terça-feira, 23 de março de 2010

Hermana Duda, dame un respiro

Hermana Duda
(Jorge Drexler)


No tengo a quién rezarle
pidiendo luz,
ando tanteando el espacio a ciegas

No me malinterpreten
no estoy quejándome,
soy jardinero de mis dilemas

Hermana duda,
pasarán los años,
cambiarán las modas,
vendrán otras guerras,
perderán los mismos
y ojalá que tú
sigas teniéndome a tiro,
pero esta noche,
hermana duda,
hermana duda,
dame un respiro.

No tengo a quién culpar
que no sea yo
con mi reguero de cabos sueltos

No me malinterpreten,
lo llevo bien,
o por lo menos hago el intento.

Hermana duda,
pasarán los discos,
subirán las aguas,
cambiarán las crisis,
pagarán los mismos
y ojalá que tú
sigas mordiendo mi lengua,
pero esta noche,
hermana duda,
hermana duda,
dame una tregua.

Hermana duda,
pasarán los años,
cambiarán las modas,
vendrán otras guerras,
perderán los mismos
y ojalá que tú
sigas teniéndome a tiro,
pero esta noche,
hermana duda,
sólo esta noche,
dame un respiro.

(Duda, pra quem não sabe, significa 'dúvida' em espanhol)

segunda-feira, 22 de março de 2010

Reflexos e reflexões sobre mim

(num dia em que estou completamente descrente e pessimista)

De vez em quando, eu reacesso, reacendo palavras já ditas, ouvidas, escritas, lidas. Funciona como um espelho: eu sempre me espanto.

***

Eu estou decretando falência à minha insistente mania de querer confiar cegamente nas pessoas. O que é lamentável, me deixa triste. Parece que é parte de minha juventude, de minha visão utópica sobre o mundo que acabo perdendo com essa nova postura.

***

No momento em que mais precisei, todos me olharam de cima de um pedestal. Todos. Mas, no final das contas, acho que fui eu que adotei esse jeito de ficar agachada e fazer parecer com que todos sejam mais altos do que eu.

***

Eu queria poder não me sentir tão apática, inerte. Por essa razão mesmo é que eu não me desespero com doenças e catástrofes, é que eu não brigo por injustiças, é que eu não jogo controles remotos na porta, é que eu não mando ninguém longe, nem reclamo, nem brigo, nem nada.

***

Num futuro próximo, reacessarei, reacenderei as palavras deste post. E me espantarei. (Tomara).

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Lição sobre lógica e sufixos

(protagonizada por Augusto, meu filho de dois anos, quase três)

- Mamãe, quem é o bananeiro?
- É quem vende bananas, filho.

(...) Os olhinhos vidraram. Olharam pra dentro, eu acho, tentando visualizar o raciocínio. Logo:

- Mamãe, quem vende ovos é o ovoeiro?

***

- Mamãe, o que os passarinhos tão fazendo?
(Era entardecer, os passarinhos voavam alucinados atrás dos insetos)
- Estão caçando mosquitinhos.
- Por quê?
- Porque é a jantinha deles, filho.

(...) Nova pausa. Os olhinhos vidraram de novo e, logo, a pergunta:

- Mamãe, depois os passarinhos vão tomar guaraná de mosquitinho?

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Ossos do ofício

Se você já leu qualquer livro de literatura estrangeira, de Dan Brown a Dostoiévski, pergunto: o que achou da tradução feita?

É uma pergunta difícil de ser respondida. A não ser que você conheça a obra no idioma original. Mas, de qualquer forma, é quase improvável que você tenha pensado de fato na mão do tradutor naquele livro ali. Geralmente, a gente pensa: o livro é bom, é ruim, o autor é bom, é ruim, gostei, ou não gostei. Ponto final. Mas, e se o autor for bom e a tradução for ruim? E se o livro de que você gostou tanto era “mais ou menos” e o tradutor fez um trabalho legal?

A minha preocupação com esse ofício não é novidade, não a atribuam ao fato de que, ora bolas, vou fazer o bacharelado em tradução e por isso comecei a pensar no assunto. Durante minha licenciatura em Letras, estudei o tema também. Li um livro fantástico, chamado “Memórias de Tradutora”, que me despertou a atenção para essa questão. A autora, Rosa Freire D’aguiar, dizia que o tradutor é como um vidro: se faz um trabalho bom, ninguém enxerga, ninguém comenta; se faz um trabalho ruim, é como se o vidro estivesse sujo, todo mundo sabe (ou pelo menos imagina) que houve algum problema. E a tradução é um trabalho árduo: é necessário, em tal ofício, muito mais do que dominar dois idiomas; é preciso conhecer muito bem o idioma para o qual se está vertendo a obra, pois não adianta nada saber o que significa tal expressão se não souber qual é a expressão que melhor corresponde no idioma para o qual se está traduzindo. E aí, queixa-se Rosa Freire: “Tanto trabalho, em troca de quê? Às vezes tenho a impressão de praticar uma atividade clandestina: o reconhecimento intelectual e social do tradutor, embora crescente, ainda é modesto; é raríssimo que alguém, já não digo elogie, mas comente o seu trabalho. Certos críticos e mesmo certos editores têm um desprezo olímpico pelos tradutores.”

Falo sobre isso também porque li, na Revista Bravo, um texto (escrito pelo Fabrício Carpinejar) sobre o autor e tradutor Mário Faustino, ao qual foi atribuída “a valorização da recriação na tradução”. Está mais do que óbvio, traduzir é um processo de recriação. Buscar saídas para aquelas palavras ou expressões que não têm tradução na nossa língua. Traduzir é a procura incessante de alternativas. Como exemplo, cito o título “The catcher in the rye”, que foi traduzido para o português como “O apanhador no campo de centeio”, do Salinger, que citei no post anterior. O tradutor teve um trabalho imenso para chegar a esse título, ainda mais considerando as exigências do próprio autor.

Bom, enfim, eu sei bem onde estou me metendo.

E você, que provavelmente nunca tinha parado pra pensar nesse assunto, pelo menos comece a procurar, a se informar, no mínimo, do nome de quem fez a tradução daquele livro estrangeiro que você tanto adorou. O tradutor agradece.


***



A propósito, por que raios eu fui inventar de fazer o bacharelado em tradução? Explico:

Meu pai, que é uruguaio assim como minha mãe e minha irmã, reclamou-me um dia:

- Tenho duas filhas formadas em Letras (minha irmã também é professora de literatura) e nenhuma delas quis dar continuidade ao legado da família. Têm a faca e o queijo na mão (no caso, falar espanhol, crescemos falando esse idioma em casa) e não aproveitam!

Pois é. Aproveitando meu gosto pela literatura latino-americana e levando em consideração a reclamação de meu pai, resolvi encarar.

Quando eu tiver esse diploma na mão, é a eles, a meus pais, que o dedicarei.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Por causa de Salinger

Salinger, o autor de "O apanhador no campo de centeio", deu seu último suspiro no final de janeiro agora. Confesso (com culpa, confesso) que não o conhecia, até ler reportagens sobre sua morte. E me encantei, tanto com as matérias, quanto com o autor. Fiquei sabendo, também, que ele deixara de publicar no longínquo ano de 1965 (acho que é isso, mas se não for exatamente esse ano, é por aí). Passou anos na reclusão, sem aparecer, sem publicar, sem dar entrevistas.
Não que alguma coisa tenha a ver com a outra, mas, enfim, fiquei pensando que eu não escrevo neste blog desde novembro, eu acho... Resolvi voltar. Deixei de escrever por descuido, talvez.
Peço desculpas aos meus leitores... (Depois de um período de silêncio, descobri que eles existem! Sim, alguém me lê! E fiquei feliz com isso)

Bom, feita a introdução, vamos às atualizações:

"Quarto sem janelas", meu livro de poemas lançado em outubro do ano passado, está à venda. Quem quiser, tenho exemplares comigo, é só me contatar pelo meu email teresabam@gmail.com

2010 começa com uma boa notícia:
Resolvi que ia prestar vestibular na UFRGS, e... passei! Farei o Bacharelado em Letras - Espanhol, vou me habilitar como tradutora. Lá vou eu em busca de mais um diploma...

Li coisas bastante interessantes... Eça, Machado, Ligia Fagundes Telles, Ondjaki, descobri muita coisa legal.

E voltei a escrever.

Acho que já tá bom, né?

Inté mais.

Por onde andei

Fiz silêncio em dias de chuva
E quando houve vento,
lancei sussurros

Tive ternura
Pressa
Medo

Quis que a Terra parasse de girar
E, um dia, meus olhos refletiram
os fogos de artifício estourando no céu

Senti amor
sede
preguiça

Ultrapassei alguns sinais vermelhos
Corri perigo
Suspirei de alívio ao chegar

E de tudo que fiz
não importa o quando, o onde, o como

simplesmente
vivi.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Às vezes me sinto só, estranhamente só. Uma solidão repleta de presenças, de vozes, de assombros. Uma solidão forjada pela minha própria capacidade de concentração, de distanciamento. Estão todos ali presentes, inclusive meu corpo, mas eu imergi num abismo de lembranças, de vontades, de tentativas ilusórias.

Eu invento redomas, muitas. Para ficar, de fora, imaginando como eu me comportaria dentro de cada uma delas.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

(Re) descobertas

Tão bom quanto descobrir novos ambientes, novas pessoas, novas sensações, são as redescobertas.

Numa outra acepção possível da palavra: re-des-cobrir. Tirar a coberta de novo. Coberta essa que vamos tecendo com as mais complexas linhas de rotina (o que pode ser um paradoxo, complexidade e rotina) mas é isso, enfim, o que fazemos conosco. Quando vemos, estamos escondidos de nós mesmos.

É possível redescobrir-se num pacote de pipoca doce. Num copo de cerveja com coca-cola. Num livro odiado na adolescência e relido com prazer. Numa rua por onde sempre andamos, mas num certo dia, a trilhamos para ir a outro destino.

O poder está em nós mesmos, não nos outros. Mas a gente, às vezes, não aprende isso tão facilmente...

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Aniversário

Ficar mais velhinha tem lá seus contraditórios, pode ser bom ou ruim, dependendo do lado que se analisa.
Eu fiquei mais velhinha e, este ano, meu aniversário está sendo um dia muito diferente. Mas, independente de qualquer coisa, eu adoooro comemorar. Ser abraçada é muito bom. Mesmo que virtualmente, como muitos que não puderam me ver...

Ter amigos, ter uma família linda, ter bons colegas é a melhor coisa do mundo. É chavão, eu sei, mas a gente insiste em esquecer disso. Eu insisto, às vezes, sem preceber. E que datas como as de hoje sirvam para me (nos) lembrar desse detalhe.

E, pra resumir tudo, concluo:

Estou feliz!!!

sábado, 24 de outubro de 2009

Exausta

Em homenagem aos últimos dias, que têm sido árduos...

Exausto


Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.


(Adélia Prado).

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Pouca vogal é tudo de bom...

TENTENTENDER
Humberto Gessinger / Duca Leindecker


se eu disser que vi rastejar
a sombra do avião
feito cobra no chão
tent'entender minha alegria:
a sombra mostrou o que a luz escondia

se eu quiser ser mais direto
vou me perder
melhor deixar quieto
tent’entender, tent’enxergar
o meu olhar pela janela do avião

que amor era esse que não saiu do chão?
não saiu do lugar só fez rastejar o coração

se eu disser
que tive na mão a bola do jogo
não acredite
tent’entender minha ironia
se eu disser que já sabia

o jogo acabou de repente
o céu desabou sobre a gente
tent'entender: quero abrigo
e não consigo ser mais direto

que amor era esse que não saiu do chão?
não saiu do lugar só fez rastejar o coração

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Das tantas contradições

O excesso de espelhos revelou essência:
invisibilidade.

domingo, 18 de outubro de 2009

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Dá pra voltar no tempo?
Pra lembrar, ou pra esquecer?

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Eu e o Patrono da Feira de Gravataí

Olha aí, eu e o Duca Leindecker!



É claro, ele ganhou um livro autografado da ilustre escritora gravataiense!

haha

domingo, 4 de outubro de 2009

Deixa Eu me Perder

Vitor Ramil
Composição: Vitor Ramil e André Gomes

Deixa eu me perder
Pequeno mundo meu
Menos que esquecer
Ficar dizendo coisas
Que não me vêm

Ontem eu sumi
Parece estranho, eu sei
Mas escureceu
Pequeno mundo meu
Eu anoiteci

Perdido dentro da paisagem
O carro leva minha imagem
Não acho o que me dizer
Não sei o que quero achar
No rádio essa voz me diz
Que a vida é o melhor lugar
Pode ser

Tudo que eu segui
Viaja atrás de mim
Coisas, quando vêm
São coisas que se vão
Sem eu perceber

Amanhã também
Parece estranho, eu sei
Mas eu vou sair
Pequeno mundo meu
Deixa eu me perder

Perdido dentro da paisagem
O carro leva minha imagem
Não acho o que me dizer
Não sei o que quero achar
No rádio essa voz me diz
Que a vida é o melhor lugar
Pode ser

Deixa eu me perder

sábado, 3 de outubro de 2009

Quarto sem janelas

Hoje, na Feira do Livro de Gravataí, às 15 horas, lançarei meu primeiro livro próprio, intitulado "Quarto sem janelas". Um pocket com trinta poemas, feito no susto.

Alguns me perguntarão: como assim? Vai lançar o primeiro livro próprio e não falou nada pra ninguém? Mas como?

Falei para poucos. Não sei se por vergonha (volta aquela sensação de ter cometido um crime, expor minhas palavras, que são tudo o que tenho de tão meu...) ou por tédio, ou, talvez, por esquecimento.

O fato é que, mesmo que eu proíba a entrada desde o título (avisando que é um quarto sem janelas) todos os que lá aparecerem adentrarão no mundo dos meus versos e os descortinarão.

Sintam-se todos convidados, embora o adiantado da hora.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Escárnio

No final das contas,
quem pediu um sorriso, não o fez por merecer.
A quem merecia, não pude dá-lo.
E quem o tinha, colocou-o fora,
transformou-o em lágrima.

Tem gente que diz que a vida é feita de escolhas.
Eu digo que é feita de não-escolhas.
De escárnio, melhor dizendo.

É isso aí.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O lugar

Guantánamo

Engenheiros do Hawaii
Composição: Gessinger/fonseca/ayala/aranha/pedro A.

Quem foi que disse "te quero"?
Qual era mesmo a canção?
Quem viu a cor do dinheiro?
Qual a melhor tradução?
Quem foi ao rio de janeiro?
Qual era a intenção?
Qual foi o dia e a hora?
Quem foi embora... adeus

- Me tira daqui
- Não adianta gritar
- Me ajuda a fugir
- Ninguém vai escutar

Não agüento mais... eu não sei a resposta
Não agüento mais... eu não sei a resposta

Quem sabe o que vem primeiro?
Quem sabe o que vem depois?
Quem cabe no mundo inteiro?
Quem mais além de nós dois?
Quem chama ao telefone?
Por que não bate na porta?
Que chama arde teu nome?
Será que alguém se importa?

- Me tira daqui
- Não adianta gritar
- Me ajuda a fugir
- Ninguém vai escutar

Não agüento mais... eu não sei a resposta
Não agüento mais... eu não sei a resposta

Qual é a droga que salva?
Qual é a dose letal?
Quem quer saber tudo isso
Será que agüenta a pressão?

Eu não sei a resposta
Eu não sei a resposta

Não agüento mais... eu não sei a resposta
Não agüento mais... eu não sei a resposta

terça-feira, 28 de julho de 2009

Chinelinhos

Estando no pé de uma jovem moça, na praia de Copacabana, eles seriam de marca, com estilo e muito caros.
No outdoor à beira da avenida movimentada, seriam estímulo à compra ou anúncio de tendência para o verão.
Na porta da casa, à espera dos pés de seu dono, transformar-se-iam em convite ao aconchego.
Sob a cama, ao lado de outro par, uma confissão de cumplicidade.

Mas não foi em nenhum desses lugares que os vi.

Os chinelinhos de tiras pretas estavam sustentando os pés de um menino magrinho, de bermuda, que corria pelo meio da rua. Era um dia de inverno, frio. Fora do ônibus onde eu estava, fazia uns cinco graus.

Eu senti vergonha das minhas meias. Foi o único que pude fazer, pelo menos naquele momento.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Ciladas

E aquelas palavras
de ontem
tornaram-se ciladas

"Nunca vou ser como minha mãe
Jamais comerei melancia
Meu filho não chupará bico
Eu nunca me acomodarei
Deixar de ouvir rock? Jamais!
E nem cortarei meus cabelos muito curtos...
Não terei dias tristes
Dispensarei sempre o agasalho a mais
E nunca vou gostar de tomar café."

É, aquelas palavras de ontem
não me aprisionaram,
mas me fizeram emboscadas.

E eu retomo o verbo
trituro, reciclo
faço novas promessas
e amanhã penso
Em como me salvar.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Tem mais? Tem sim, senhor!

Senhoras e senhores!
Hoje é dia do super, hiper, mega bonito ficar um dia mais "experiente"!
Manoo, parabéns pelo teu niver!
E obrigada por ter me carregado no colo, por ter aturado minhas chatices de caçula, por ser meu conselheiro, meu parceiro de alegrias e tristezas, por seu meu irmão tão querido!
Te amo!

***

Ontem correu tudo bem na minha micro-cirugia (sei lá se está certo esse hífen). Depois de alguns dias de apreensão e de silêncio, posso voltar a poetar.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Mês de festa!

Julho é mês de festa!

Maria Fê, parabéns pelo teu niverrrrr!
Duli, pra você também, parabéns!!!

Ô gente que gosta de fazer aniversário todo ano, hein!

E vou aproveitar e mandar beijos pra todos, para os que estão e para os que não estão de aniver!

Smack

terça-feira, 7 de julho de 2009

Retratação

Tudo bem que a correria é implacável, que a gente se perde em meio a tantas tarefas, que a vida vai passando e a gente nem se dá conta.

Mas esquecer o aniversário de amigos queridos não dá! Não dá!

Rafa, meu pedido público de desculpas aqui, viu... Feliz aniversário e muitíssimas felicidades!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

quinta-feira, 25 de junho de 2009

A tal da melancolia

Acusaram-me de melancólica, esta semana.
Talvez devesse participar daquele evento que anunciaste em teu blog, Lisi!
Mas é muito mais profundo do que isso.
Tão profundo que eu nem saberia explicar...
Pode ser trabalho demais, amor de menos, paciência no limite, saudades, ouvido cansado, cabelo não-cortado, falta de ferro no sangue, céu cinzento, sapato que aperta, jogo perdido, esperança frustrada de voar, picada de mosquito, dor de dente, fim de um livro lido, tesoura sem fio, rua esburacada, sinaleira piscante, preço do quilo de batata, caderno em branco, memória viva, telefone sem bateria,

ah, sei lá.

Votem a causa mais provável e me digam depois. Porque eu, sinceramente, não saberia precisar.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

América Central

(essa é pra quem entende um pouquinho de espanhol)

Yo salgo de Guatemala
Y entro en Guate peor.

Humpf!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Acontece comigo

- Quer ajuda?

Por que só me perguntam isso quando estou terminando de fazer alguma coisa?????????????

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Partida

Falta vento
nas cortinas azuis da janela
da sala

Não há vaso
sob as flores agora murchas
da mesa

O controle remoto
busca em desespero
a tevê

Há cansaço profundo
na porta
que não se abre

A casa não era mais engraçada
Ela tinha teto
E mais nada.


(um pouco triste, eu sei, para um fim de semana, mas vamos lá)

terça-feira, 9 de junho de 2009

(Re) Verso

A luz tá desligada.
Eu tenho medo de escuro.
Tem um monstro debaixo da minha cama.
Eu tenho medo de monstros!!!
Tá todo mundo dormindo.
Só eu de olhos abertos.
Tá chovendo.
Será que vai dar trovão?
Me tapo com o cobertor até a cabeça.
Acho que ouvi um barulho.
Vou lá dormir entre eles!

... ... ... ...
(passos curtos, de meia, no chão, não fazem barulho)

Peço um canto pro Urso Teddy e sussurro bem baixinho: filho, posso dormir contigo, segurando tua mão?

(Ele se vira de lado, segura minha orelha e suspira)

E tudo fica bem.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

O dia que eu apaguei (por antecipação) do calendário

Cena 1:

- Alô?
- Oi, Tere, sou eu, a Adri! To te esperando, que horas tu vai chegar?
- Chegar aonde?
- Ué, tu não disse que vinha almoçar aqui em casa hoje?
- !!!!!!!

***

Cena 2:

(quinze minutos depois da Cena 1)

- Alô, Ana, é a Tere, que horas tu vai chegar hoje, pra ficar com o Augusto?
- Ué, não tínhamos combinado que tu ia me dar folga hoje?
- !!!!!!!

***

Cena 3:

(final de expediente)

- Tchau, to indo embora, até amanhã.
- Ô Teresa, tu esqueceu que hoje tem evento à noite e que tu vai ter que trabalhar até as dez da noite?
- !!!!!!!

***

É, tem dias que a gente deveria apagar do calendário. Ou então, verificar se a cabeça está bem grudada no pescoço, que é pra não esquecê-la também.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Reflexões, inutilidades e palavras

Dizem que, para ser um escritor, é preciso observar o mundo. Eu olho. Mas eu fixo minha atenção no que me rodeia da mesma forma como se tenta observar uma mosca grudada na hélice de um ventilador em movimento.

Olhar para dentro não me é muito diferente. São tantos mundos dentro de mim, o que tenho e os que quero, que os olhar de forma linear é tão pouco plausível quanto manter uma taça intacta sobre a estante num dia de terremoto.

No fundo, no fundo, eu queria justificar a minha completa inaptidão para a escrita. Pensei nisso hoje de manhã, ao segurar um açucareiro cheio de formigas e ao me assombrar por não tê-las visto antes ali. Nâo que uma coisa se relacione à outra, mas, enfim, me ocorreu a ideia de que não sou nada observadora. E lembrei-me da voz de um excelente escritor sentenciando-me: não se pode ser escritor sem ser observador.

E aí, fica a pergunta: quem tem razão?

Não tenho resposta. Tenho taças, terremotos, moscas e ventiladores. E, vez por outra, faço todos esses conviverem em alguma coisa que escrevo por aí. Acho que nisso reside, não o segredo da escrita, mas o segredo da vida. E desvendar esse mesmo mistério, todos os dias, é a tarefa árdua que nos cabe, sendo observadores, escritores, leitores, ou não.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Essencialmente metafórica

Milan Kundera já disse, uma vez, para ter cuidado com as metáforas. "Pois o amor pode nascer de uma simples metáfora."

Bem, se ele assim nasceu, pois que assim continue vivo. Com todos os seus ressignificados.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Homenagem

Alguien

Alguien limpia la celda
de la tortura
que no quede la sangre
ni la amargura

alguien pone en los muros
el nombre de ella
ya no cabe en la noche
ninguna estrella

alguien limpia su rabia
con un consejo
y la deja brillante
como un espejo

alguien piensa hasta cuando
alguien camina
suenan lejos las risas
una bocina
y un gallo que propone
su canto en hora
mientras sube la angustia
la voladora

alguien piensa en afuera
que allá no hay plazo
piensa en niños de vida
y en un abrazo

alguien quiso ser justo
no tuvo suerte
es difícil la lucha
contra la muerte

alguien limpia la celda
de la tortura
lava la sangre pero
no la amargura.

Mario Benedetti

***

Fica aqui minha homenagem a Don Mario, autor uruguaio, falecido no domingo retrasado.
Um perda incomensurável para quem aprecia a literaruta, especialmente a latino-americana.

Quem quiser, pode clicar aqui e ler o que escreveu Saramago, a seu grande amigo.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Como água em terra seca
esvaí-me
por cansaço

Exausta
de correr leito
de ser perene
de levar pedras em mim

Umedeci a raiz
Tornei-me entranha
Nasci galho
estanque

Que as aves me
pousem
E eu
repouse
sobre a terra em que
imergi.

Teresa Azambuya

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Ponto de vista

No lugar de estrelas,
luzes de postes

Em vez de céu,
vidro fumê.

(Preciso sair correndo daqui)

Teresa Azambuya

terça-feira, 19 de maio de 2009

Excesso de afazeres + escassez de ócio = ausência de palavras.

"Sem ócio, não póssio!"

Me desculpem, voltarei.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Tomografia do poeta

Doutor,
é imprescindível
que eu faça esse exame?

Não haveria outra forma
de desvendar meu córtex
sem que seja preciso
invadir meu cérebro?

Sabe, não temo as agulhas
nem os equipamentos

Temo que o senhor descubra
meus pensamentos!
Que plageie meus versos!
Que, ao injetar o contraste,
Desvende minhas contradições!

Por favor, doutor,
deixe minhas ideias e minhas rimas
São o único que tenho
de tão meus.

***

(ai, que medo)

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Quase

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...

Momentos de alma que,desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...


Mário de Sá Carneiro

***

Obrigada, Laurene, pela perfeita indicação. Como você comentou, sim, este poema dialoga perfeitamente com o trecho que coloquei no post anterior. E com um certo "estar" de alguém.

***

Caroline, uma felicíssimo aniversário pra ti!!!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Meia culpa, meia própria culpa

"Nunca quis. Nem muito, nem parte. Nunca fui eu, nem dona, nem senhora. Sempre fiquei entre o meio e a metade. Nunca passei de meios caminhos, meios desejos, meia saudade. Daí o meu nome: Maria Metade."

(Mia Couto, o Fio das Miçangas, em "Meia culpa, meia própria culpa")
***

Dona Maria Metade passou a ser fração quando levantou-se do sofá estampado cor-de-rosa, de onde podia ver-se um limoeiro despontando seus frutos no mês de abril.

Foi embora e azedou.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Pra você. Viver mais.

Canção Pra Você Viver Mais
Pato Fu
Composição: Indisponível

Nunca pensei um dia chegar
E te ouvir dizer:
Não é por mal
Mas vou te fazer chorar
Hoje vou te fazer chorar

Não tenho muito tempo
Tenho medo de ser um só
Tenho medo de ser só um
Alguém pra se lembrar
Alguém pra se lembrar
Alguém pra se lembrar

Faz um tempo eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais
Faz um tempo que eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais

Deixei que tudo desaparecesse
E perto do fim
Não pude mais encontrar
O amor ainda estava lá
O amor ainda estava lá

Faz um tempo eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais (repete mais 3x)

Faz um tempo eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais
Faz um tempo eu quis
Faz um tempo eu quis
Você viver mais (6x)

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Não grita

Domingo, fui parar no hospital, horas de soro, por conta de uma crise monstra de enxaqueca.

Chegando em casa, tudo bem, mas quem tem criança sabe que eles não entendem, coitadinhos, que a gente está doente. Querem atenção.

Num acesso de gritaria do Augusto, lá fui eu explicar:

- Filho, a mãezinha está com dor de cabeça, não grita, tá?
- Mamãe, fecha os zôio, mamãe!
- Mas filho, se eu fechar os olhos, vou ouvir igual os teus gritos. A gente escuta com os ouvidos, não com os olhos.

Ele pensou dois segundos e lá se foi, serelepe, a brincar. Não gritou mais.

Depois do jantar, eu ia lhe dar um pedacinho de chocolate. E me lembrei de um episódio do Bob Esponja, em que um dos peixes sai gritando desesperado atrás do vendedor de chocolate: "Chocolaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaate, eu quero chocolaaaaaaaaaaate"

Pronto, resolvi dar uma descontraída e disse:

- Gugu, vem comer chocolaaaaaaaaaaate!

A resposta:

- Mamãe, não guita que dói as zorêia.

As amigas


Já que recebi as fotos só hoje, óia aí as amigas do post anterior!!!

Smaaaaaack!

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Lisi e Lau!

Foi ótimo passar a manhã com vocês, compartilhando nossas aventuras e desventuras e dando ótimas risadas!

Pode parecer meio, hummm, babaca, mas voltei no ônibus escutando esta música do Kiss, que posto a seguir, e achei que tinha mais ou menos a ver:


We Are One
Kiss
Composição: Gene Simmons

You are not alone but, how long can you run?
It's much to late if you don't know
What you've got 'til it'sgone
Once upon a time you were a child
But that was yesterday
Believed that magic in your heart
Would never fade away
But, hold your head up high
And let your spirits fly
Keep hope alive yes deep inside
And your dreams will never die

(Chorus 1)
We are one
Everywhere I go, everyone I see
And I see my face looking back at me
We are one
Everything I know, what I know is true
Everyone of us is inside of you
We are one (2x)

Ohh, take a breath, close your eyes
You're on the road again
And then you realize
They've brought you back to life again
Something's never change
But if you fantasize
You'll feel it deep inside yourself
And then you'll realize
When you feel it coming
When you hear the sound
You'll always laugh when you wanna cry
And then you'll know it deep inside

(Repeat Chorus)

You are me, I am you
What you see, is all true (it's all true)
You are me, I am you
What you see, is all true (it's all true)
(We are one) You are me, I am you (I am you)
(We are one) What you see, is all true (it's all true)
(We are one) You are me, I am you
(We are one) What you see, is all true, ohh, ooh, ohh



Com nossas dúvidas e certezas, com nossas incompreensões acerca da vida, com nossos gostos por livros, com nossas risadas e mau-humores sem motivos, com nosso não-raro estranhamento frente ao espelho, somos, afinal, aquelas que procuram ser felizes.

Obrigada por serem minhas amigas. Levo vocês no meu coração, sempre.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Facto e fato

Ouvi ontem, no noticiário, notícia sobre descontentamento dos portugueses com o tão falado Acordo Ortográfico. Há um movimento pras bandas de lá que está tentando liquidar com esse Acordo, ou seja, voltar à estaca zero. Vou me isentar de emitir qualquer opinião a respeito, pelo menos neste momento.

Não posso deixar de registrar, entretanto, o fato que me pareceu bastante interessante: as consoantes mudas caíram, segundo o Acordo. Essa regra não nos atinge significativamente, mas aos portugueses, sim. Então, a palavra "facto" (no sentido de acontecimento)passa a ser grafada "fato". Só que, pra eles, "fato", sem o "C" significa terno. E aí é uma confusão mesmo...

***

Com Acordo ou sem Acordo, é belo, belíssimo, ler literatura dos nossos países irmãos. Hoje estou lendo "O fio das missangas", de Mia Couto, escritor moçambicano. E que riqueza sua prosa poética, seus contos que fazem as vezes de missangas, entrelaçados por um tênue fio.

"Evelina: a bordadeira

(...)

Dizem que bordava aves como se, no tecido, ela transferisse o seu calcado voo. Recurvada, porém, Evelina, nunca olhava o céu. Mas isso não era o pior. Grave era ela nunca ter sido olhada pelo céu.

Às vezes, de intenção, ela se picava. Ficava a ver a gota engravidar no dedo. Depois, quando o vermelho se excedia, escorrediço, ela nem injuriava. Aquele sangue, fora do corpo, era o seu desvario, o convocar da amorosa mácula.

Em ocasiões, outras, sobre o pano pingavam cristalindas tristezas. Chorava a morte da mãe? Não. Evelina chorava a sua própria morte."


Lindo demais. É fato. Ou facto. Sei lá.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Ripetendo

Le stesse parole
Le stesse parole
Le stesse parole

Non si può fare poesia
scrivendo

Le stesse parole
Le stesse parole
Le stesse parole

Non si può vivere
ascoltando

Le stesse parole
Le stesse parole
Le stesse parole

Mi fermo.

Teresa Azambuya

***

Já que o protesto da poesia acima é contra as mesmas palavras que sempre escuto, que sempre escrevo, está justificado o uso de outro idioma.

***

(Tradução de lambuja:)

Repetindo

As mesmas palavras
As mesmas palavras
As mesmas palavras

Não se pode fazer poesia
escrevendo

As mesmas palavras
As mesmas palavras
As mesmas palavras

Não se pode viver
escutando

As mesmas palavras
As mesmas palavras
As mesmas palavras

Vou parar.

quinta-feira, 2 de abril de 2009



Para Augusto Azambuya Moretto

Amo
cada uma das moléculas tuas
que gerei
em nove pacenciosos meses.

E porque chorando,
aprendeste a sorrir
E porque crescendo,
aprendeste a andar
E porque tentando
aprendeste a falar

Amo-te

Porque assim, simplesmente existindo,
fazes com que meus dias
sejam sempre
augustos
como tu.


Te amo, feliz aniversário, meu docinho.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Dosagem

Num acesso de pseudo-lucidez
Cortei todos os
vínculos,
os vícios
e os vácuos.

Fiquei sem vez.
Vivendo sóbria e só
Vaticinei minha desgraça,
e resolvi mudar de voz.

Disfarço a permissividade
E vivo.


Teresa Azambuya

terça-feira, 31 de março de 2009

Das minhas paranóias

Eu pensei.
E fiquei achando que pensar nisso era errado
E então considerei que eu não poderia julgar isso errado ou certo
E daí concluí que pensar que era errado também era errado
E, no final das contas, acabei querendo contar minha paranóia a alguém.

Não tive coragem.

Porque achei que alguém julgaria errado o tal pensamento.
E pra que eu iria pedir uma segunda opinião sobre o que eu já tinha quase certeza?
Mas aí vi que minha certeza não era absoluta.
E fiquei imaginando que minha falta de coragem talvez fosse mais errada ainda do que o próprio pensamento.
E, errado por errado...

Bom, voltei a pensar.

***

"Quello che c'è in fondo al cuore non muore mai
se ci hai creduto una volta lo rifarai
se ci hai creduto davvero
come ci ho creduto io"

(L'aurora - Eros Ramazzotti)

sexta-feira, 20 de março de 2009

Na defensiva

No ângulo de um muro, vi a moça que se encontra sentada sobre uma pilha de band-aids. Vive a vida assim, pronta para sanar qualquer ferida. Mas não se dá conta de que vê apenas de longe os carros passarem.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Primeira briga

- Raios!

Tão intempestiva quanto o fenômeno,
foi a interjeição
que você trovoou.

E eu tive medo de você
tão de repente!
Que fiquei a olhar o seu rosto
em três pontos

reticentes...


Teresa Azambuya

terça-feira, 10 de março de 2009

Ajoelhou, tem que rezar

Hoje caí de joelhos, ao descer do ônibus com o Augusto no colo. Literalmente, os dois joelhos no chão, completamente prostrada. Mas o Augusto, ah, ele eu segurei firme no meu colo: do mesmo jeitinho que ele estava antes de eu cair, ele ficou. Instinto de mãe...

Meu joelhos dóem, tenho dois enormes curativos (é, foi feia a coisa, machuquei pra valer), estou linda de vestido e de "joelheira", mas, enfim, a vida tem dessas coisas. O importante é que ele não se machucou, só levou um sustinho e disse:

- Mamãe caiu de joelho!

Agora só falta a oração.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Monotonia




Daqui do alto
vejo imóveis
as copas das árvores.

Não há vento em mim.

Às vezes se agita um galho
voa desvairado um pensamento

Os meus pássaros se vão
A árvore segue inerte
E eu enterro minhas raízes.

Teresa Azambuya

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Samba do chinelo

- Bota chinelo, mamãe! Bota! O chinelo do Gugu!
- Tá, filho, mas só no meu dedão vai caber esse teu chinelinho nº 23.
- Bota chinelo, papai! Bota! O chinelo da mamãe!
- Tá, filho, tá.
- Mamãe! Mamãaaaaaaaaaaaae! Arruma o chinelo do papai, no pé do Gugu!

E assim, nós três sambamos em círculos, de chinelos trocados, até cairmos de tanto rir.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Pecado

O Fabrício Carpinejar perguntou-me, certa vez, se eu não sentia como se tivesse cometido um pecado cada vez que publico algum texto. Na época, respondi que não, mas hoje já penso bem diferente.

Saiu na edição de ontem (19/02) do Correio de Gravataí, um artigo meu sobre leitura (pág.6). Pois cada vez que encontro alguém no corredor, dizendo que leu o tal do texto, sinto uma vontade premente de pedir perdão.

Existe alguma forma de purificação?

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Como diria o Augusto:

MEDO!


(o bom é que quando se é criança, o medo é do trovão, do avião, do barulho do liquidificador. Ruim é quando o medo é do que não se conhece)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Poema redentor

Entre a falta de idéias
e o desespero de escrever
nasce este poema
assim, sem motivo
um poema sobre o nada
que já redimiu
um dia

Pelo menos um.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Esperança

Azar pouco é bobagem.

Ainda bem que a meia noite sempre chega.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Previsibilidade e circularidade

Faço uma correspondência ao pressuposto da previsibilidade, querido Manu. Se é verdade que o ser humano é previsível, é verdade que todas nossas ações compõem sempre movimentos circulares. Tradução perfeita para isso é esta música que adoro e cuja história é muito bonita:

Todo Se Transforma
Jorge Drexler
Composição: Indisponível

Tu beso se hizo calor,
Luego el calor, movimiento,
Luego gota de sudor
Que se hizo vapor, luego viento
Que en un rincón de la rioja
Movió el aspa de un molino
Mientras se pisaba el vino
Que bebió tu boca roja.

Tu boca roja en la mía,
La copa que gira en mi mano,
Y mientras el vino caía
Supe que de algún lejano
Rincón de otra galaxia,
El amor que me darías,
Transformado, volvería
Un día a darte las gracias.

Cada uno da lo que recibe
Y luego recibe lo que da,
Nada es más simple,
No hay otra norma:
Nada se pierde,
Todo se transforma.

El vino que pagué yo,
Con aquel euro italiano
Que había estado en un vagón
Antes de estar en mi mano,
Y antes de eso en torino,
Y antes de torino, en prato,
Donde hicieron mi zapato
Sobre el que caería el vino.

Zapato que en unas horas
Buscaré bajo tu cama
Con las luces de la aurora,
Junto a tus sandalias planas
Que compraste aquella vez
En salvador de bahía,
Donde a otro diste el amor
Que hoy yo te devolvería

Cada uno da lo que recibe
Y luego recibe lo que da,
Nada es más simple,
No hay otra norma:
Nada se pierde,
Todo se transforma.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Pesadelos

Eu era personagem de um filme, que procurava incessantemente o assassino de alguém. Queria puni-lo, severamente, por seu crime. Quando, finalmente, o encontrei, peguei minha gilete do bolso e assassinei a giletadas três pessoas que assistiam à cena.
Nesse exato momento, descobri que estava grávida de quatro meses.

A criança mexia-se em minha barriga, de uma forma descomunal, horrenda, um ensaio para alien, e eu me queixava de muitas dores. Corri para o hospital, numa tentativa de redenção, e lá me arrancaram a criança. Saí aliviada, mas sem ninguém nos braços.

Na porta do hospital, encontrei uma amiga e resolvi passar o resto do dia com ela. Fizemos muitas compras juntas, tomamos sorvete de laranja e jogamos conversa fora. Ao chegar em casa, olhei no calendário e vi que era 31 de dezembro, data do aniversário dela. Eu havia me esquecido completamente. Então, corri ao computador, e busquei desesperadamente uma loja que entregasse cestas de presentes, café da manhã ou algo do tipo, para que eu pudesse me redimir. O único que consegui encontrar foi o anúncio de um enterro, de duas pessoas conhecidas.

Sôfrega, corri ao cemitério. Quando lá cheguei, já estavam simulando o enterro de uma das pessoas. Simulando? Sim, simulando. No caixão, havia um senhor muito velhinho, parecido com o Chacrinha, que fez de conta que havia morrido, para representar o seu amigo morto que não podia estar ali no momento. A outra pessoa que havia morrido era uma amiga minha que faleceu num acidente de trânsito há uns dez meses. Ela havia morrido pela segunda vez. E seria enterrada novamente. O meu último comentário foi:
- Desta vez, pelo menos ela está bem menos inchada.

Acordei.

E agradeci, feliz, pelo dia estar ensolarado.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Tétrico

No crepúsculo de um silente dia de outono, o assasino esfregou as mãos ensanguentadas na camisa imunda, sentando-se sobre a gosmenta vegetação que margeava o pântano. Revolveu na lembrança as cenas do crime e, atordoado, espantou-se ao ver surgir na superfíce obscura da água a silhueta de um monstro horrendo e sanguinário. Não teve como escapar: mergulhou na profundeza negra e densa do pântano e foi ao encontro de si mesmo.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Guerra

Viu
escombros
e fechou os olhos

Assombros.


terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Eu

Posto porque ouvi e achei bonita. E sempre faz algum sentido pra alguém, dependendo do que a gente quiser ler na letra.

Ainda Gosto Dela

Skank

Composição: Samuel Rosa e Nando Reis

Hoje acordei sem lembrar
Se vivi ou se sonhei
Você aqui nesse lugar
Que eu ainda não deixei

Vou ficar?
Quanto tempo
Vou esperar
E eu não sei o que vou fazer, não

Nem precisei revelar
Sua foto não tirei
Como tirei pra dançar
Alguém que avistei

Tempo atrás
Esse tempo está
Lá trás
Eu não tenho mais o que fazer, não

E eu ainda gosto dela
Mas ela já não gosta tanto assim
A porta ainda está aberta
Mas da janela já não entra luz

E eu ainda penso nela
Mas ela já não pensa mais em mim
em mim não

Ainda vejo o luar
Refletido na areia
Aqui na frente desse mar
Sua boca eu beijei

Vou ficar
Só com ela eu
Quis ficar
E agora ela me deixou

E eu ainda gosto dela
Mas ela já não gosta tanto assim
A porta ainda está aberta
Mas da janela já não entra luz

E eu ainda penso nela
Mas ela já não pensa mais em mim
Eu vou deixar a porta aberta ( eu vou)
Pra que ela entre e traga a sua luz

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Retorno

Voltei

Depois de ver o mar,
de fazer castelos de areia,
de ser mãe em tempo integral.

Voltei

Depois de pensar na vida
de não encontrar nenhuma solução,
e de não achar isso tão ruim.

Voltei

Antes de que começasse o tédio
de que eu esquecesse o caminho
de que tirassem minha cadeira do lugar.

Voltei

Depois de viver tudo
Antes de morrer por nada
e no preciso momento em que
deveria.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Eu, minhas confusões e as palavras ao vento

Limpei a gaveta e coloquei no lixo o calendário de 2008. Isso me deu nos nervos.

É só um número, diriam os mais descrentes. Sim, é só um número. Amanhã, simplesmente por uma imposição gregoriana, nosso calendário recomeçará a contagem para o fim.

Na última noite do ano, ou pelo menos na última noite em que eu não iria esperar a meia-noite chegar, eu não consegui dormir. Tinha os olhos estalados no escuro e pensava em milhões de coisas que nem seria capaz de enumerar.

Meu último café da manhã do ano foi meio sanduíche de mortadela, dividido com minha colega que se lembrou de me trazer algo para comer, porque eu nunca trago.

A última manhã de trabalho do ano está sendo meio deprimente, vejo as pessoas esvaziando suas gavetas, dando abraços de despedida em mim, porque passaram quatro anos a serviço de um Vereador que não se reelegeu. Vão embora e me abraçam, mesmo sem ter me cumprimentado o ano inteiro. Firmamos um acordo tácito: eles pedem que eu esqueça sua desatenção, e eu fico com cara de pateta, sem saber o que dizer.

Amanhã era pra ser feriado e eu vou trabalhar. Já comprei vestido de gala para a cerimônia de posse dos Vereadores e da Prefeita.

Sexta-feira saio em férias e volto só no final de janeiro.

Eu lembrei que este foi um ano de grandes acontecimentos:

1. drama em família - parte 1
2. festa de aniversário de um ano do meu filhote
3. morte trágica de uma amiga e de seu filho
4. minha formatura (aleluias!)
5. drama em família - parte 2
6. lançamento do livro ANTOLÓGICOS
7. lançamento do livro 104 que contam
8. muitas participações na Feira do Livro de POA
9. portas fechadas na seleção para o Mestrado.

Analisando assim, superficialmente, 2008 começou mal e terminou mal. Mas eu não me importo. Porque, no final das contas, os fatos bons foram maioria. Conheci muita gente legal também.

E, bem, depois de tanto dizer, eu encerro solenemente dizendo

TCHAU.

P.S.: Bom ano-novo pra todo nós!

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Assombro

Eu acho que já postei este poema, mas é tão pertinente.

Ando mal-assombrada. Já não consigo dormir à noite e tenho medo de escuro, de novo.

Assombros

Affonso Romano de Sant'Anna


Às vezes, pequenos grandes terremotos
ocorrem do lado esquerdo do meu peito.

Fora, não se dão conta os desatentos.

Entre a aorta e a omoplata rolam
alquebrados sentimentos.

Entre as vértebras e as costelas
há vários esmagamentos.

Os mais íntimos
já me viram remexendo escombros.
Em mim há algo imóvel e soterrado
em permanente assombro.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Cecília

Em tempos de espírito natalino, festas, correrias de final de ano:


É preciso não esquecer nada

É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.

É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.

O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.

O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.

O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.

(Cecília Meireles)


Eu quero me esquecer.



segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Doutor

Tenho o coração

comprimido

Preciso de um

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

O meu medo de subir na vida

Eu saí correndo do Plenário da Câmara, que fica no segundo andar, para subir até minha sala e pegar um documento, no quinto andar. Entro no elevador, olho o relógio e PUFF. O elevador pára.

Meu coração disparou, a tremedeira começou e eu fiquei gelada. Por mais que te digam que não vai faltar ar ali, foi a primeira impressão que eu tive, que ia ficar sem ar.

Bom, tremer não adiantava, desmaiar muito menos. E então, ao ouvir uma voz conhecida, chamei:

- Cris, é tu?
- Sou, daonde tá vindo essa voz?
- Chama alguém que eu estou trancada no elevador.
- Ah tá, não te preocupa que eu vou chamar. Vai dar tempo de tu curtir a festa de ano-novo.

Com amigos assim, a gente não esmorece, não é?

No final das contas, dois colegas abriram as portas do elevador com as mãos (como orientou a própria empresa) e me tiraram de lá sã e salva.

Ufa.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Repetindo a idéia inicial do post anterior,

a gente nunca sabe quando será a primeira vez, inclusive para uma frustração.

Eu nunca rodei na escola, nunca fiquei de recuperação, nem mesmo tirei uma nota vermelha em toda a minha vida. Passei nos dois vestibulares que fiz (UFRGS e UNISINOS), nunca tirei nota abaixo de oito na faculdade toda.

Aí, cheguei na seleção para o Mestrado e me disseram: NÃO!

Eu gostaria de saber os motivos, mas não divulgam.

Que seja. Vou refazer toda a minha lista de perspectivas para 2009, o que eu espero que seja bom.

E, como disse uma amiga: "Deixa estar, jacaré, que a lagoa há de secar e a gente ainda chega no topo da cadeia alimentar".

E era isso!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O Tio do táxi

A gente nunca sabe quando vai ser a última vez.

Todos os dias, às sete horas da noite, quando saio aqui da Câmara, o tio do táxi leva o pessoal que sai até a parada do ônibus. Ele foi contratado pela Associação dos Funcionários da Câmara para fazer o serviço, porque o trajeto a pé é longo e perigoso nesse horário.

Todos os dias, às sete horas da noite, eu ouço a Rádio Gaúcha no táxi dele. Todos os dias dou muitas risadas com seu bom-humor.

Anteontem ele foi me contando que ontem (quinta) ele teria uma audiência no Fórum e que não nos levaria. Hoje (sexta) voltaria tudo normal.

Não voltou.

Cheguei ao serviço agora há pouco e me disseram que o Tio do táxi faleceu. Um infarto fulminante cessou-lhe a vida.

E eu estou aqui, pasma.

Nessas horas a gente lembra daqueles expressões que nos parecem tão idiotas: era a hora, não somos nada, você tem de dizer para as pessoas o quanto gosta delas, pois nunca sabe quando será a última vez.

Tio JB, dirija seu táxi até o infinito. Nós sentiremos sua falta, quando o relógio soar às sete horas, anunciando o fim do expediente.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Literatura: amores e horrores

Pessoal:

Eu e os autores de ANTOLÓGICOS inauguramos um blog, que tem a proposta de unir nossa vontade de ler e escrever.

O blog será atualizado semanalmente, sempre com um texto de um de nós acerca de um livro que lemos.

Não deixem de conferir e comentar!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Nem tudo é perfeito

Eu gosto de calor.

Chega dezembro e eu vivo espraguejando os quase 40 graus que me fazem ficar suada, com a pressão baixa e com os pés inchados.

Eu gosto de frio.

E aí chega o inverno e eu vivo espraguejando a montoeira de roupas, os ossos gelados, e a cartela de remédios para sinusite, gripe, febre e tudo o mais que vier.

***

Às vezes eu tenho certeza de tudo, de que tudo está bem. Às vezes sinto falta de algumas coisas. E fico me culpando por não estar satisfeita.

Nem tudo é perfeito mesmo.

Droga.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Autógrafos em Caxias do Sul


A sessão de autógrafos de ANTOLÓGICOS, na Livraria Do Arco da Velha, em Caxias do Sul, estava belíssima, bem movimentada, contemplada com um lindo dia de sol.

Não posso deixar de registrar a ilustre presença do meu fã número 1! Augusto! Que quase colocou a livraria abaixo, mas nos fez dar boas risadas... (né, Karen? Lembra dele tamborilando os dedos na mesa de vidro?)

Marcelo, estou te devendo uma! Pode me cobrar!

Parece-me que esta foi a última das sessões de autógrafos de nosso livro. DESTE livro. Agora, pessoal, temos que colocar a mão na massa. Ou no papel. Ou no teclado. Sei lá.

Aos que nos prestigiaram em qualquer uma das sessões, meu sincero agradecimento!

E agradeço especialmente ao César, pela companhia em tooooooodas as sessões.

Arrivederci!


sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Ironia

No dia em que minha mãe foi à minha casa, querendo testar a eficiência do aparelho para surdez que recém colocara, eu estava afônica, por conta de uma gripe.

- Mãe, o aparelho funciona bem, eu é que não consigo falar, escrevi num papel.

Nós duas rimos.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Autores em língua espanhola

Romance sonámbulo


Verde que te quiero verde.
Verde viento. Verdes ramas.
El barco sobre la mar
y el caballo en la montana.
Con la sombra en la cintura
ella suena en su baranda,
verde carne, pelo verde,
con ojos de fria plata.
Verde que te quiero verde.
Bajo la luna gitana,
las cosas la estan mirando
y ella no puede mirarlas.

Verde que te quiero verde.
Grandes estrellas de escarcha,
vienen con el pez de sombra
que abre camino del alba.
La higuera frota su viento
con la lija de sus ramas,
y el monte, gato garduno,
eriza sus pitas agrias.
Pero quien vendra? y por donde...?
Ella sigue en su baranda,
verde carne, pelo verde,
sonando la mar amarga.

(Poema de Federico García Lorca)



"Nunca a vi tão brincalhona como nessa manhã. E creio que nunca mais a veria. Não me lembrava dela tão natural, completamente solta, sem posar, sem inventar um papel, enquanto aspirava com prazer a tepidez da manhã e se deixava invadir pela luz que as copas dos salgueiros chorões peneiravam. Parecia mais novinha do que era, quase uma adolescente e não uma mulher beirando os 30 anos."

(Trecho de 'Travessuras de Menina Má', de Mario Vargas Llosa)


É o que estou lendo, atualmente.
Qualquer semelhança é mera coincidência.

ANTOLÓGICOS NA SERRA

Para quem quiser dar um passeio na serra, ofereço mais um motivo!

Sessão de autógrafos de ANTOLÓGICOS, em Caxias do Sul.
Dia 29 de novembro, às 10 horas, na Livraria Arco da Velha.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Oportunidades

Impossível recolher as palavras à boca, ou às teclas, depois que foram proferidas.

Impossível dizer, com o mesmo efeito, o que não foi dito na ocasião apropriada.

Impossível dormir tranqüilo depois disso tudo.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Eu passeeeeeeeeeei na prova para o Mestrado em Teoria Literária da PUC!

Sexta-feira, farei a segunda etapa da seleção, que é uma entrevista com os professores do Programa de Pós Graduação.

Torçam por mim!

Encontro


(estande da Editora Nova Prova, na Feira do Livro. Crédito da foto: Karen Drago)

Lindo de ver: os três livros que têm meu nome inscritos em sua capa, encontraram-se lá na segunda prateleira (de cima para baixo). Lado a lado, o que é mais espetacular ainda.

Obrigada, Karen, pelo achado.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Disco

Li um conto, ontem, que dizia:

O ser humano é uma espécie de disco arranhado. Sempre incide nos mesmos erros. (não sei se eram essas palavras exatamente, mas era essa a idéia)

E aí fiquei me perguntando se essa não seria a tradução para o título do meu blog. É, acho que sim.

A outra pergunta que fica é:

Não há, portanto, redenção?

Responda, quem puder.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

"O amor é a única doença que cura.
A afirmação tem, no mínimo, três sentidos. E todos são válidos."

Disseram-me isso há algum tempo. E eu concordo plenamente.

Pena não ter percebido isso antes.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O não-lugar de escritores diplomados

Para ser escritor, é preciso ter talento. Inspiração, também, mas nem tanto. A escrita é um trabalho, um exercício que exige técnica, disposição, disciplina. Foi-se o tempo em que às musas era creditada a única origem possível da criação literária.

As Oficinas Literárias são protagonistas nesse novo contexto. Na Feira do Livro de Porto Alegre, em 2007, foi realizado o I ENOL – Encontro Nacional de Oficinas Literárias, que iniciou a discussão sobre a contribuição das Oficinas na iniciação de escritores. Este ano, o evento teve continuidade e eu tive a oportunidade de participar dele apresentando a pesquisa que desenvolvi acerca do papel das Oficinas Literárias na formação de autores contemporâneos.

A discussão, em suma, foi sobre o pioneirismo de Lígia Averbuck na realização de Oficinas e a velha questão da padronização de textos, que alguns ainda insistem em atribuir às oficinas.

O que me intrigou, no entanto, não foi nenhuma dessas questões debatidas, porque no próprio debate elas se resolveram. Fez-me repensar os espaços formais de criação literária aquilo que disse minha colega Karen, aluna do Curso de Formação de Escritores da Unisinos, ao sair do evento: "aqui havia pessoas de oficinas literárias e escritores independentes. E nós, três alunos do curso de Formação de Escritores. Não estamos em lugar algum! Temos a preparação e o conhecimento que os leigos não têm. Mas também não temos o aparato da Oficina."

Para contextualizar, preciso dizer que freqüentei, por um semestre, esse Curso de Formação de Escritores da Unisinos. Fiz uma disciplina que me ajudaria a entender um pouco do mercado editorial, um dos objetos de estudo desse trabalho de conclusão que referi no início do texto. O anseio geral da turma, que eu ouvia com muita curiosidade, pois eu pertencia ao curso de Letras, era: o que vou fazer com meu diploma?

Os alunos de Oficina Literária estão encontrando seu espaço, após muitos anos de luta, é verdade. Como foi mencionado no curso ontem, já criaram um mini-sistema literário: eles produzem seus textos; já há, em meio aos alunos, um rapaz que criou uma editora independente e que publica textos dos próprios colegas; e se cada um dos alunos for o consumidor desse trabalho, pronto, a cadeia se fecha.

Se é verdade que os alunos do Curso de Formação de Escritores estão em um não-lugar, querida Karen, é fato que algum espaço deve ser criado. E acredito que esse espaço somente poderá ser criado com criação literária, se me permitem a redundância. Os alunos de Oficina contavam apenas com o nome de um escritor famoso e sua vontade de escrever, aliada a algum talento. Estudaram, trabalharam e tornaram essa capacidade em resultado. Vocês têm um diploma. Os pesos são diferentes, vocês hão de me dizer. E eu respondo: sim, são. Se, por um lado, os alunos de Oficina contam com sua capacidade e com a ajuda do nome de outro (o ministrante) para poderem ingressar no mercado editorial, vocês contam com a capacidade própria, atestada pelo diploma. Estão sendo preparados para transitarem por diversos gêneros textuais, lírico, narrativo, dramático. Coisa que os alunos de Oficina não são. Vocês sabem as ferramentas das quais podem se utilizar. Conhecem a intimidade do mercado no qual vão entrar.

O diploma de escritor pode ser uma ilusão. Assim como ter o nome numa capa de livro apadrinhado por um grande escritor pode ser, da mesma forma. O que vai definir o lugar de cada um é o trabalho. Leiam muito, antes de tudo. E lancem-se à disciplina da escrita. Usem os recursos que vocês recebem na instrução formal a que assistem todos os dias. Tornem a literatura, a criação literária uma rotina. Porque os grandes escritores, as musas e a universidade só dão uma luz. O resultado, o lugar a ser encontrado, depende de cada um.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Realidade nem tão poética

Hoje, como tradicionalmente todos os dias ao meio-dia, o César e meu filho me acompanharam até a parada de ônibus, de onde venho para o trabalho.

Eu estava com um livro no colo, "Conceitos findamentais de poética", livro que estou lendo para a prova de seleção de Mestrado que prestarei amanhã, na PUC.

Enquanto meu filho pisava na grama e ensaiava as duas novas palavras que aprendeu: "que nojo!", eu rememorava alguns dos conceitos de poesia lírica, épica e dramática. Coisa chata, mas, enfim, necessária.

Foi quando parou um carroceiro, desses que juntam papel e garrafas pet vazias, e perguntou se nós tínhamos um cigarro. Respondi que não, e ele já puxou assunto com o César, perguntou quantos anos tinha meu guri, mostrou pra ele o "Toquinho", que era o fiel cão que o acompanhava na carroça. O homem estava visivelmente bêbado. Deixou a carroça estacionada no meio da rua.

Nisso, passou um carro vendendo "sonhos" caseiros. Buzinou freneticamente para que o carroceiro tirasse seu veículo do caminho. O homem, em vez de acatar, começou a gritar "filho da puta, filho da puta". O Augusto arregalou os olhos. E o carroceiro lhe disse: "Humpf, sonhos. Que palhaçada. Não sonha, viu, guri? É perda de tempo. Vai brincar, vai, mas não fica sonhando não.

E eu, com meu livro de poética no colo, fiquei me sentindo uma idiota. Uma perfeita idiota, eu diria.

Tá, ok, a gente não pode deixar de sonhar. Foi por isso que, ao subir no ônibus, abri meu livro e continuei estudando.

Mas, de vez em quando, dava uma espiadinha pela janela, que é pra não esquecer que existem vidas além da vida da gente. Vidas que não podemos ignorar. E nem fechar a cortina.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Meu aniversário!

Pois é, mais um aninho de vida, estou passando pro lado de lá da casa dos vinte, e vamos em frente!

Aos 26 anos, já sou casada, tenho um filho, um diploma, emprego fixo e tenho meu nome escrito na capa de três livros.

Falta-me plantar uma árvore e fazer a carteira de motorista. E algumas outras coisas, claro, que a gente nunca pode parar de sonhar.

Sinto saudades de algumas pessoas. Estou feliz por poder abraçar ainda tantas outras.
Feliz também por ter meus pais saudáveis e fortes.

E se nem a grama é perfeita (não é Karen e Andreia?), que suportemos as rosetas e que nossos pés nunca parem de nos levar.

As felicidades que me deseja quem me abraça, eu estendo pra todos!

Felicidades!

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Festa à Fantasia


Yes, foi demais! Aí acima, os três aniversariantes.

Obrigada a todos os que fizeram a alegria da festa!

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Hamlet foi morto por uma espada, mas não uma espada qualquer. Laertes havia posto veneno no fio. Hamlet morreu com um corte envenenado.

Palavras podem ser tão letais quando a espada que matou Hamlet.

Há aquelas palavras que apenas cortam. Outras, injetam veneno. E o veneno vai entrando na carne, imperceptível, e vai sufocando, sufocando.

Não tenho nem mais meia hora de vida.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Em contagem regressiva para novembro! Eu adoro esse mês

Antes de qualquer coisa, a Feira do Livro de Porto Alegre começa sexta-feira, dia 31/10.

EEEEEEEEEEEEEEE

A semana começou cedo. Os próximos dias serão fervorosos. Estou numa ansiedade do cão.

Mas vocês nem imaginam como eu adoro isso. O marasmo me intoxica.

01/11 - Festa à fantasia! Estão todos convidados. Será para comemorar o meu aniversário (que é no dia 04/11) e o da minha grande amiga Deby (que é no dia 31/10). Quem estiver por Gravataí ou quiser vir de onde for, me manda um recadinho que eu explico onde é.

ANTOLÓGICOS, vocês também estão convidados, viu???


04/11 - Meu niver!!!!!!!!!!!!!

07 E 08/11 - Prova de seleção para o Mestrado em Teoria da Literatura (ai, que nervos).

10/11 - Sessão de autógrafos 104 que contam, às 20 horas.
LOCAL: Memorial do RS

11/11 -
Apresentação do trabalho O papel das Oficinas Literárias na formação de autores contemporâneos, por Teresa Azambuya.
Encontro Nacional de Oficinas Literárias
Centro Cultural Érico Veríssimo, às 17 horas.

15/11 -
Sessão de autógrafos de Antológicos, às 14 horas.
LOCAL: Memorial do RS


E lá vou eu!!!

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Lançamento 104 que contam

Foi lindo! Obrigada, Karen e Vivi, que me prestigiaram! E aos que não puderam, não esqueçam da Feira do Livro!


Ah, uma curiosidade: uma das autoras do livro, descobri ontem, foi minha professora de italiano!!!

A Feira do Livro de Porto Alegre inicia dia 31 de outubro.

Nos vemos lá!

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

104 que contam

É amanhã o lançamento do mais novo livro do qual eu participo!


Espero ver vocês por lá!

E, para o ano que vem, quem sabe um livro próprio? Já está na hora...

Família de leitores

domingo, 19 de outubro de 2008

Domingo de sol




Ah, sol, vê se aparece mais vezes!

Autógrafos, literatura e futebol

Ontem, em São Leopoldo, os ANTOLÓGICOS autografaram sua obra na XXIII Feira do Livro.

É sempre bom reencontrar os amigos! Abraços pra todos vocês! E obrigada a todos os que nos prestigiaram!

Autografar é ótimo, né...


A sessão foi antecedida por um bate-papo sobre Literatura e Futebol, entre Fabrício Carpinejar (poeta), Mário Corso e Norton (psicanalistas) e Edson (antropólogo).


O evento foi agradável, mas tenho minhas opiniões divergentes em relação ao assunto e a algumas das considerações que eles fizeram. Ainda que os caras sejam uns figurões, vale sempre nosso posicionamento crítico.


O ponto pacífico em relação aotema foi: o maior esporte nacional não é o futebol. É falar sobre futebol. Seguido, é claro, de assistir às partidas.


E o exemplo eu tive hoje. Enquanto meu excelentíssimo assistia à final do Campeonato Mundial de Futebol de Salão, eu passei em frente à tv para pegar uma fralda para o Augusto. O que ele me disse? Nada. Ele simplesmente grunhiu pra mim, ou rosnou.

- rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr

E eu fiquei de mau-humor o resto da tarde.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Sessão de autógrafos

Amanhã, em São Leopoldo, após palestra com Mário Corso e Fabrício Carpinejar, às 17 horas, estaremos autografando ANTOLÓGICOS!

Segue endereço da Biblioteca Municipal onde ocorrerá o evento:

Rua Oswaldo Aranha, 934 - Centro, São Leopoldo.

Espero vê-los por lá!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Eu e meu pai

Seu Álvaro, meu pai, fez as estantes da biblioteca de um poeta sem nem imaginar que um livro com o nome sua filha seria colocado lá.

Acessem a crônica em que Fabrício Carpinejar conta essa história, aqui.

Não deixem de ler!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Dia do professor

Hoje é Dia do Professor. E, embora não exerça (por enquanto) a profissão, tenho dois diplomas que me credenciam a receber os parabéns! :D

***

Enquanto eu olhava pela janela do ônibus, cansada de ver as letras do livro que eu tinha no colo tremilicando em frente a meus olhos, comecei a ouvir um choro. Há muito tempo não ouvia choro tão doído, desesperado.

Olhei para trás e vi uma menina de uns oito anos, mochila nas costas, segurada à barra do assento ao fundo. Chorava e avermelhava, olhando para os lados. O desespero que demonstrava aumentava à medida que o ônibus acelerava e que ela não encontrava nenhum rosto conhecido a socorrê-la.

Fui até ela e, com aquele jeito de mãe que aprendi a ter, segurei-lhe o ombrinho e perguntei-lhe:

- Que foi?

Ela, elevando as lágrimas até a linha de meus olhos, disse:

- O ônibus não parou na minha escola, está tudo vazio!

Entendi a súplica e, imediatamente, acionei a campainha. Não havia aula na escola hoje, já que era feriado do dia do professor. E a menina, desavisada, embarcou sozinha no ônibus e não tinha como voltar para casa.

O motorista parou a condução. E, por dez segundos, todos ficamos ali, inertes, olhando o rosto inchado da menina e não sabendo o que fazer com ela. Resolvi perguntar se ela sabia o telefone da sua mãe. Entre engasgos, ela conseguiu ditar-me o número.

Conversei com a mãe daquela menina, explicando-lhe o ocorrido. O impasse com que nos deparamos é que nós tínhamos que seguir viagem, tínhamos horários a cumprir, mas, ao mesmo tempo não podíamos deixar aquela garotinha ali, sozinha. Então, antes mesmo de eu terminar a sugestão, todos concordaram: vamos levar a menina até a escola, onde estaria esperando uma kombi escolar que, a pedido de sua mãe, a levaria até sua casa.

E assim, fizemos o caminho reverso. No horário em que estávamos acostumados a ir, voltávamos. Chegamos todos atrasados ao trabalho, tivemos que dar explicações aos nossos chefes, mas fomos unânimes em ajudar. O que me surpreendeu, de certa forma, porque estamos acostumados a ver sempre alguém que reclama, mau-humorado.

É possível ainda acreditar nas pessoas.

A menina deve estar, a esta hora, brincando de professora e dando a aula que não teve, para a sua boneca preferida.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Calendário

Pessoal, aí está o calendário de minhas atividades literárias para o mês de outubro:

Início do mês

Na Revista Crescer deste mês, Fabrício Carpinejar assina uam crônica em que relata uma história sobre mim e sobre meu pai. Já nas bancas!

Dia 18 de outubro, às 17 horas

Sessão de autógrafos de ANTOLÓGICOS, na Feira do Livro de São Leopoldo.

Dia 21 de outubro, às 19h30min

Lançamento e Sessão de autógrafos do 104 que contam, no Memorial do Rio Grande do Sul.



Prestigiem onde, como e quando puderem!

A vida é feita de escolhas.

Este não pretende ser um anúncio publicitário ou mais um chavão, daqueles tantos que a gente vê por aí, em livros de auto-ajuda ou naquelas mensagens .pps que todo mundo recebe. É uma reflexão pessoal.

Os postos que alcançamos, as pequenas glórias que conquistamos são, muitas vezes, invejadas pelas pessoas. Mas essas pessoas não sabem que pra eu estar lá, recebendo meu diploma, eu deixei de conviver com aqueles de quem eu gostava, em alguns momentos. Que pra eu ter um filho maravilhoso, eu passei pela pior dor da minha vida. Que pra eu estar lá, numa sessão de autógrafos, eu perdi horas de sono, fiquei até tarde com os olhos ardendo em frente ao computador. Que pra eu estar lá, no cargo de chefe no meu serviço, eu ralei pra caramba, levei trabalho pra casa e comi um sanduíche em vez de tirar uma hora pra almoçar num restaurante. (isso, claro, nas vias normais, ou pelo menos dignas).

Eu fiz muitas outras escolhas. Preteri pessoas muito caras a meu coração, deixei de agir quando, aos olhos dos outros, mover-me fosse imprescindível. Isso me trouxe sofrimento e, por outro lado, me fez ter um posto confortável, quem sabe esse mesmo que me disseram, o de "filha preferida".

Cada um sabe o que faz. Ou melhor, o que escolhe. E cada um sabe o preço que paga por isso.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Explicação

A autora deste blog está temporariamente indisponível.

Motivo: sucessivas moléstias que a acometeram desde o dia das eleições...

(É sério!)

Inté.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Alô, eleitores, o circo chegou

Dificilmente falo sobre política, ainda que esteja imersa todos os dias nesse meio. E exatamente por isso é que não dá pra falar, porque trabalho para a Câmara, para todos os Vereadores da Câmara, e aí demonstrar algum tipo de preferência pode me prejudicar e muito.

Bem, mas não dá para ficar quieta depois dessa. Gravataí city virou uma bagunça política.

Domingo, assisti ao debate dos candidatos a Prefeito: Bordignon, Jones, Edir e Sampaio. Quatro candidatos, cada um defendendo a proposta que julgava melhor para a cidade.
Na terça-feira, Bordignon foi cassado. Em seu lugar, ficou a candidata a vice, Rita Sanco.
Na sexta-feira, Edir renunciou. Quem votar nele, terá seu voto anulado.

Bom, e aí?

Aí que o eleitor é palhaço. Os camaradas passam três meses fazendo campanha política, dizendo: nossa proposta é melhor, nós vamos ampliar o pronto atendimento, nós vamos investir em educação, nós não sei o que. E aí, a dois dias das eleições, eles jogam a proposta pro alto, dane-se, vamos apoiar o que é interessante polticamente. Conchavos e conchavos. E o resto que se exploda.

E o povo? Ah, o povo vota. O povo é quem decide. Mas não sabe o que decidir, não sabe o que fazer, porque não se sabe nem mesmo quem são os reais candidatos. Não se sabe se amanhã ainda serão os mesmos.

Aí, questionei: não seria mais certo anular a eleição aqui? Pra fazer uma coisa organizada, decente, onde todos os eleitores tenham a informação correta?

Responderam-me: como é que vão anular a eleição? E o dinheiro que os candidatos já gastaram? Não pode!

O povo pagará quatro anos para que os candidatos não gastem mais do seu dinheirinho, oh, coitadinhos, conquistado com tanto "suor"...

É o fim. Eu sou uma eleitora revoltada. E deixa eu colocar o meu nariz de palhaço, que é assim que eu vou votar lá no domingo.