar cegamente nas pessoas. O que é lamentável, me deixa triste. Parece que é parte de minha juventude, de minha visão utópica sobre o mundo que acabo perdendo com essa nova postura.
***
No momento em que mais precisei, todos me olharam de cima de um pedestal. Todos. Mas, no final das contas, acho que fui eu que adotei esse jeito de ficar agachada e fazer parecer com que todos sejam mais altos do que eu.
***
Eu queria poder não me sentir tão apática, inerte. Por essa razão mesmo é que eu não me desespero com doenças e catástrofes, é que eu não brigo por injustiças, é que eu não jogo controles remotos na porta, é que eu não mando ninguém longe, nem reclamo, nem brigo, nem nada.
***
Num futuro próximo, reacessarei, reacenderei as palavras deste post. E me espantarei. (Tomara).
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Lição sobre lógica e sufixos
(protagonizada por Augusto, meu filho de dois anos, quase três)
- Mamãe, quem é o bananeiro?
- É quem vende bananas, filho.
(...) Os olhinhos vidraram. Olharam pra dentro, eu acho, tentando visualizar o raciocínio. Logo:
- Mamãe, quem vende ovos é o ovoeiro?
***
- Mamãe, o que os passarinhos tão fazendo?
(Era entardecer, os passarinhos voavam alucinados atrás dos insetos)
- Estão caçando mosquitinhos.
- Por quê?
- Porque é a jantinha deles, filho.
(...) Nova pausa. Os olhinhos vidraram de novo e, logo, a pergunta:
- Mamãe, depois os passarinhos vão tomar guaraná de mosquitinho?
- Mamãe, quem é o bananeiro?
- É quem vende bananas, filho.
(...) Os olhinhos vidraram. Olharam pra dentro, eu acho, tentando visualizar o raciocínio. Logo:
- Mamãe, quem vende ovos é o ovoeiro?
***
- Mamãe, o que os passarinhos tão fazendo?
(Era entardecer, os passarinhos voavam alucinados atrás dos insetos)
- Estão caçando mosquitinhos.
- Por quê?
- Porque é a jantinha deles, filho.
(...) Nova pausa. Os olhinhos vidraram de novo e, logo, a pergunta:
- Mamãe, depois os passarinhos vão tomar guaraná de mosquitinho?
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Ossos do ofício
Se você já leu qualquer livro de literatura estrangeira, de Dan Brown a Dostoiévski, pergunto: o que achou da tradução feita?
É uma pergunta difícil de ser respondida. A não ser que você conheça a obra no idioma original. Mas, de qualquer forma, é quase improvável que você tenha pensado de fato na mão do tradutor naquele livro ali. Geralmente, a gente pensa: o livro é bom, é ruim, o autor é bom, é ruim, gostei, ou não gostei. Ponto final. Mas, e se o autor for bom e a tradução for ruim? E se o livro de que você gostou tanto era “mais ou menos” e o tradutor fez um trabalho legal?
A minha preocupação com esse ofício não é novidade, não a atribuam ao fato de que, ora bolas, vou fazer o bacharelado em tradução e por isso comecei a pensar no assunto. Durante minha licenciatura em Letras, estudei o tema também. Li um livro fantástico, chamado “Memórias de Tradutora”, que me despertou a atenção para essa questão. A autora, Rosa Freire D’aguiar, dizia que o tradutor é como um vidro: se faz um trabalho bom, ninguém enxerga, ninguém comenta; se faz um trabalho ruim, é como se o vidro estivesse sujo, todo mundo sabe (ou pelo menos imagina) que houve algum problema. E a tradução é um trabalho árduo: é necessário, em tal ofício, muito mais do que dominar dois idiomas; é preciso conhecer muito bem o idioma para o qual se está vertendo a obra, pois não adianta nada saber o que significa tal expressão se não souber qual é a expressão que melhor corresponde no idioma para o qual se está traduzindo. E aí, queixa-se Rosa Freire: “Tanto trabalho, em troca de quê? Às vezes tenho a impressão de praticar uma atividade clandestina: o reconhecimento intelectual e social do tradutor, embora crescente, ainda é modesto; é raríssimo que alguém, já não digo elogie, mas comente o seu trabalho. Certos críticos e mesmo certos editores têm um desprezo olímpico pelos tradutores.”
Falo sobre isso também porque li, na Revista Bravo, um texto (escrito pelo Fabrício Carpinejar) sobre o autor e tradutor Mário Faustino, ao qual foi atribuída “a valorização da recriação na tradução”. Está mais do que óbvio, traduzir é um processo de recriação. Buscar saídas para aquelas palavras ou expressões que não têm tradução na nossa língua. Traduzir é a procura incessante de alternativas. Como exemplo, cito o título “The catcher in the rye”, que foi traduzido para o português como “O apanhador no campo de centeio”, do Salinger, que citei no post anterior. O tradutor teve um trabalho imenso para chegar a esse título, ainda mais considerando as exigências do próprio autor.
Bom, enfim, eu sei bem onde estou me metendo.
E você, que provavelmente nunca tinha parado pra pensar nesse assunto, pelo menos comece a procurar, a se informar, no mínimo, do nome de quem fez a tradução daquele livro estrangeiro que você tanto adorou. O tradutor agradece.
***
A propósito, por que raios eu fui inventar de fazer o bacharelado em tradução? Explico:
Meu pai, que é uruguaio assim como minha mãe e minha irmã, reclamou-me um dia:
- Tenho duas filhas formadas em Letras (minha irmã também é professora de literatura) e nenhuma delas quis dar continuidade ao legado da família. Têm a faca e o queijo na mão (no caso, falar espanhol, crescemos falando esse idioma em casa) e não aproveitam!
Pois é. Aproveitando meu gosto pela literatura latino-americana e levando em consideração a reclamação de meu pai, resolvi encarar.
Quando eu tiver esse diploma na mão, é a eles, a meus pais, que o dedicarei.
É uma pergunta difícil de ser respondida. A não ser que você conheça a obra no idioma original. Mas, de qualquer forma, é quase improvável que você tenha pensado de fato na mão do tradutor naquele livro ali. Geralmente, a gente pensa: o livro é bom, é ruim, o autor é bom, é ruim, gostei, ou não gostei. Ponto final. Mas, e se o autor for bom e a tradução for ruim? E se o livro de que você gostou tanto era “mais ou menos” e o tradutor fez um trabalho legal?
A minha preocupação com esse ofício não é novidade, não a atribuam ao fato de que, ora bolas, vou fazer o bacharelado em tradução e por isso comecei a pensar no assunto. Durante minha licenciatura em Letras, estudei o tema também. Li um livro fantástico, chamado “Memórias de Tradutora”, que me despertou a atenção para essa questão. A autora, Rosa Freire D’aguiar, dizia que o tradutor é como um vidro: se faz um trabalho bom, ninguém enxerga, ninguém comenta; se faz um trabalho ruim, é como se o vidro estivesse sujo, todo mundo sabe (ou pelo menos imagina) que houve algum problema. E a tradução é um trabalho árduo: é necessário, em tal ofício, muito mais do que dominar dois idiomas; é preciso conhecer muito bem o idioma para o qual se está vertendo a obra, pois não adianta nada saber o que significa tal expressão se não souber qual é a expressão que melhor corresponde no idioma para o qual se está traduzindo. E aí, queixa-se Rosa Freire: “Tanto trabalho, em troca de quê? Às vezes tenho a impressão de praticar uma atividade clandestina: o reconhecimento intelectual e social do tradutor, embora crescente, ainda é modesto; é raríssimo que alguém, já não digo elogie, mas comente o seu trabalho. Certos críticos e mesmo certos editores têm um desprezo olímpico pelos tradutores.”
Falo sobre isso também porque li, na Revista Bravo, um texto (escrito pelo Fabrício Carpinejar) sobre o autor e tradutor Mário Faustino, ao qual foi atribuída “a valorização da recriação na tradução”. Está mais do que óbvio, traduzir é um processo de recriação. Buscar saídas para aquelas palavras ou expressões que não têm tradução na nossa língua. Traduzir é a procura incessante de alternativas. Como exemplo, cito o título “The catcher in the rye”, que foi traduzido para o português como “O apanhador no campo de centeio”, do Salinger, que citei no post anterior. O tradutor teve um trabalho imenso para chegar a esse título, ainda mais considerando as exigências do próprio autor.
Bom, enfim, eu sei bem onde estou me metendo.
E você, que provavelmente nunca tinha parado pra pensar nesse assunto, pelo menos comece a procurar, a se informar, no mínimo, do nome de quem fez a tradução daquele livro estrangeiro que você tanto adorou. O tradutor agradece.
***
A propósito, por que raios eu fui inventar de fazer o bacharelado em tradução? Explico:
Meu pai, que é uruguaio assim como minha mãe e minha irmã, reclamou-me um dia:
- Tenho duas filhas formadas em Letras (minha irmã também é professora de literatura) e nenhuma delas quis dar continuidade ao legado da família. Têm a faca e o queijo na mão (no caso, falar espanhol, crescemos falando esse idioma em casa) e não aproveitam!
Pois é. Aproveitando meu gosto pela literatura latino-americana e levando em consideração a reclamação de meu pai, resolvi encarar.
Quando eu tiver esse diploma na mão, é a eles, a meus pais, que o dedicarei.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Por causa de Salinger
Salinger, o autor de "O apanhador no campo de centeio", deu seu último suspiro no final de janeiro agora. Confesso (com culpa, confesso) que não o conhecia, até ler reportagens sobre sua morte. E me encantei, tanto com as matérias, quanto com o autor. Fiquei sabendo, também, que ele deixara de publicar no longínquo ano de 1965 (acho que é isso, mas se não for exatamente esse ano, é por aí). Passou anos na reclusão, sem aparecer, sem publicar, sem dar entrevistas.
Não que alguma coisa tenha a ver com a outra, mas, enfim, fiquei pensando que eu não escrevo neste blog desde novembro, eu acho... Resolvi voltar. Deixei de escrever por descuido, talvez.
Peço desculpas aos meus leitores... (Depois de um período de silêncio, descobri que eles existem! Sim, alguém me lê! E fiquei feliz com isso)
Bom, feita a introdução, vamos às atualizações:
"Quarto sem janelas", meu livro de poemas lançado em outubro do ano passado, está à venda. Quem quiser, tenho exemplares comigo, é só me contatar pelo meu email teresabam@gmail.com
2010 começa com uma boa notícia:
Resolvi que ia prestar vestibular na UFRGS, e... passei! Farei o Bacharelado em Letras - Espanhol, vou me habilitar como tradutora. Lá vou eu em busca de mais um diploma...
Li coisas bastante interessantes... Eça, Machado, Ligia Fagundes Telles, Ondjaki, descobri muita coisa legal.
E voltei a escrever.
Acho que já tá bom, né?
Inté mais.
Não que alguma coisa tenha a ver com a outra, mas, enfim, fiquei pensando que eu não escrevo neste blog desde novembro, eu acho... Resolvi voltar. Deixei de escrever por descuido, talvez.
Peço desculpas aos meus leitores... (Depois de um período de silêncio, descobri que eles existem! Sim, alguém me lê! E fiquei feliz com isso)
Bom, feita a introdução, vamos às atualizações:
"Quarto sem janelas", meu livro de poemas lançado em outubro do ano passado, está à venda. Quem quiser, tenho exemplares comigo, é só me contatar pelo meu email teresabam@gmail.com
2010 começa com uma boa notícia:
Resolvi que ia prestar vestibular na UFRGS, e... passei! Farei o Bacharelado em Letras - Espanhol, vou me habilitar como tradutora. Lá vou eu em busca de mais um diploma...
Li coisas bastante interessantes... Eça, Machado, Ligia Fagundes Telles, Ondjaki, descobri muita coisa legal.
E voltei a escrever.
Acho que já tá bom, né?
Inté mais.
Por onde andei
Fiz silêncio em dias de chuva
E quando houve vento,
lancei sussurros
Tive ternura
Pressa
Medo
Quis que a Terra parasse de girar
E, um dia, meus olhos refletiram
os fogos de artifício estourando no céu
Senti amor
sede
preguiça
Ultrapassei alguns sinais vermelhos
Corri perigo
Suspirei de alívio ao chegar
E de tudo que fiz
não importa o quando, o onde, o como
simplesmente
vivi.
E quando houve vento,
lancei sussurros
Tive ternura
Pressa
Medo
Quis que a Terra parasse de girar
E, um dia, meus olhos refletiram
os fogos de artifício estourando no céu
Senti amor
sede
preguiça
Ultrapassei alguns sinais vermelhos
Corri perigo
Suspirei de alívio ao chegar
E de tudo que fiz
não importa o quando, o onde, o como
simplesmente
vivi.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Só
Às vezes me sinto só, estranhamente só. Uma solidão repleta de presenças, de vozes, de assombros. Uma solidão forjada pela minha própria capacidade de concentração, de distanciamento. Estão todos ali presentes, inclusive meu corpo, mas eu imergi num abismo de lembranças, de vontades, de tentativas ilusórias.
Eu invento redomas, muitas. Para ficar, de fora, imaginando como eu me comportaria dentro de cada uma delas.
Eu invento redomas, muitas. Para ficar, de fora, imaginando como eu me comportaria dentro de cada uma delas.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
(Re) descobertas
Tão bom quanto descobrir novos ambientes, novas pessoas, novas sensações, são as redescobertas.
Numa outra acepção possível da palavra: re-des-cobrir. Tirar a coberta de novo. Coberta essa que vamos tecendo com as mais complexas linhas de rotina (o que pode ser um paradoxo, complexidade e rotina) mas é isso, enfim, o que fazemos conosco. Quando vemos, estamos escondidos de nós mesmos.
É possível redescobrir-se num pacote de pipoca doce. Num copo de cerveja com coca-cola. Num livro odiado na adolescência e relido com prazer. Numa rua por onde sempre andamos, mas num certo dia, a trilhamos para ir a outro destino.
O poder está em nós mesmos, não nos outros. Mas a gente, às vezes, não aprende isso tão facilmente...
Numa outra acepção possível da palavra: re-des-cobrir. Tirar a coberta de novo. Coberta essa que vamos tecendo com as mais complexas linhas de rotina (o que pode ser um paradoxo, complexidade e rotina) mas é isso, enfim, o que fazemos conosco. Quando vemos, estamos escondidos de nós mesmos.
É possível redescobrir-se num pacote de pipoca doce. Num copo de cerveja com coca-cola. Num livro odiado na adolescência e relido com prazer. Numa rua por onde sempre andamos, mas num certo dia, a trilhamos para ir a outro destino.
O poder está em nós mesmos, não nos outros. Mas a gente, às vezes, não aprende isso tão facilmente...
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Aniversário
Ficar mais velhinha tem lá seus contraditórios, pode ser bom ou ruim, dependendo do lado que se analisa.
Eu fiquei mais velhinha e, este ano, meu aniversário está sendo um dia muito diferente. Mas, independente de qualquer coisa, eu adoooro comemorar. Ser abraçada é muito bom. Mesmo que virtualmente, como muitos que não puderam me ver...
Ter amigos, ter uma família linda, ter bons colegas é a melhor coisa do mundo. É chavão, eu sei, mas a gente insiste em esquecer disso. Eu insisto, às vezes, sem preceber. E que datas como as de hoje sirvam para me (nos) lembrar desse detalhe.
E, pra resumir tudo, concluo:
Estou feliz!!!
Eu fiquei mais velhinha e, este ano, meu aniversário está sendo um dia muito diferente. Mas, independente de qualquer coisa, eu adoooro comemorar. Ser abraçada é muito bom. Mesmo que virtualmente, como muitos que não puderam me ver...
Ter amigos, ter uma família linda, ter bons colegas é a melhor coisa do mundo. É chavão, eu sei, mas a gente insiste em esquecer disso. Eu insisto, às vezes, sem preceber. E que datas como as de hoje sirvam para me (nos) lembrar desse detalhe.
E, pra resumir tudo, concluo:
Estou feliz!!!
sábado, 24 de outubro de 2009
Exausta
Em homenagem aos últimos dias, que têm sido árduos...
Exausto
Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.
(Adélia Prado).
Exausto
Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.
(Adélia Prado).
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Pouca vogal é tudo de bom...
TENTENTENDER
Humberto Gessinger / Duca Leindecker
se eu disser que vi rastejar
a sombra do avião
feito cobra no chão
tent'entender minha alegria:
a sombra mostrou o que a luz escondia
se eu quiser ser mais direto
vou me perder
melhor deixar quieto
tent’entender, tent’enxergar
o meu olhar pela janela do avião
que amor era esse que não saiu do chão?
não saiu do lugar só fez rastejar o coração
se eu disser
que tive na mão a bola do jogo
não acredite
tent’entender minha ironia
se eu disser que já sabia
o jogo acabou de repente
o céu desabou sobre a gente
tent'entender: quero abrigo
e não consigo ser mais direto
que amor era esse que não saiu do chão?
não saiu do lugar só fez rastejar o coração
Humberto Gessinger / Duca Leindecker
se eu disser que vi rastejar
a sombra do avião
feito cobra no chão
tent'entender minha alegria:
a sombra mostrou o que a luz escondia
se eu quiser ser mais direto
vou me perder
melhor deixar quieto
tent’entender, tent’enxergar
o meu olhar pela janela do avião
que amor era esse que não saiu do chão?
não saiu do lugar só fez rastejar o coração
se eu disser
que tive na mão a bola do jogo
não acredite
tent’entender minha ironia
se eu disser que já sabia
o jogo acabou de repente
o céu desabou sobre a gente
tent'entender: quero abrigo
e não consigo ser mais direto
que amor era esse que não saiu do chão?
não saiu do lugar só fez rastejar o coração
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
domingo, 18 de outubro de 2009
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Eu e o Patrono da Feira de Gravataí
domingo, 4 de outubro de 2009
Deixa Eu me Perder
Vitor Ramil
Composição: Vitor Ramil e André Gomes
Deixa eu me perder
Pequeno mundo meu
Menos que esquecer
Ficar dizendo coisas
Que não me vêm
Ontem eu sumi
Parece estranho, eu sei
Mas escureceu
Pequeno mundo meu
Eu anoiteci
Perdido dentro da paisagem
O carro leva minha imagem
Não acho o que me dizer
Não sei o que quero achar
No rádio essa voz me diz
Que a vida é o melhor lugar
Pode ser
Tudo que eu segui
Viaja atrás de mim
Coisas, quando vêm
São coisas que se vão
Sem eu perceber
Amanhã também
Parece estranho, eu sei
Mas eu vou sair
Pequeno mundo meu
Deixa eu me perder
Perdido dentro da paisagem
O carro leva minha imagem
Não acho o que me dizer
Não sei o que quero achar
No rádio essa voz me diz
Que a vida é o melhor lugar
Pode ser
Deixa eu me perder
Composição: Vitor Ramil e André Gomes
Deixa eu me perder
Pequeno mundo meu
Menos que esquecer
Ficar dizendo coisas
Que não me vêm
Ontem eu sumi
Parece estranho, eu sei
Mas escureceu
Pequeno mundo meu
Eu anoiteci
Perdido dentro da paisagem
O carro leva minha imagem
Não acho o que me dizer
Não sei o que quero achar
No rádio essa voz me diz
Que a vida é o melhor lugar
Pode ser
Tudo que eu segui
Viaja atrás de mim
Coisas, quando vêm
São coisas que se vão
Sem eu perceber
Amanhã também
Parece estranho, eu sei
Mas eu vou sair
Pequeno mundo meu
Deixa eu me perder
Perdido dentro da paisagem
O carro leva minha imagem
Não acho o que me dizer
Não sei o que quero achar
No rádio essa voz me diz
Que a vida é o melhor lugar
Pode ser
Deixa eu me perder
sábado, 3 de outubro de 2009
Quarto sem janelas
Hoje, na Feira do Livro de Gravataí, às 15 horas, lançarei meu primeiro livro próprio, intitulado "Quarto sem janelas". Um pocket com trinta poemas, feito no susto.
Alguns me perguntarão: como assim? Vai lançar o primeiro livro próprio e não falou nada pra ninguém? Mas como?
Falei para poucos. Não sei se por vergonha (volta aquela sensação de ter cometido um crime, expor minhas palavras, que são tudo o que tenho de tão meu...) ou por tédio, ou, talvez, por esquecimento.
O fato é que, mesmo que eu proíba a entrada desde o título (avisando que é um quarto sem janelas) todos os que lá aparecerem adentrarão no mundo dos meus versos e os descortinarão.
Sintam-se todos convidados, embora o adiantado da hora.
Alguns me perguntarão: como assim? Vai lançar o primeiro livro próprio e não falou nada pra ninguém? Mas como?
Falei para poucos. Não sei se por vergonha (volta aquela sensação de ter cometido um crime, expor minhas palavras, que são tudo o que tenho de tão meu...) ou por tédio, ou, talvez, por esquecimento.
O fato é que, mesmo que eu proíba a entrada desde o título (avisando que é um quarto sem janelas) todos os que lá aparecerem adentrarão no mundo dos meus versos e os descortinarão.
Sintam-se todos convidados, embora o adiantado da hora.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Escárnio
No final das contas,
quem pediu um sorriso, não o fez por merecer.
A quem merecia, não pude dá-lo.
E quem o tinha, colocou-o fora,
transformou-o em lágrima.
Tem gente que diz que a vida é feita de escolhas.
Eu digo que é feita de não-escolhas.
De escárnio, melhor dizendo.
É isso aí.
quem pediu um sorriso, não o fez por merecer.
A quem merecia, não pude dá-lo.
E quem o tinha, colocou-o fora,
transformou-o em lágrima.
Tem gente que diz que a vida é feita de escolhas.
Eu digo que é feita de não-escolhas.
De escárnio, melhor dizendo.
É isso aí.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
O lugar
Guantánamo
Engenheiros do Hawaii
Composição: Gessinger/fonseca/ayala/aranha/pedro A.
Quem foi que disse "te quero"?
Qual era mesmo a canção?
Quem viu a cor do dinheiro?
Qual a melhor tradução?
Quem foi ao rio de janeiro?
Qual era a intenção?
Qual foi o dia e a hora?
Quem foi embora... adeus
- Me tira daqui
- Não adianta gritar
- Me ajuda a fugir
- Ninguém vai escutar
Não agüento mais... eu não sei a resposta
Não agüento mais... eu não sei a resposta
Quem sabe o que vem primeiro?
Quem sabe o que vem depois?
Quem cabe no mundo inteiro?
Quem mais além de nós dois?
Quem chama ao telefone?
Por que não bate na porta?
Que chama arde teu nome?
Será que alguém se importa?
- Me tira daqui
- Não adianta gritar
- Me ajuda a fugir
- Ninguém vai escutar
Não agüento mais... eu não sei a resposta
Não agüento mais... eu não sei a resposta
Qual é a droga que salva?
Qual é a dose letal?
Quem quer saber tudo isso
Será que agüenta a pressão?
Eu não sei a resposta
Eu não sei a resposta
Não agüento mais... eu não sei a resposta
Não agüento mais... eu não sei a resposta
Engenheiros do Hawaii
Composição: Gessinger/fonseca/ayala/aranha/pedro A.
Quem foi que disse "te quero"?
Qual era mesmo a canção?
Quem viu a cor do dinheiro?
Qual a melhor tradução?
Quem foi ao rio de janeiro?
Qual era a intenção?
Qual foi o dia e a hora?
Quem foi embora... adeus
- Me tira daqui
- Não adianta gritar
- Me ajuda a fugir
- Ninguém vai escutar
Não agüento mais... eu não sei a resposta
Não agüento mais... eu não sei a resposta
Quem sabe o que vem primeiro?
Quem sabe o que vem depois?
Quem cabe no mundo inteiro?
Quem mais além de nós dois?
Quem chama ao telefone?
Por que não bate na porta?
Que chama arde teu nome?
Será que alguém se importa?
- Me tira daqui
- Não adianta gritar
- Me ajuda a fugir
- Ninguém vai escutar
Não agüento mais... eu não sei a resposta
Não agüento mais... eu não sei a resposta
Qual é a droga que salva?
Qual é a dose letal?
Quem quer saber tudo isso
Será que agüenta a pressão?
Eu não sei a resposta
Eu não sei a resposta
Não agüento mais... eu não sei a resposta
Não agüento mais... eu não sei a resposta
terça-feira, 28 de julho de 2009
Chinelinhos
Estando no pé de uma jovem moça, na praia de Copacabana, eles seriam de marca, com estilo e muito caros.
No outdoor à beira da avenida movimentada, seriam estímulo à compra ou anúncio de tendência para o verão.
Na porta da casa, à espera dos pés de seu dono, transformar-se-iam em convite ao aconchego.
Sob a cama, ao lado de outro par, uma confissão de cumplicidade.
Mas não foi em nenhum desses lugares que os vi.
Os chinelinhos de tiras pretas estavam sustentando os pés de um menino magrinho, de bermuda, que corria pelo meio da rua. Era um dia de inverno, frio. Fora do ônibus onde eu estava, fazia uns cinco graus.
Eu senti vergonha das minhas meias. Foi o único que pude fazer, pelo menos naquele momento.
No outdoor à beira da avenida movimentada, seriam estímulo à compra ou anúncio de tendência para o verão.
Na porta da casa, à espera dos pés de seu dono, transformar-se-iam em convite ao aconchego.
Sob a cama, ao lado de outro par, uma confissão de cumplicidade.
Mas não foi em nenhum desses lugares que os vi.
Os chinelinhos de tiras pretas estavam sustentando os pés de um menino magrinho, de bermuda, que corria pelo meio da rua. Era um dia de inverno, frio. Fora do ônibus onde eu estava, fazia uns cinco graus.
Eu senti vergonha das minhas meias. Foi o único que pude fazer, pelo menos naquele momento.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Ciladas
E aquelas palavras
de ontem
tornaram-se ciladas
"Nunca vou ser como minha mãe
Jamais comerei melancia
Meu filho não chupará bico
Eu nunca me acomodarei
Deixar de ouvir rock? Jamais!
E nem cortarei meus cabelos muito curtos...
Não terei dias tristes
Dispensarei sempre o agasalho a mais
E nunca vou gostar de tomar café."
É, aquelas palavras de ontem
não me aprisionaram,
mas me fizeram emboscadas.
E eu retomo o verbo
trituro, reciclo
faço novas promessas
e amanhã penso
Em como me salvar.
de ontem
tornaram-se ciladas
"Nunca vou ser como minha mãe
Jamais comerei melancia
Meu filho não chupará bico
Eu nunca me acomodarei
Deixar de ouvir rock? Jamais!
E nem cortarei meus cabelos muito curtos...
Não terei dias tristes
Dispensarei sempre o agasalho a mais
E nunca vou gostar de tomar café."
É, aquelas palavras de ontem
não me aprisionaram,
mas me fizeram emboscadas.
E eu retomo o verbo
trituro, reciclo
faço novas promessas
e amanhã penso
Em como me salvar.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Tem mais? Tem sim, senhor!
Senhoras e senhores!
Hoje é dia do super, hiper, mega bonito ficar um dia mais "experiente"!
Manoo, parabéns pelo teu niver!
E obrigada por ter me carregado no colo, por ter aturado minhas chatices de caçula, por ser meu conselheiro, meu parceiro de alegrias e tristezas, por seu meu irmão tão querido!
Te amo!
***
Ontem correu tudo bem na minha micro-cirugia (sei lá se está certo esse hífen). Depois de alguns dias de apreensão e de silêncio, posso voltar a poetar.
Hoje é dia do super, hiper, mega bonito ficar um dia mais "experiente"!
Manoo, parabéns pelo teu niver!
E obrigada por ter me carregado no colo, por ter aturado minhas chatices de caçula, por ser meu conselheiro, meu parceiro de alegrias e tristezas, por seu meu irmão tão querido!
Te amo!
***
Ontem correu tudo bem na minha micro-cirugia (sei lá se está certo esse hífen). Depois de alguns dias de apreensão e de silêncio, posso voltar a poetar.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Mês de festa!
Julho é mês de festa!
Maria Fê, parabéns pelo teu niverrrrr!
Duli, pra você também, parabéns!!!
Ô gente que gosta de fazer aniversário todo ano, hein!
E vou aproveitar e mandar beijos pra todos, para os que estão e para os que não estão de aniver!
Smack
Maria Fê, parabéns pelo teu niverrrrr!
Duli, pra você também, parabéns!!!
Ô gente que gosta de fazer aniversário todo ano, hein!
E vou aproveitar e mandar beijos pra todos, para os que estão e para os que não estão de aniver!
Smack
terça-feira, 7 de julho de 2009
Retratação
Tudo bem que a correria é implacável, que a gente se perde em meio a tantas tarefas, que a vida vai passando e a gente nem se dá conta.
Mas esquecer o aniversário de amigos queridos não dá! Não dá!
Rafa, meu pedido público de desculpas aqui, viu... Feliz aniversário e muitíssimas felicidades!
Mas esquecer o aniversário de amigos queridos não dá! Não dá!
Rafa, meu pedido público de desculpas aqui, viu... Feliz aniversário e muitíssimas felicidades!
sexta-feira, 3 de julho de 2009
quinta-feira, 25 de junho de 2009
A tal da melancolia
Acusaram-me de melancólica, esta semana.
Talvez devesse participar daquele evento que anunciaste em teu blog, Lisi!
Mas é muito mais profundo do que isso.
Tão profundo que eu nem saberia explicar...
Pode ser trabalho demais, amor de menos, paciência no limite, saudades, ouvido cansado, cabelo não-cortado, falta de ferro no sangue, céu cinzento, sapato que aperta, jogo perdido, esperança frustrada de voar, picada de mosquito, dor de dente, fim de um livro lido, tesoura sem fio, rua esburacada, sinaleira piscante, preço do quilo de batata, caderno em branco, memória viva, telefone sem bateria,
ah, sei lá.
Votem a causa mais provável e me digam depois. Porque eu, sinceramente, não saberia precisar.
Talvez devesse participar daquele evento que anunciaste em teu blog, Lisi!
Mas é muito mais profundo do que isso.
Tão profundo que eu nem saberia explicar...
Pode ser trabalho demais, amor de menos, paciência no limite, saudades, ouvido cansado, cabelo não-cortado, falta de ferro no sangue, céu cinzento, sapato que aperta, jogo perdido, esperança frustrada de voar, picada de mosquito, dor de dente, fim de um livro lido, tesoura sem fio, rua esburacada, sinaleira piscante, preço do quilo de batata, caderno em branco, memória viva, telefone sem bateria,
ah, sei lá.
Votem a causa mais provável e me digam depois. Porque eu, sinceramente, não saberia precisar.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
América Central
(essa é pra quem entende um pouquinho de espanhol)
Yo salgo de Guatemala
Y entro en Guate peor.
Humpf!
Yo salgo de Guatemala
Y entro en Guate peor.
Humpf!
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Acontece comigo
- Quer ajuda?
Por que só me perguntam isso quando estou terminando de fazer alguma coisa?????????????
Por que só me perguntam isso quando estou terminando de fazer alguma coisa?????????????
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Partida
Falta vento
nas cortinas azuis da janela
da sala
Não há vaso
sob as flores agora murchas
da mesa
O controle remoto
busca em desespero
a tevê
Há cansaço profundo
na porta
que não se abre
A casa não era mais engraçada
Ela tinha teto
E mais nada.
(um pouco triste, eu sei, para um fim de semana, mas vamos lá)
nas cortinas azuis da janela
da sala
Não há vaso
sob as flores agora murchas
da mesa
O controle remoto
busca em desespero
a tevê
Há cansaço profundo
na porta
que não se abre
A casa não era mais engraçada
Ela tinha teto
E mais nada.
(um pouco triste, eu sei, para um fim de semana, mas vamos lá)
terça-feira, 9 de junho de 2009
(Re) Verso
A luz tá desligada.
Eu tenho medo de escuro.
Tem um monstro debaixo da minha cama.
Eu tenho medo de monstros!!!
Tá todo mundo dormindo.
Só eu de olhos abertos.
Tá chovendo.
Será que vai dar trovão?
Me tapo com o cobertor até a cabeça.
Acho que ouvi um barulho.
Vou lá dormir entre eles!
... ... ... ...
(passos curtos, de meia, no chão, não fazem barulho)
Peço um canto pro Urso Teddy e sussurro bem baixinho: filho, posso dormir contigo, segurando tua mão?
(Ele se vira de lado, segura minha orelha e suspira)
E tudo fica bem.
Eu tenho medo de escuro.
Tem um monstro debaixo da minha cama.
Eu tenho medo de monstros!!!
Tá todo mundo dormindo.
Só eu de olhos abertos.
Tá chovendo.
Será que vai dar trovão?
Me tapo com o cobertor até a cabeça.
Acho que ouvi um barulho.
Vou lá dormir entre eles!
... ... ... ...
(passos curtos, de meia, no chão, não fazem barulho)
Peço um canto pro Urso Teddy e sussurro bem baixinho: filho, posso dormir contigo, segurando tua mão?
(Ele se vira de lado, segura minha orelha e suspira)
E tudo fica bem.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
O dia que eu apaguei (por antecipação) do calendário
Cena 1:
- Alô?
- Oi, Tere, sou eu, a Adri! To te esperando, que horas tu vai chegar?
- Chegar aonde?
- Ué, tu não disse que vinha almoçar aqui em casa hoje?
- !!!!!!!
***
Cena 2:
(quinze minutos depois da Cena 1)
- Alô, Ana, é a Tere, que horas tu vai chegar hoje, pra ficar com o Augusto?
- Ué, não tínhamos combinado que tu ia me dar folga hoje?
- !!!!!!!
***
Cena 3:
(final de expediente)
- Tchau, to indo embora, até amanhã.
- Ô Teresa, tu esqueceu que hoje tem evento à noite e que tu vai ter que trabalhar até as dez da noite?
- !!!!!!!
***
É, tem dias que a gente deveria apagar do calendário. Ou então, verificar se a cabeça está bem grudada no pescoço, que é pra não esquecê-la também.
- Alô?
- Oi, Tere, sou eu, a Adri! To te esperando, que horas tu vai chegar?
- Chegar aonde?
- Ué, tu não disse que vinha almoçar aqui em casa hoje?
- !!!!!!!
***
Cena 2:
(quinze minutos depois da Cena 1)
- Alô, Ana, é a Tere, que horas tu vai chegar hoje, pra ficar com o Augusto?
- Ué, não tínhamos combinado que tu ia me dar folga hoje?
- !!!!!!!
***
Cena 3:
(final de expediente)
- Tchau, to indo embora, até amanhã.
- Ô Teresa, tu esqueceu que hoje tem evento à noite e que tu vai ter que trabalhar até as dez da noite?
- !!!!!!!
***
É, tem dias que a gente deveria apagar do calendário. Ou então, verificar se a cabeça está bem grudada no pescoço, que é pra não esquecê-la também.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Reflexões, inutilidades e palavras
Dizem que, para ser um escritor, é preciso observar o mundo. Eu olho. Mas eu fixo minha atenção no que me rodeia da mesma forma como se tenta observar uma mosca grudada na hélice de um ventilador em movimento.
Olhar para dentro não me é muito diferente. São tantos mundos dentro de mim, o que tenho e os que quero, que os olhar de forma linear é tão pouco plausível quanto manter uma taça intacta sobre a estante num dia de terremoto.
No fundo, no fundo, eu queria justificar a minha completa inaptidão para a escrita. Pensei nisso hoje de manhã, ao segurar um açucareiro cheio de formigas e ao me assombrar por não tê-las visto antes ali. Nâo que uma coisa se relacione à outra, mas, enfim, me ocorreu a ideia de que não sou nada observadora. E lembrei-me da voz de um excelente escritor sentenciando-me: não se pode ser escritor sem ser observador.
E aí, fica a pergunta: quem tem razão?
Não tenho resposta. Tenho taças, terremotos, moscas e ventiladores. E, vez por outra, faço todos esses conviverem em alguma coisa que escrevo por aí. Acho que nisso reside, não o segredo da escrita, mas o segredo da vida. E desvendar esse mesmo mistério, todos os dias, é a tarefa árdua que nos cabe, sendo observadores, escritores, leitores, ou não.
Olhar para dentro não me é muito diferente. São tantos mundos dentro de mim, o que tenho e os que quero, que os olhar de forma linear é tão pouco plausível quanto manter uma taça intacta sobre a estante num dia de terremoto.
No fundo, no fundo, eu queria justificar a minha completa inaptidão para a escrita. Pensei nisso hoje de manhã, ao segurar um açucareiro cheio de formigas e ao me assombrar por não tê-las visto antes ali. Nâo que uma coisa se relacione à outra, mas, enfim, me ocorreu a ideia de que não sou nada observadora. E lembrei-me da voz de um excelente escritor sentenciando-me: não se pode ser escritor sem ser observador.
E aí, fica a pergunta: quem tem razão?
Não tenho resposta. Tenho taças, terremotos, moscas e ventiladores. E, vez por outra, faço todos esses conviverem em alguma coisa que escrevo por aí. Acho que nisso reside, não o segredo da escrita, mas o segredo da vida. E desvendar esse mesmo mistério, todos os dias, é a tarefa árdua que nos cabe, sendo observadores, escritores, leitores, ou não.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Essencialmente metafórica
Milan Kundera já disse, uma vez, para ter cuidado com as metáforas. "Pois o amor pode nascer de uma simples metáfora."
Bem, se ele assim nasceu, pois que assim continue vivo. Com todos os seus ressignificados.
Bem, se ele assim nasceu, pois que assim continue vivo. Com todos os seus ressignificados.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Homenagem
Alguien
Alguien limpia la celda
de la tortura
que no quede la sangre
ni la amargura
alguien pone en los muros
el nombre de ella
ya no cabe en la noche
ninguna estrella
alguien limpia su rabia
con un consejo
y la deja brillante
como un espejo
alguien piensa hasta cuando
alguien camina
suenan lejos las risas
una bocina
y un gallo que propone
su canto en hora
mientras sube la angustia
la voladora
alguien piensa en afuera
que allá no hay plazo
piensa en niños de vida
y en un abrazo
alguien quiso ser justo
no tuvo suerte
es difícil la lucha
contra la muerte
alguien limpia la celda
de la tortura
lava la sangre pero
no la amargura.
Mario Benedetti
***
Fica aqui minha homenagem a Don Mario, autor uruguaio, falecido no domingo retrasado.
Um perda incomensurável para quem aprecia a literaruta, especialmente a latino-americana.
Quem quiser, pode clicar aqui e ler o que escreveu Saramago, a seu grande amigo.
Alguien limpia la celda
de la tortura
que no quede la sangre
ni la amargura
alguien pone en los muros
el nombre de ella
ya no cabe en la noche
ninguna estrella
alguien limpia su rabia
con un consejo
y la deja brillante
como un espejo
alguien piensa hasta cuando
alguien camina
suenan lejos las risas
una bocina
y un gallo que propone
su canto en hora
mientras sube la angustia
la voladora
alguien piensa en afuera
que allá no hay plazo
piensa en niños de vida
y en un abrazo
alguien quiso ser justo
no tuvo suerte
es difícil la lucha
contra la muerte
alguien limpia la celda
de la tortura
lava la sangre pero
no la amargura.
Mario Benedetti
***
Fica aqui minha homenagem a Don Mario, autor uruguaio, falecido no domingo retrasado.
Um perda incomensurável para quem aprecia a literaruta, especialmente a latino-americana.
Quem quiser, pode clicar aqui e ler o que escreveu Saramago, a seu grande amigo.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Ponto de vista
No lugar de estrelas,
luzes de postes
Em vez de céu,
vidro fumê.
(Preciso sair correndo daqui)
Teresa Azambuya
luzes de postes
Em vez de céu,
vidro fumê.
(Preciso sair correndo daqui)
Teresa Azambuya
terça-feira, 19 de maio de 2009
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Tomografia do poeta
Doutor,
é imprescindível
que eu faça esse exame?
Não haveria outra forma
de desvendar meu córtex
sem que seja preciso
invadir meu cérebro?
Sabe, não temo as agulhas
nem os equipamentos
Temo que o senhor descubra
meus pensamentos!
Que plageie meus versos!
Que, ao injetar o contraste,
Desvende minhas contradições!
Por favor, doutor,
deixe minhas ideias e minhas rimas
São o único que tenho
de tão meus.
***
(ai, que medo)
é imprescindível
que eu faça esse exame?
Não haveria outra forma
de desvendar meu córtex
sem que seja preciso
invadir meu cérebro?
Sabe, não temo as agulhas
nem os equipamentos
Temo que o senhor descubra
meus pensamentos!
Que plageie meus versos!
Que, ao injetar o contraste,
Desvende minhas contradições!
Por favor, doutor,
deixe minhas ideias e minhas rimas
São o único que tenho
de tão meus.
***
(ai, que medo)
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Quase
Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...
Momentos de alma que,desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Mário de Sá Carneiro
***
Obrigada, Laurene, pela perfeita indicação. Como você comentou, sim, este poema dialoga perfeitamente com o trecho que coloquei no post anterior. E com um certo "estar" de alguém.
***
Caroline, uma felicíssimo aniversário pra ti!!!
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...
Momentos de alma que,desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Mário de Sá Carneiro
***
Obrigada, Laurene, pela perfeita indicação. Como você comentou, sim, este poema dialoga perfeitamente com o trecho que coloquei no post anterior. E com um certo "estar" de alguém.
***
Caroline, uma felicíssimo aniversário pra ti!!!
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Meia culpa, meia própria culpa
"Nunca quis. Nem muito, nem parte. Nunca fui eu, nem dona, nem senhora. Sempre fiquei entre o meio e a metade. Nunca passei de meios caminhos, meios desejos, meia saudade. Daí o meu nome: Maria Metade."
(Mia Couto, o Fio das Miçangas, em "Meia culpa, meia própria culpa")
***
Dona Maria Metade passou a ser fração quando levantou-se do sofá estampado cor-de-rosa, de onde podia ver-se um limoeiro despontando seus frutos no mês de abril.
Foi embora e azedou.
(Mia Couto, o Fio das Miçangas, em "Meia culpa, meia própria culpa")
***
Dona Maria Metade passou a ser fração quando levantou-se do sofá estampado cor-de-rosa, de onde podia ver-se um limoeiro despontando seus frutos no mês de abril.
Foi embora e azedou.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Pra você. Viver mais.
Canção Pra Você Viver Mais
Pato Fu
Composição: Indisponível
Nunca pensei um dia chegar
E te ouvir dizer:
Não é por mal
Mas vou te fazer chorar
Hoje vou te fazer chorar
Não tenho muito tempo
Tenho medo de ser um só
Tenho medo de ser só um
Alguém pra se lembrar
Alguém pra se lembrar
Alguém pra se lembrar
Faz um tempo eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais
Faz um tempo que eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais
Deixei que tudo desaparecesse
E perto do fim
Não pude mais encontrar
O amor ainda estava lá
O amor ainda estava lá
Faz um tempo eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais (repete mais 3x)
Faz um tempo eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais
Faz um tempo eu quis
Faz um tempo eu quis
Você viver mais (6x)
Pato Fu
Composição: Indisponível
Nunca pensei um dia chegar
E te ouvir dizer:
Não é por mal
Mas vou te fazer chorar
Hoje vou te fazer chorar
Não tenho muito tempo
Tenho medo de ser um só
Tenho medo de ser só um
Alguém pra se lembrar
Alguém pra se lembrar
Alguém pra se lembrar
Faz um tempo eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais
Faz um tempo que eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais
Deixei que tudo desaparecesse
E perto do fim
Não pude mais encontrar
O amor ainda estava lá
O amor ainda estava lá
Faz um tempo eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais (repete mais 3x)
Faz um tempo eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais
Faz um tempo eu quis
Faz um tempo eu quis
Você viver mais (6x)
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Não grita
Domingo, fui parar no hospital, horas de soro, por conta de uma crise monstra de enxaqueca.
Chegando em casa, tudo bem, mas quem tem criança sabe que eles não entendem, coitadinhos, que a gente está doente. Querem atenção.
Num acesso de gritaria do Augusto, lá fui eu explicar:
- Filho, a mãezinha está com dor de cabeça, não grita, tá?
- Mamãe, fecha os zôio, mamãe!
- Mas filho, se eu fechar os olhos, vou ouvir igual os teus gritos. A gente escuta com os ouvidos, não com os olhos.
Ele pensou dois segundos e lá se foi, serelepe, a brincar. Não gritou mais.
Depois do jantar, eu ia lhe dar um pedacinho de chocolate. E me lembrei de um episódio do Bob Esponja, em que um dos peixes sai gritando desesperado atrás do vendedor de chocolate: "Chocolaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaate, eu quero chocolaaaaaaaaaaate"
Pronto, resolvi dar uma descontraída e disse:
- Gugu, vem comer chocolaaaaaaaaaaate!
A resposta:
- Mamãe, não guita que dói as zorêia.
Chegando em casa, tudo bem, mas quem tem criança sabe que eles não entendem, coitadinhos, que a gente está doente. Querem atenção.
Num acesso de gritaria do Augusto, lá fui eu explicar:
- Filho, a mãezinha está com dor de cabeça, não grita, tá?
- Mamãe, fecha os zôio, mamãe!
- Mas filho, se eu fechar os olhos, vou ouvir igual os teus gritos. A gente escuta com os ouvidos, não com os olhos.
Ele pensou dois segundos e lá se foi, serelepe, a brincar. Não gritou mais.
Depois do jantar, eu ia lhe dar um pedacinho de chocolate. E me lembrei de um episódio do Bob Esponja, em que um dos peixes sai gritando desesperado atrás do vendedor de chocolate: "Chocolaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaate, eu quero chocolaaaaaaaaaaate"
Pronto, resolvi dar uma descontraída e disse:
- Gugu, vem comer chocolaaaaaaaaaaate!
A resposta:
- Mamãe, não guita que dói as zorêia.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Lisi e Lau!
Foi ótimo passar a manhã com vocês, compartilhando nossas aventuras e desventuras e dando ótimas risadas!
Pode parecer meio, hummm, babaca, mas voltei no ônibus escutando esta música do Kiss, que posto a seguir, e achei que tinha mais ou menos a ver:
We Are One
Kiss
Composição: Gene Simmons
You are not alone but, how long can you run?
It's much to late if you don't know
What you've got 'til it'sgone
Once upon a time you were a child
But that was yesterday
Believed that magic in your heart
Would never fade away
But, hold your head up high
And let your spirits fly
Keep hope alive yes deep inside
And your dreams will never die
(Chorus 1)
We are one
Everywhere I go, everyone I see
And I see my face looking back at me
We are one
Everything I know, what I know is true
Everyone of us is inside of you
We are one (2x)
Ohh, take a breath, close your eyes
You're on the road again
And then you realize
They've brought you back to life again
Something's never change
But if you fantasize
You'll feel it deep inside yourself
And then you'll realize
When you feel it coming
When you hear the sound
You'll always laugh when you wanna cry
And then you'll know it deep inside
(Repeat Chorus)
You are me, I am you
What you see, is all true (it's all true)
You are me, I am you
What you see, is all true (it's all true)
(We are one) You are me, I am you (I am you)
(We are one) What you see, is all true (it's all true)
(We are one) You are me, I am you
(We are one) What you see, is all true, ohh, ooh, ohh
Com nossas dúvidas e certezas, com nossas incompreensões acerca da vida, com nossos gostos por livros, com nossas risadas e mau-humores sem motivos, com nosso não-raro estranhamento frente ao espelho, somos, afinal, aquelas que procuram ser felizes.
Obrigada por serem minhas amigas. Levo vocês no meu coração, sempre.
Foi ótimo passar a manhã com vocês, compartilhando nossas aventuras e desventuras e dando ótimas risadas!
Pode parecer meio, hummm, babaca, mas voltei no ônibus escutando esta música do Kiss, que posto a seguir, e achei que tinha mais ou menos a ver:
We Are One
Kiss
Composição: Gene Simmons
You are not alone but, how long can you run?
It's much to late if you don't know
What you've got 'til it'sgone
Once upon a time you were a child
But that was yesterday
Believed that magic in your heart
Would never fade away
But, hold your head up high
And let your spirits fly
Keep hope alive yes deep inside
And your dreams will never die
(Chorus 1)
We are one
Everywhere I go, everyone I see
And I see my face looking back at me
We are one
Everything I know, what I know is true
Everyone of us is inside of you
We are one (2x)
Ohh, take a breath, close your eyes
You're on the road again
And then you realize
They've brought you back to life again
Something's never change
But if you fantasize
You'll feel it deep inside yourself
And then you'll realize
When you feel it coming
When you hear the sound
You'll always laugh when you wanna cry
And then you'll know it deep inside
(Repeat Chorus)
You are me, I am you
What you see, is all true (it's all true)
You are me, I am you
What you see, is all true (it's all true)
(We are one) You are me, I am you (I am you)
(We are one) What you see, is all true (it's all true)
(We are one) You are me, I am you
(We are one) What you see, is all true, ohh, ooh, ohh
Com nossas dúvidas e certezas, com nossas incompreensões acerca da vida, com nossos gostos por livros, com nossas risadas e mau-humores sem motivos, com nosso não-raro estranhamento frente ao espelho, somos, afinal, aquelas que procuram ser felizes.
Obrigada por serem minhas amigas. Levo vocês no meu coração, sempre.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Facto e fato
Ouvi ontem, no noticiário, notícia sobre descontentamento dos portugueses com o tão falado Acordo Ortográfico. Há um movimento pras bandas de lá que está tentando liquidar com esse Acordo, ou seja, voltar à estaca zero. Vou me isentar de emitir qualquer opinião a respeito, pelo menos neste momento.
Não posso deixar de registrar, entretanto, o fato que me pareceu bastante interessante: as consoantes mudas caíram, segundo o Acordo. Essa regra não nos atinge significativamente, mas aos portugueses, sim. Então, a palavra "facto" (no sentido de acontecimento)passa a ser grafada "fato". Só que, pra eles, "fato", sem o "C" significa terno. E aí é uma confusão mesmo...
***
Com Acordo ou sem Acordo, é belo, belíssimo, ler literatura dos nossos países irmãos. Hoje estou lendo "O fio das missangas", de Mia Couto, escritor moçambicano. E que riqueza sua prosa poética, seus contos que fazem as vezes de missangas, entrelaçados por um tênue fio.
"Evelina: a bordadeira
(...)
Dizem que bordava aves como se, no tecido, ela transferisse o seu calcado voo. Recurvada, porém, Evelina, nunca olhava o céu. Mas isso não era o pior. Grave era ela nunca ter sido olhada pelo céu.
Às vezes, de intenção, ela se picava. Ficava a ver a gota engravidar no dedo. Depois, quando o vermelho se excedia, escorrediço, ela nem injuriava. Aquele sangue, fora do corpo, era o seu desvario, o convocar da amorosa mácula.
Em ocasiões, outras, sobre o pano pingavam cristalindas tristezas. Chorava a morte da mãe? Não. Evelina chorava a sua própria morte."
Lindo demais. É fato. Ou facto. Sei lá.
Não posso deixar de registrar, entretanto, o fato que me pareceu bastante interessante: as consoantes mudas caíram, segundo o Acordo. Essa regra não nos atinge significativamente, mas aos portugueses, sim. Então, a palavra "facto" (no sentido de acontecimento)passa a ser grafada "fato". Só que, pra eles, "fato", sem o "C" significa terno. E aí é uma confusão mesmo...
***
Com Acordo ou sem Acordo, é belo, belíssimo, ler literatura dos nossos países irmãos. Hoje estou lendo "O fio das missangas", de Mia Couto, escritor moçambicano. E que riqueza sua prosa poética, seus contos que fazem as vezes de missangas, entrelaçados por um tênue fio.
"Evelina: a bordadeira
(...)
Dizem que bordava aves como se, no tecido, ela transferisse o seu calcado voo. Recurvada, porém, Evelina, nunca olhava o céu. Mas isso não era o pior. Grave era ela nunca ter sido olhada pelo céu.
Às vezes, de intenção, ela se picava. Ficava a ver a gota engravidar no dedo. Depois, quando o vermelho se excedia, escorrediço, ela nem injuriava. Aquele sangue, fora do corpo, era o seu desvario, o convocar da amorosa mácula.
Em ocasiões, outras, sobre o pano pingavam cristalindas tristezas. Chorava a morte da mãe? Não. Evelina chorava a sua própria morte."
Lindo demais. É fato. Ou facto. Sei lá.
terça-feira, 14 de abril de 2009
Ripetendo
Le stesse parole
Le stesse parole
Le stesse parole
Non si può fare poesia
scrivendo
Le stesse parole
Le stesse parole
Le stesse parole
Non si può vivere
ascoltando
Le stesse parole
Le stesse parole
Le stesse parole
Mi fermo.
Teresa Azambuya
***
Já que o protesto da poesia acima é contra as mesmas palavras que sempre escuto, que sempre escrevo, está justificado o uso de outro idioma.
***
(Tradução de lambuja:)
Repetindo
As mesmas palavras
As mesmas palavras
As mesmas palavras
Não se pode fazer poesia
escrevendo
As mesmas palavras
As mesmas palavras
As mesmas palavras
Não se pode viver
escutando
As mesmas palavras
As mesmas palavras
As mesmas palavras
Vou parar.
Le stesse parole
Le stesse parole
Non si può fare poesia
scrivendo
Le stesse parole
Le stesse parole
Le stesse parole
Non si può vivere
ascoltando
Le stesse parole
Le stesse parole
Le stesse parole
Mi fermo.
Teresa Azambuya
***
Já que o protesto da poesia acima é contra as mesmas palavras que sempre escuto, que sempre escrevo, está justificado o uso de outro idioma.
***
(Tradução de lambuja:)
Repetindo
As mesmas palavras
As mesmas palavras
As mesmas palavras
Não se pode fazer poesia
escrevendo
As mesmas palavras
As mesmas palavras
As mesmas palavras
Não se pode viver
escutando
As mesmas palavras
As mesmas palavras
As mesmas palavras
Vou parar.
quinta-feira, 2 de abril de 2009

Para Augusto Azambuya Moretto
Amo
cada uma das moléculas tuas
que gerei
em nove pacenciosos meses.
E porque chorando,
aprendeste a sorrir
E porque crescendo,
aprendeste a andar
E porque tentando
aprendeste a falar
Amo-te
Porque assim, simplesmente existindo,
fazes com que meus dias
sejam sempre
augustos
como tu.
Te amo, feliz aniversário, meu docinho.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Dosagem
Num acesso de pseudo-lucidez
Cortei todos os
vínculos,
os vícios
e os vácuos.
Fiquei sem vez.
Vivendo sóbria e só
Vaticinei minha desgraça,
e resolvi mudar de voz.
Disfarço a permissividade
E vivo.
Teresa Azambuya
Cortei todos os
vínculos,
os vícios
e os vácuos.
Fiquei sem vez.
Vivendo sóbria e só
Vaticinei minha desgraça,
e resolvi mudar de voz.
Disfarço a permissividade
E vivo.
Teresa Azambuya
terça-feira, 31 de março de 2009
Das minhas paranóias
Eu pensei.
E fiquei achando que pensar nisso era errado
E então considerei que eu não poderia julgar isso errado ou certo
E daí concluí que pensar que era errado também era errado
E, no final das contas, acabei querendo contar minha paranóia a alguém.
Não tive coragem.
Porque achei que alguém julgaria errado o tal pensamento.
E pra que eu iria pedir uma segunda opinião sobre o que eu já tinha quase certeza?
Mas aí vi que minha certeza não era absoluta.
E fiquei imaginando que minha falta de coragem talvez fosse mais errada ainda do que o próprio pensamento.
E, errado por errado...
Bom, voltei a pensar.
***
"Quello che c'è in fondo al cuore non muore mai
se ci hai creduto una volta lo rifarai
se ci hai creduto davvero
come ci ho creduto io"
(L'aurora - Eros Ramazzotti)
E fiquei achando que pensar nisso era errado
E então considerei que eu não poderia julgar isso errado ou certo
E daí concluí que pensar que era errado também era errado
E, no final das contas, acabei querendo contar minha paranóia a alguém.
Não tive coragem.
Porque achei que alguém julgaria errado o tal pensamento.
E pra que eu iria pedir uma segunda opinião sobre o que eu já tinha quase certeza?
Mas aí vi que minha certeza não era absoluta.
E fiquei imaginando que minha falta de coragem talvez fosse mais errada ainda do que o próprio pensamento.
E, errado por errado...
Bom, voltei a pensar.
***
"Quello che c'è in fondo al cuore non muore mai
se ci hai creduto una volta lo rifarai
se ci hai creduto davvero
come ci ho creduto io"
(L'aurora - Eros Ramazzotti)
sexta-feira, 20 de março de 2009
Na defensiva
No ângulo de um muro, vi a moça que se encontra sentada sobre uma pilha de band-aids. Vive a vida assim, pronta para sanar qualquer ferida. Mas não se dá conta de que vê apenas de longe os carros passarem.
segunda-feira, 16 de março de 2009
Primeira briga
- Raios!
Tão intempestiva quanto o fenômeno,
foi a interjeição
que você trovoou.
E eu tive medo de você
tão de repente!
Que fiquei a olhar o seu rosto
em três pontos
reticentes...
Teresa Azambuya
Tão intempestiva quanto o fenômeno,
foi a interjeição
que você trovoou.
E eu tive medo de você
tão de repente!
Que fiquei a olhar o seu rosto
em três pontos
reticentes...
Teresa Azambuya
terça-feira, 10 de março de 2009
Ajoelhou, tem que rezar
Hoje caí de joelhos, ao descer do ônibus com o Augusto no colo. Literalmente, os dois joelhos no chão, completamente prostrada. Mas o Augusto, ah, ele eu segurei firme no meu colo: do mesmo jeitinho que ele estava antes de eu cair, ele ficou. Instinto de mãe...
Meu joelhos dóem, tenho dois enormes curativos (é, foi feia a coisa, machuquei pra valer), estou linda de vestido e de "joelheira", mas, enfim, a vida tem dessas coisas. O importante é que ele não se machucou, só levou um sustinho e disse:
- Mamãe caiu de joelho!
Agora só falta a oração.
Meu joelhos dóem, tenho dois enormes curativos (é, foi feia a coisa, machuquei pra valer), estou linda de vestido e de "joelheira", mas, enfim, a vida tem dessas coisas. O importante é que ele não se machucou, só levou um sustinho e disse:
- Mamãe caiu de joelho!
Agora só falta a oração.
quinta-feira, 5 de março de 2009
Monotonia
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